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Matérias - Sustentabilidade - Agricultura, Energia

(2005/10/02) Texto no Jornal O Estado de São Paulo: http://txt.estado.com.br/editorias/2005/10/02/eco062.html

Domingo, 2 de Outubro de 2005

O combustível que brota no coração da floresta

No coração da maior floresta tropical do mundo nasceu, em 1982, a Agropalma, um investimento feito pelo empresário Aloysio Faria, então dono do Banco Real, hoje à frente do Banco Alfa. Nos primeiros dez anos, a empresa instalada em Tailândia, a 150 quilômetros de Belém, transformou-se no maior fabricante de óleo de palma da América Latina.

De origem africana, o produto, também conhecido como óleo de dendê, é usado pela indústria alimentícia para fritura ou como componente de algumas receitas.

A empresa, que faturou R$ 440 milhões no ano passado, descobriu há pouco tempo um novo filão, o biodiesel. Os subprodutos da palma passaram a ser transformados em combustível vegetal. “Vendíamos o resíduo para a indústria saboeira”, diz César Augusto de Abreu, gerente operacional da Agropalma. Numa parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro, dona da patente, chegou-se ao processo do biodiesel.

As perspectivas são promissoras. A partir de 2008, todo diesel vendido no país será obrigatoriamente misturado com 2% de biodiesel. Só esse passo pode gerar uma demanda de 700 milhões de litros por ano. A Agropalma tem capacidade para produzir 60 milhões de litros por ano, o equivalente a quase 10% do consumo nacional previsto . Dos 82 mil hectares da área ocupada pela Agropalma, 50 mil são destinados às reservas florestais e 32 mil à extração da palma. O cultivo de 5 milhões de palmeiras é intensivo e exige o emprego de cerca de 4 mil trabalhadores.

Todo o processamento do produto é físico, sem o uso de componentes químicos. Em tempos de valorização da alimentação saudável e ambientalmente sustentável, isso acaba se revelando um apelo importante para os importadores europeus e americanos .

-- TupiDaTaba - 14 Oct 2005

Rede de Comunicação e Articulação Popular, e
Aplicando o Modelo de Produção de Software Livre na Economia Solidária (Modelo CLAP - Conhecimento Livre e Aberto de Produção)

Rede de Comunicação e Articulação Popular

A idéia de que é preciso construir uma rede de comunicação e articulação popular para:

1) Uso de software livre por organizações e empreendimentos solidários, para que eles possam melhorar sua administração e seu funcionamento internos;

2) Acesso a rede de informações da Internet, para que possam acessar a vasta rede de informações, dados, notícias, conhecimentos, etc;

3) Contato e troca de informações entre organizações cooperativas; para que possam estabelecer vínculos, contratos, ações que sigam regras solidárias de mercado e, assim, se fortalecerem mutuamente frente ao mercado tradicional; (que poderiam usar o "CD Livre EcoSol?")

Essas fases criam as condições para construir em diferentes setores da economia (sapato, guarda-chuva, roupa, serviços de informática, etc) uma nova prática de produção e um novo modelo de relações econômicas.

Para que mais pessoas possam compreender e aplicar o novo modelo de relações econômicas e potencializar produtos e serviços solidários, precisamos trabalhar em rádios comunitárias, telecentros, casa brasil, ponto de cultura, disseminando uma cultura livre e cooperativa de uso e produção, tanto de informações como de conhecimentos. Esse é um ponto.

Fomentar a divulgação dos empreendimentos e Economia solidária nas radios comunitárias, articular a migração para software livre das rádios, integrar o software livre e economia solidária na construção da rede abraço de rádios comunitárias.

E para fazer com que as pessoas também sejam consumidores desse produtos e servicos precisamos de uma rede;

Precisamos de uma rede tanto para mudar o atual modelo como para criar uma base de consumidores de uma nova economia, a Economia Solidária.

Modelo CLAP - Conhecimento Livre e Aberto de Produção (ou, 'Aplicando o Modelo de Produção de SL na Economia Solidária')

4o.) Intercâmbio permanente e sistemático entre as organizações solidárias de um mesmo setor de produção e/ou serviço; para que possam trocar informações-chave sobre seu processo produtivo e/ou de serviço, tais como dados sobre matérias primas, preços, fornecedores, etc;

5o.) Compartilhamento do conhecimento de produção entre empreendimentos solidários de uma área específica de produção e/ou serviço; para que os empreendimentos solidários possam aprender uns com os outros e, assim, melhorarem sua produção e/ou serviço;

6o.) Desenvolvimento cooperativo e em rede, por uma comunidade de desenvolvedores, produtores (empreendimentos solidários) e consumidores, do conhecimento de produção para cada tipo de bem material e/ou serviço; para que possam não somente desenvolver novas tecnologias, mas em particular alterar o rumo deste desenvolvimento, tornando-o de fato orientado para as necessidades da comunidade solidária (consumidores, produtores e desenvolvedores);

RASCUNHO:

Aplicar o 'modelo de produção de software livre' na 'economia solidária' significa simplesmente tentar usar o modelo de produção de software livre em outras áreas da economia que não a de software. Por exemplo: produção de sapatos, sabão, guarda-chuva, móveis, aparelhos eletrônicos, carros, etc.

Mas há um problema logo de cara: enquanto software é imaterial (não tangível e de reprodução com custo baixíssimo), bens físicos são materiais (tangíveis e de "reprodução" cara).

Ora, o que pode ser compartilhado não é o bem em si, mas os meios para produzi-lo. Porém, enquanto os meios físicos para produzir (ferramentas, máquinas, etc) podem apenas ser localmente compartilhados, numa cooperativa autogerida por exemplo, os meios não físicos, tais como informações, dados, receitas e know-how de produção, em suma o conhecimento de produção, podem ser compartilhados globalmente.

Mas, como todos sabem, o modelo de software livre não é meramente um modelo de compartilhamento de software, é na verdade um modelo cooperativo de produção: é a produção cooperativa de software livre que traz todas as vantagens que ele oferece.

Ora, aplicar o modelo de produção de software livre na economia solidária significa então tentar transpor o modelo cooperativo de produção de software livre para a produção de quaisquer bens materiais, torná-la também compartilhada e cooperativa. Isso signfica, curto e grosso, compartilhar e desenvolver o conhecimento de produção (de qualquer bem) de forma cooperativa, entre inúmeras organizações cooperativas. Daí a idéia de modelo CLAP (paralelo com o modelo FOSS): uma comunidade de desenvolvedores, produtores e consumidores desenvolvendo, para cada área de produção material, um 'Conhecimento Livre e Aberto de Produção' (CLAP).

Novamente, fazendo paralelo com o modelo FOSS, a comunidade também poderia ter as 4 liberdades, mas só que sobre este conhecimento de produção, desenvolvido cooperativamente e apropriado coletivamente:

(0) liberdade de usar o conhecimento de produção, para qualquer finalidade;

(1) liberdade para estudar o conhecimento de produção e como funciona o bem produzido, de modo a adaptá-lo às suas necessidades;

(2) liberdade para redistribuir cópias do conhecimento de produção, de modo a poder ajudar o próximo;

(3) liberdade para melhorar o conhecimento de produção, e divulgar publicamente as melhorias, para que a comunidade inteira se beneficie.

Haveria uma característica-chave no modelo CLAP: suas licenças, do tipo GPL, manteriam livre todo novo conhecimento de produção desenvolvido a partir dos anteriores. Todos seriam livres para criar e distribuir o conhecimento de produção, mas somente se o distribuissem sob as mesmas licenças livres, que assegurariam a propriedade coletiva do conhecimento de produção (CLAP).

Viajei, ein? Aliás, esta viagem foi coletiva, escrita na seção Wiki do site Libervis. Pois é, mas a idéia básica é essa.

Não é difícil de perceber duas coisas:

1a.) Patente é o que de fato complica esse modelo CLAP; como resolver isso?

2a.) A maioria esmagadora das organizações e empreendimentos solidários estão ainda a "séculos-luz" de uma possível experiência com esse modelo CLAP. Poderíamos dizer que muitos ainda estão na idade do "bit lascado"! Ou seja, há uma fase inicial de inclusão digital das organizações solidárias, que pode ser feita, é claro, com software livre.

Por isso, pensei em etapas, fases, ou níveis de aplicação do modelo FOSS na Economia Solidária. Seriam 6 níveis:

1o.) Uso de software livre por organizações e empreendimentos solidários, para que eles possam melhorar sua administração e seu funcionamento internos;

2o.) Acesso a rede de informações da Internet, para que possam acessar a vasta rede de informações, dados, notícias, conhecimentos, etc;

3o.) Contato e troca de informações entre organizações cooperativas; para que possam estabelecer vínculos, contratos, ações que sigam regras solidárias de mercado e, assim, se fortalecerem mutuamente frente ao mercado tradicional;

4o.) Intercâmbio permanente e sistemático entre as organizações solidárias de um mesmo setor de produção e/ou serviço; para que possam trocar informações-chave sobre seu processo produtivo e/ou de serviço, tais como dados sobre matérias primas, preços, fornecedores, etc;

5o.) Compartilhamento do conhecimento de produção entre empreendimentos solidários de uma área específica de produção e/ou serviço; para que os empreendimentos solidários possam aprender uns com os outros e, assim, melhorarem sua produção e/ou serviço;

6o.) Desenvolvimento cooperativo e em rede, por uma comunidade de desenvolvedores, produtores (empreendimentos solidários) e consumidores, do conhecimento de produção para cada tipo de bem material e/ou serviço; para que possam não somente desenvolver novas tecnologias, mas em particular alterar o rumo deste desenvolvimento, tornando-o de fato orientado para as necessidades da comunidade solidária (consumidores, produtores e desenvolvedores);

Bem, foi essa a idéia que submeti pro FISL, mais ou menos, e que o pessoal aprovou. Agora só falta desenvolvê-la, alterá-la, melhorá-la. (Só isso! big grin ) Na verdade, é mais um rascunho para trabalho.

O que me falta é maior conhecimento sobre as iniciativas e empreendimentos solidários. Seria talvez interessante fazer um mapeamento das organizações solidárias, um censo, para tentar saber em que fase elas estariam. Saber quantos atuam de fato em rede, saber o que já trocam, etc.

Sugestões?



Discussão: críticas, comentários e sugestões. (Modelo FOD - Free Open Discussion big grin )


 
  • Monserrat, eu fiquei na dúvida sobre onde inserir alguns parágrafos que escrevi na tentativa de colaborar com o desenvolvimento de alguns aspectos do tema. Resolvi colocar aqui mesmo. Grande Abraço.

Euclides Mance

Software Livre e Economia Solidária

A Rápida expansão do software livre e da economia solidária nos últimos anos se deve, entre outros fatores, a uma mesma estratégia comum baseada na organização de redes colaborativas.

Não fosse pelo trabalho solidário de redes colaborativas compartilhando códigos, conhecimentos e valores, o software livre não teria alcançado tal magnitude em vigorosa expansão e não estaria continuamente crescendo. Igualmente redes colaborativas estão na base da difusão da economia solidária em todo mundo, envolvendo organizações de comércio justo, finança ética, consumo eco-solidário e produção autogerida, integrando atores que operam nos diversos segmentos de inúmeras cadeias produtivas nos vários continentes. Atores dessa outra economia de um novo mundo possível têm se reunido nas diversas edições do Fórum Social Mundial, avançando na dinamização internacional desse movimento, instituindo e alimentando processos colaborativos de diversos tipos.

Por isso, a integração dos movimentos de software livre e de economia solidária aparece como uma tendência promissora para ambos, na medida em que os empreendimentos econômicos solidários passem a se fortalecer pela utilização cada vez maior de tecnologias livres, particularmente no campo da Tecnologia da Informação, e profissionais que atuam na área do software livre comecem a organizar empreendimentos econômicos solidários que forneçam produtos, serviços e suporte em tecnologia de informação ao conjunto de organizações de economia solidária.

Essa sinergia permitirá consolidar os avanços percebidos em ambos os movimentos bem como desencadear novas oportunidades de crescimento e expansão nesse setor, uma vez que a economia solidária seria beneficiada com tecnologias adequadas para aprimorar o funcionamento de suas redes colaborativas, facilitando-se os fluxos de produção, comercialização e consumo solidários, e por outro lado, iniciativas empresariais solidárias na área de desenvolvimento, produção e difusão de softwares livres poderiam se propagar no atendimento das demandas de tecnologia da informação peculiares a essas redes e empreendimentos de economia solidária.

No mapeamento sobre a economia solidária no Brasil, recentemente realizado pela Secretaria Nacional de Economia Solidária, órgão do Ministério do Trabalho e Emprego, levantou-se a existência de mais de 15 mil empreendimentos de economia solidária em nosso país, envolvendo cerca de 1,5 milhão de trabalhadores e trabalhadoras. Cerca de 70% desses empreendimentos foram criados entre 1990 e 2005.

Há, portanto, um movimento em expansão da economia solidária e do software livre que muito tem a se dinamizar – pela apropriação, desenvolvimento, emprego e difusão do software livre na economia solidária, bem como, pela organização sustentável de empreendimentos solidários voltados, especificamente, ao atendimento de demandas na área de tecnologia da informação no campo da economia solidária. -- EuclidesMance - 03 Apr 2006 - 19:05


  • acho perfeita a iniciativa. inclusive a conexão SL/EcoPopSol também pode se dar a partir dos espaços de formação dos dois movimentos. Isso para além do valor utilitário e prático, onde os agentes incorporem uma compreensão mais profunda sobre os paradigmas tanto do conhecimento livre, quando desse tipo de associação de trabalhadores. tem um puta potencial organizativo para os dois lados. a oitava edição da feira estadual de Economia Solidária pode ser o grande start dessa ação, tanto quanto o FISL. Ambos são momentos de integração entre ativistas e militantes que pode ser potencializado em ações mais pontuais. -- EvertonRodrigues - 26 Mar 2006 - 11:16
  • Gostei muito da sua proposta, Monserrat! smile É incrível como ela se encaixa perfeitamente, na minha opinião, na proposta da Rede Brasileira de SócioEconomia Solidária RBSES (www.redesol.com.br), idealizada - inicialmente - pelo Euclides Mance. Penso que se conseguirmos - na prática- articular essa proposta do CLAP com a RBSES, estaremos dando um grande passo para a construção da economia economia solidária, tanto no Brasil quanto no mundo. Isto porque, para mim, um dos maiores desafio da economia solidária, além de elaborar um ambiente de cooperação e sustentabilidade dentro de cada empreendimento solidário, é construir um espaço de cooperação econômica entre empreendimentos que diminua a necessidade de compra e venda de produtos e serviços no mercado capitalista. Isso só será possível dentro de Redes de Compartilhamento e cooperação. E para tanto, as tecnologias livres e o seu modelo cooperativo de desenvolvimento são fundametais!! Caso não tenha sido muito claro, dê uma olhada nestes textos do Euclides que penso ser fundamental para o amadurecimento da sua proposta do CLAP:
  • Redes de Economia Solidária : a expansão de uma Alternativa Global.
  • A Revolução das Redes: como se constrói um "sistema solidário" e participativo
  • Rede Brasileira de Socioeconomia Solidária - Objetivos e Estratégia: uma apresentação sintética
  • No mais, parabéns pela sua proposta e vamos nos empenhar para superar todos os desafios inerentes à ela. wink -- VicenteAguiar - 02 Mar 2006 - 20:20

  • Vou começar revelando um pequeno "detalhe": não tenho comigo o resumo que submeti e foi aprovado pelo FISL... frown (que eles não nos "ouçam" aqui, fala baixo!) Mas explico: quando mandei a proposta, eu tava no SOLISC 2005 (Florianópolis). Foi lá queu tive o lampejo e me veio a idéia desta palestra. Escrevi uma proposta no penúltimo dia de submissão, só que deu pau no computador e perdi tudo... Mas não desisti, no dia seguinte re-escrevi a proposta e submeti, mas ela saiu diferente da versão anterior, com 6 níveis de aplicação (do Mod.Sof.Livre na Eco.Sol), ao invés de apenas 5 (ver no rascunho acima). Na verdade, estes níveis de aplicação não tão ainda resolvidos, pode ser que seja bem diferente dessa idéia inicial. É por isso que tô colocando a criação desta palestra, aqui no Twiki, para ser construída coletivamente. Caso não seja possível (o tema não atraia interesse, ou o pessoal tiver muito ocupado, escrevo sozinho mesmo: Kein Problem! smile )

  • Para os que desejam meter a "mão na massa" desta apresentação, aqui vai uma sugestão: dêem uma olhada nos seguintes artigos e/ou apresentações:
  1. ) About the Potential of E-democracy in Cooperative Organisations
  2. ) Modelo de Software Livre nas Outras Áreas da Economia
  3. ) Reflexão Sobre o Modelo de Software Livre como Caminho para Construção de um Novo Sistema Econômico
  4. ) Software Livre e Economia Solidária: duas faces de uma outra economia
  5. ) [[][]]


-- JoseMonserrat - 10 Feb 2006

  • ArticulaPopular_ModeloCLAP.sxi: Parte da Apresentação "Rede de Comunicação e Articulação Popular, e Aplicando o Modelo de Produção de Software Livre na Economia Solidária"

Software Livre e Economia Solidária:
duas faces de uma outra economia.


A partir da experiência de cooperação entre o BanSol e o PSL-BA iniciada no ano de 2004, pretendemos apresentar os marcos teóricos, políticos e filosóficos que fundamentam as práticas econômicas que fazem do movimento de Economia Solidária uma alternativa real para transpor do ciberespaço para o mundo dos átomos, os valores libertários apregoados pelo movimento do Software Livre.

A forma de produção, organização e distribuição solidária de software livre pelas comunidades organizadas no ciberespaço está inaugurando um novo modo de produção não-capitalista, baseado no trabalho cooperativo e voluntário de milhares de pessoas, em projetos de pequena e grande escala, organizados e operacionalizados no ciberespaço.

Essa nova forma de produção engendrada no ciberespaço está contribuindo para transformar profundamente, a partir da indústria de software, a maneira pela qual a economia se estrutura e se organiza. O software livre significa uma nova forma dada aos produtos do trabalho humano, o que coloca em xeque a própria forma-mercadoria, pois se trata agora de uma "forma de produção" de softwares cujo objetivo é a socialização dos resultados alcançados e não a apropriação privada via mercado, com visas à acumulação de riquezas.

Em que pese o inquestionável sucesso das ações e iniciativas livres engendradas no ciberespaço, é preciso transpor estes princípios para a reprodução cotidiana da vida material do ser humano. Está colocado o desafio de assegurar uma forma de produção, consumo e distribuição de riquezas que reproduza os valores e práticas libertárias do mundo dos bits para o mundo dos átomos, onde convive o ser humano comum, com suas necessidades, interesses e paixões.

Nesse sentido, acreditamos que o movimento de Economia Solidária é referência para a concretização dos anseios e utopias da maioria dos hackers e ativistas do Software Livre. Por meio de um processo que objetiva romper com os padrões estruturantes da economia capitalista de mercado - baseada na produção-consumo predatório, no trabalho alienante e na acumulação privada de riquezas – a Economia Solidária tem se afirmado, no mundo dos átomos, como uma proposta real de construção de uma outra forma de organização sócio-econômica, paltada em valores libertários e emancipatórios.

A palestra está estruturada segundo os seguintes tópicos:

  1. Afirmação do Software Livre como o embrião de uma outra economia
  2. Demonstrar como a Economia Solidária tem se afirmado, no mundo dos átomos, como uma proposta real de construção de uma outra forma de organização sócio-econômica, paltada em valores libertários e emancipatórios.
  3. Demonstrar como os dois movimentos estão interagindo e se complementando, a partir da experiência pioneira do BanSol e do PSL-BA

Afirmamos então que este outro modo de produção e organização da vida material é uma condição necessária para a edificação de um mundo socialmente justo, tecnologicamente viável e ambientalmente sustentável. Fundamentando-se, assim, na libertação e emancipação do ser humano como o princípio e o fim de todas as coisas. Reafirmando as sábias palavras de Mahatma Gandhi: “se quisermos dar ao povo o sentido de liberdade, teremos que proporcionar às pessoas um trabalho que possam fazer facilmente em suas pobres casas e que lhes dê o mínimo sustento. E, quando o povo se tornar autoconfiante e capaz de sobreviver por si próprio, poderemos conversar com eles sobre liberdade”

Matérias - Artesanato

(2003/09/23) Texto de Gabriela Gemignani no Jornal O Estado de São Paulo: http://txt.estado.com.br/suplementos/pain/2003/09/23/pain005.html

Terça-feira, 23 de setembro de 2003

A profissionalização do artesanato nacional

Alta do dólar fez com que peças brasileiras ganhassem lugar de destaque na decoração

Por GABRIELA GEMIGNANI

A valorização do produto nacional e a alta do dólar fizeram com que o artesanato brasileiro ganhasse posição de destaque no cenário atual. Antes relegado às lembrancinhas de turistas, do tipo "eu estive lá e lembrei-me de ti", hoje os trabalhos brasileiros ganham o exterior e, principalmente, o mercado interno.

"Estamos vivendo um momento feliz, os arquitetos e decoradores que antes não davam muito valor para as peças nacionais estão descobrindo que há muita coisa boa neste mercado, a custos bem menores que os importados", afirma o coordenador do Núcleo de Artesanato do Sebrae-SP, Roberto Mauro dos Santos.

Há três anos o Núcleo desenvolve um programa para a capacitação de artesãos no Estado de São Paulo. "Identificamos uma técnica comum usada por um grupo de artesãos em determinado município e damos todo o treinamento gerencial e comportamental, além de disponibilizar um designer para adequar as peças à necessidade do mercado, mas sem perder a tradição local", diz.

Para garantir a capacitação dos profissionais e qualidade dos produtos, foi criada a marca Arte que Vale, que indica que a região teve treinamento do Sebrae-SP. "Além de capacitar os artesãos, um dos principais objetivos é resgatar técnicas que se extinguiram ou estão desaparecendo", afirma Santos.

Uma dessas iniciativas ocorreu na zona rural de São Carlos, onde duas artesãs, Estela Regina Silva e Nelcy Bastos resgataram o panô ajour, técnica de bordado de origem européia introduzida na cidade pelos imigrantes italianos, e que utiliza juta desfiada e retalhos de pano.

Hoje são 46 grupos de artesãos, com média de 20 pessoas cada, que já conquistaram espaço em redes varejistas como C&C Casa e Construção, Tok Stok e Pão de Açúcar. "Há um ano estamos trabalhando com os artesãos capacitados pelo Sebrae-SP e fizemos algumas substituições de importados pelos produtos nacionais", afirma a gerente de compras da C&C Casa e Construção, Fernanda Canal.

Segundo ela, o artesanato paulista está sendo vendido em três lojas da rede, localizadas em áreas nobres de São Paulo. "São produtos voltados para as classes mais altas."

Opinião - Um dos principais objetivos do programa é conquistar os formadores de opinião do ramo, para alavancar ainda mais este mercado. "Recentemente fizemos uma exposição no Museu da Casa Brasileira, o que sem dúvida tem um grande valor."

Na feira Arte da Terra, realizada na semana passada em São Paulo, também houve a preocupação em mostrar as peças inseridas em ambientes decorados.

"Além disso, a rodada de negócios teve o objetivo principal de aproximar os artesãos dos lojistas", afirma Santos.O evento contou com a presença de 7 mil visitantes.

Setor - Segundo levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, os 8,5 milhões de artesãos brasileiros movimentam cerca de R$ 28 bilhões ao ano, o equivalente a 2,8% do PIB.


Fonte: http://txt.estado.com.br/suplementos/pain/2003/09/23/pain006.html

Artesãs apostam em produtos exclusivos para conquistar mercado

Atividade que muitas vezes surge como alternativa ao desemprego, ganha sofisticação nas mãos de mulheres que não abrem mão da qualidade

Seja por uma brincadeira ou necessidade financeira, o fato é que cada vez mais brasileiros estão redescobrindo o artesanato como fonte de renda. O artesão solitário das cidades turísticas está dando lugar para um mercado profissional, em que é preciso cumprir prazos, saber gerenciar a produção e, principalmente, oferecer produtos de qualidade, isso tudo sem perder o valor artesanal e único de cada peça.

Há cinco anos a baiana Graça Nagao, que já tinha morado no Amazonas e no Espírito Santo, sempre acompanhando o trabalho do marido foi parar no interior de São Paulo, na cidade de Itapeva. Lá, tentou dar aulas de gastronomia, profissão na qual tem formação. "Mas não deu certo", conta ela.

Para "não ficar parada", Graça começou a fazer panos de prato como hobby. "Um dia resolvi, de brincadeira, fazer uma galinha em tecido. Uma amiga gostou e fez encomenda para presentear." O presente fez sucesso e logo ganhou as páginas de revistas especializadas.

As encomendas começaram a crescer e Graça teve de montar a Atelier Art, para dar conta do recado. Há dois anos a empresa começou a participar de feiras de presentes em São Paulo e de um estande de 7m2, o último evento teve um espaço de 35m2. "Foi em maio e já temos pedidos para o ano todo e a confirmação para mais duas feiras", diz Graça. A participação em eventos também rendeu clientes famosos como a Tok Stok.

"Há um ano e meio eles nos pediram para desenvolver duas peças exclusivas para crianças, fizemos um galo e uma galinha, e tivemos de passar por todas os testes do Inmetro e agora pediram mais duas", conta ela, com orgulho de dizer que nunca teve nenhuma reclamação de seus produtos vinda dos clientes da rede.

Novela - Dos 680 clientes de Graça, este deu uma alegria especial na semana passada. "Eu estava assistindo a novela Mulheres Apaixonadas e meu produto apareceu na cena da personagem Heloísa visitou o quarto do bebê de uma amiga. Eles focalizaram bastante a peça", diz Graça entusiasmada e satisfeita. "Foi uma surpresa muito boa, é como criar um filho e ver ele ser reconhecido sozinho", compara.

Com 22 funcionários, a soteropolitana faz questão de checar cada peça que é feita em seu atelier. "Sou muito exigente e acho que é por isso que os produtos fazem sucesso", diz. A preocupação em não se tornar uma indústria para não perder o valor artesanal das peças e manter a qualidade faz Graça até recusar pedidos de clientes importantes, como a Chopperia Pingüim, de Ribeirão Preto e a Sweet Pimenta, em São Paulo. "Somos procurados por oferecer produtos exclusivos, com tintas e tecidos diferenciados", diz.

Na última feira, Graça teve uma visita tentadora, mas não deixou suas convicções de lado. "Tivemos a visita de um grande armarinho da Rua 25 de Março, que queria arrematar nossa produção inteira, com pagamento a vista.

Mas tive de recusar, pois poderia ficar 'queimada' com meus clientes", afirma. Para o mês que vem ela prepara a inauguração de um show room em Itapeva. "Muitos clientes querem ver os produtos e eu não tinha um lugar para expor", conta ela.

Grupo - Há três anos o grupo Amarrio de Bariri, na região de Bauru, em São Paulo, se organizou para fazer parte do projeto do Sebrae-SP. "O objetivo foi fazer um resgate cultural de trabalhos em juta, tradicional da cidade", afirma a artesã e coordenadora do grupo, Carine Furlanetto Castanho.

Segundo ela, o grupo conta com 16 artesãs e vende seus produtos na rede C&C e Pão de Açúcar. "Uma das principais dificuldades no começo foi convencer os maridos das donas de casa de que era necessário que elas saíssem para fazer os cursos e trabalhar fora de casa", conta.

No começo, segundo ela, casa uma ajudava como podia, até vendendo pão caseiro para levantar fundos ao grupo. "Fomos amadurecendo com o tempo e conquistando espaço no País. Temos clientes no Sul, Minas Gerais e até na Amazônia."

Atelier e Art, (0--15) 521-1114, ou pelo site: www.atelierart.com.br. Amarrio de Bariri, (0--14) 3662-7978

-- TupiDaTaba - 14 Oct 2005

Uma análise do Software Livre a partir da Economia Política Marxista: a propriedade intelectual em xeque no ciberespaço


Este trabalho consiste na 1º revisão ampliada do artigo “Os limites da propriedade intelectual na fronteira do ciberespaço: uma análise do software livre a partir da Economia Política”, publicado nos anais do II Simpósio Internacional de Propriedade Intelectual e Ética, ocorrido em novembro de 2003 no Centro de Convenções de Florianópolis, SC, e foi apresentado durante o I Seminário de Pesquisa Estudantil da Escola de Administração da UFBA realizado no dia 14 de Abril de 2004 no auditório da Escola de Administração da UFBA. Este trabalho é licenciado sob os termos e condições da licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 2.0 BR, disponível em: http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.0/br É permitida a livre distribuição, reprodução, cópia e exibição desta obra, desde que para fins não comerciais. Os autores autorizam derivações deste trabalho, desde que seja atribuído o devido crédito aos autores originais e a obra derivada seja disponibilizada sob estas mesmas condições e sob esta mesma licença. Para maiores informações sobre as licenças Creative Commons visite: http://www.creativecommons.org Em caso de dúvidas sobre derivações desta obra, contatar os autores. Ajude a construir um mundo livre, compartilhe conhecimento!


Autores:

Antônio de Pádua Melo Neto - Bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Federal da Bahia e mestrando em Sociologia do Trabalho pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). E-mail: paduamelo@uol.com.br

Thiago Tavares Nunes de Oliveira - Graduando em Direito pela Universidade Católica do Salvador e em Administração pela Universidade Federal da Bahia, Professor da disciplina Informática Jurídica na Faculdade de Direito da Universidade Católica do Salvador. Cursou o Internet Law Program 2003 da Harvard Law School. E-mail: thiagotavares@uol.com.br


RESUMO:

A mercadoria é a forma assumida pela riqueza nas sociedades capitalistas. Essa forma é, portanto, histórica e socialmente determinada. Para Marx, a mercadoria é um produto do trabalho humano que é transferido através da troca para a pessoa que vai usá-lo. O desenvolvimento do capitalismo transformou e transforma todas as esferas da vida humana em mercadorias, inclusive as idéias e a ciência (a produção intelectual). Porém, o desenvolvimento recente das forças produtivas permitiu a produção e a reprodução dos bens culturais de uma forma não-capitalista. O caso do software livre é paradigmático, pois significa a gênese de uma nova forma de produção da riqueza social, onde o atendimento das necessidades do homem (a sua auto-realização) é o objetivo central. O software livre democratiza a repartição da riqueza de duas maneiras: primeiramente impedindo que grandes conglomerados como a Microsoft se apropriem de uma "renda do software", que é paga por toda a sociedade quando deseja obter a licença de uso dos programas; além disso, a própria forma-mercadoria é posta em xeque, pois se trata agora de uma "forma de produção" de softwares cujo objetivo é a socialização dos resultados alcançados e não a apropriação privada via mercado.

ABSTRACT: An approach of Free Software based on Marxist Political Economy: the intellectual property under attack in Cyberspace

The commodity is the way wealth is represented in capitalist societies. It is therefore historically and socially constructed. According to Marx, the commodity is a product of human labour, which is transferred by exchange to those who will use it. This product does not belong to those who create them, because the capitalist means of production assumes that commodities belong to capitalists. The development of capitalism has transformed ideas (intellectual property) into commodities. The revolution in the manufacture of books and other print materials allowed the capital to transform cultural goods into commodities. In addition, legislation was sanctioned in order to protect copyrights, paving the way for the commoditisation of ideas. Nevertheless, the recent development of productive forces allowed for the production and reproduction of cultural goods in a non-capitalist way. The free software is paradigmatic, because it represents the beginning of a new form of creating social wealthy whereby human needs are fulfilled. The free software democratizes wealthy in two distinct ways. First, it averts big companies like Microsoft from increasing revenues derived from software licenses. Second, the commodity-format is undermined because software production aims at sharing the results achieved, not the private ownership.


Para uma interpretação dialética do Software Livre

Este artigo tem como objetivo iniciar uma nova abordagem para o fenômeno do software livre. Muita coisa tem sido escrita sobre as vantagens do uso do software livre e das “externalidades positivas” que ele provoca para variados setores da economia. Vive-se um período de revolução, uma revolução silenciosa é verdade, mas não menos importante do que outros períodos de fragmentação do sistema produtivo global de mercadorias. Os aspectos aparentes do fenômeno do software livre, reproduzidos indefinidamente no cotidiano, não permitem enxergar a coisa-em-si, o seu movimento contraditório. Nesse ponto, impõe-se uma ruptura com a metodologia utilizada pelo mainstream do conjunto das ciências sociais. O cerne dessa concepção metodológica é claramente exposto por um dos principais expoentes da ciência social de corte positivista; assim, nas palavras de Dürkheim: “as propriedades essenciais de uma coisa são as que observamos em toda a parte em que essa coisa existe e que só a ela pertencem” (DÜRKHEIM, 1999, p. 40).

Certamente se a lógica de desenvolvimento dos fenômenos, as suas “propriedades essenciais” conforme Dürkheim, pudesse ser apreendida de imediato pela simples observação, restaria saber qual o papel a ser desempenhado pela ciência. Como bem colocou o filósofo tcheco Karel Kosik:

Como a essência – ao contrário dos fenômenos – não se manifesta diretamente, e desde que o fundamento oculto das coisas deve ser descoberto mediante uma atividade peculiar, tem de existir a ciência e a filosofia. Se a aparência fenomênica e a essência das coisas coincidissem diretamente, a ciência e a filosofia seriam inúteis (KOSIK, 1995, p. 16).

Assim, somente o método dialético é capaz de superar as limitações interpretativas da lógica formal e positivista que faz coincidir aparência e essência dos fenômenos. Esse é o método teórico escolhido para se entender qual a essência do fenômeno Software Livre, quais as relações entre essa essência e a aparência que se manifesta no cotidiano e qual a sua lógica interna de desenvolvimento (suas tendências e contradições). Mais uma vez é importante citar o filósofo Karel Kosik, em uma brilhante passagem na qual ele demonstra a potência explicativa e interpretativa do método dialético:

A dialética é o pensamento crítico que se propõe a compreender a “coisa em si” e sistematicamente se pergunta como é possível chegar à compreensão da realidade. Por isso, é o oposto da sistematização doutrinária ou da romantização das representações comuns. O pensamento que quer conhecer adequadamente a realidade, que não se contenta com os esquemas abstratos da própria realidade, nem com suas simples e também abstratas representações, tem de destruir a aparente independência do mundo dos contactos imediatos de cada dia. O pensamento que destrói a pseudoconcreticidade para atingir a concreticidade é ao mesmo tempo um processo no curso do qual sob o mundo da aparência se desvenda o mundo real; por trás da aparência externa do fenômeno se desvenda a lei do fenômeno; por trás do movimento visível, o movimento real interno; por trás do fenômeno, a essência. O que confere a estes fenômenos o caráter de pseudoconcreticidade não é a sua existência por si mesma, mas a independência com que ela se manifesta. A destruição da pseudoconcreticidade – que o pensamento dialético tem que efetuar – não nega a existência ou a objetividade daqueles fenômenos mas destrói a sua pretensa independência, demonstrando o seu caráter mediato e apresentando, contra a sua pretensa independência, prova do seu caráter derivado (KOSIK, 1995, p. 20 e 21).

Nesse sentido, valendo-se do método dialético, deve-se compreender o software livre não como mera mudança na forma de distribuição de softwares, mas como uma nova forma de produção e de distribuição da riqueza social, que tem grande possibilidade para se expandir para outras áreas do sistema econômico. Essa nova forma de produção e distribuição de uma parcela importante da riqueza social é muito mais do que apenas a antítese da produção capitalista, ela possui alguns elementos que podem significar, em movimentos posteriores de maior envergadura, a superação dialética do capitalismo. É essa radicalidade que se procurará demonstrar nas próximas páginas.

Ainda aqui se faz necessário uma rápida explicação sobre o porquê da escolha da economia política de corte marxista como norte para a análise do fenômeno. É certo que a economia política marxista é a única corrente dentro das ciências econômicas que tem o método dialético como seu eixo interpretativo, tornando-se capaz de, partindo das meras aparências, penetrar na essência dos fenômenos sócio-econômicos e desvendá-los enquanto movimento contraditório. Além disso, existe em Marx uma concepção ontológica do ser social. É essa concepção ontológica do homem como ser social que permite a Marx penetrar na essência dos fenômenos sociais, desvendando as relações sociais por detrás deles e demonstrando seu caráter histórico, portanto, limitado. É a concepção sucintamente exposta na VIª Tese sobre Feuerbach: “mas a essência humana não é uma abstração inerente ao indivíduo singular. Em sua realidade, é o conjunto das relações sociais” (MARX e ENGELS, 1999, p. 13). A ausência dessa ontologia do ser social de base materialista faz com que as correntes clássica e neoclássica da Ciência Econômica abstraiam completamente o curso da história e ignoram as hierarquia das relações sociais fundantes do homem enquanto ser social. Assim, para Marx:

Pode-se distinguir os homens dos animais pela consciência, pela religião ou por tudo que se queira. Mas eles próprios começam a se diferenciar dos animais tão logo começam a produzir seus meios de vida, passo esse que é condicionado por sua organização corporal. Produzindo seus meios de vida, os homens produzem, indiretamente, sua própria vida material.

O modo pelo qual os homens produzem seus meios de vida depende, antes de tudo, da natureza dos meios de vida já encontrados e que têm de reproduzir. Não se deve considerar tal modo de produção de um único ponto de vista, a saber: a reprodução da existência física dos indivíduos. Trata-se, muito mais, de uma determinada forma de atividade dos indivíduos, determinada forma de manifestar a sua vida, determinado modo de vida dos mesmos. Tal como os indivíduos manifestam a sua vida, assim são eles. O que eles são coincide, portanto, com a sua produção, tanto com o que produzem, como com o modo como produzem. O que os indivíduos são, portanto, depende das condições matérias de sua produção (MARX e ENGELS, 1999, p. 27 e 28, itálicos dos autores, negrito nosso).

Além disso, é preciso deixar claro que a corrente hegemônica dentro da Ciência Econômica, a assim chamada "revolução marginalista", retirou a dimensão política da análise econômica, ou seja, a dimensão das relações de produção e das relações entre as classes sociais que engendram os conceitos econômicos tais como mercadoria, valor e mais-valia. É sintomático o fato de que com a ascensão do pensamento de Alfred Marshall, Carl Menger, Leon Walras e outros, os manuais de Economia passaram a ter seus títulos não mais como "Manual de Economia Política", mas sim como "Manual de Economia" ou "Manual de Economia Pura". Essa hegemonia significou a reificação dos conceitos econômicos. Nas palavras certeiras de Marx: “Os economistas nos explicam como se produz nestas relações dadas [relações sociais de produção burguesas], mas não nos explicam como se produzem estas relações, isto é, o movimento histórico que as engendra (MARX, 1989, p. 102, conteúdo entre colchetes nosso).

Produção de Mercadorias e Capitalismo

No primeiro capítulo do livro primeiro de O Capital (intitulado de A Mercadoria), Karl Marx afirma que a riqueza nas sociedades capitalistas aparece como uma “imensa coleção de mercadorias” (MARX, 1996a, pg. 165). Essa é a primeira separação entre o método de Marx e o dos economistas clássicos: para Marx a riqueza possui uma forma historicamente datada, que se estrutura em determinado modo de produção. A riqueza, em Marx, ganha o caráter de fato sócio-histórico. O conjunto das mercadorias é a forma assumida pela riqueza nas sociedades capitalistas. Essa forma é específica do capitalismo, e só pode ser entendida dentro dos seus limites.

Para Marx, a mercadoria aparece inicialmente como um objeto externo ao homem, capaz de satisfazer determinadas necessidades. Essas necessidades, imaginárias ou não, não alteram as propriedades materiais da mercadoria em questão, apenas as mudanças nos processos de produção podem alterar essas propriedades (MARX, 1996a). Essa capacidade que as mercadorias possuem de satisfazer determinadas necessidades do homem chama-se utilidade. A utilidade, o valor de uso, é o substrato material que permite a existência de uma mercadoria.

Todas as coisas que nos são úteis devem, segundo Marx, ser analisadas do ponto de vista de duas dimensões: uma qualitativa e outra quantitativa. É certo que uma mesma coisa pode servir para variadas finalidades, satisfazer diferentes necessidades, possuir inúmeras utilidades. Marx levou isso em consideração: para ele, o processo de descobrimento das diversas utilidades de uma coisa é historicamente construído. Assim como também as medidas sociais, os valores de troca, que igualam quantidades de diferentes coisas úteis.

No processo de troca, que se desenvolve com o avanço da divisão social do trabalhoi, não se pode trocar coisas com o mesmo valor de uso. O pressuposto de qualquer troca é a existência de valores de uso diferentes. Mas surge aí um problema: como trocar mercadorias que possuem valores de uso diferentes? Na relação de troca desaparece a importância do valor de uso das mercadorias, as diferentes mercadorias devem ser analisadas enquanto variáveis quantitativas. Mas ainda assim é preciso encontrar algo em comum entre as diferentes mercadorias, um denominador comum, algo a que elas possam ser reduzidas a fim de serem trocadas com igualdade; esse denominador comum é o valor de troca, que não pode ser reduzido a determinadas propriedades materiais da mercadoria, ou seja, não pode ter relação direta com os valores de uso das mercadorias que serão trocadas. Mas que característica “fantasmagórica”, nas palavras de Marx, é esta?

A unidade entre as mercadorias reside no fato de que elas são produtos do trabalho humano. Porém, isso ainda não resolve o problema do “denominador comum”, da determinação do valor capaz de as igualar no processo de troca, justamente porque existem diferentes tipos de trabalho que geram diferentes coisas úteis. O trabalho do pedreiro não é igual ao trabalho do tecelão. Para igualar todas as mercadorias sob o rótulo de “produtos do trabalho humano” faz-se necessário abstrair da forma como esse trabalho foi despendido. Esse trabalho abstrato, conforme conceituação de Marx, representa aquilo que de comum existe a todas as diferentes formas de trabalho: todas são dispêndio, gasto de força de trabalho humana. Medir o dispêndio de força de trabalho é medir a duração do seu uso, o tempo em que ficou em operação. Portanto, a duração da jornada de trabalho é o determinante do valor das mercadorias, em outras palavras: o valor das mercadorias deriva do tempo de trabalho gasto para produzi-las. E esse tempo de trabalho deve ser considerado enquanto gasto da força conjunta de trabalho da sociedade que cria a totalidade das mercadorias. Assim, o tempo de trabalho que cria o valor das mercadorias é o tempo de trabalho socialmente necessário (MARX, 1996a). Agora, pode-se expor o conceito marxiano completo da mercadoria, conforme exposto em brilhante passagem de O Capital:

Uma coisa pode ser valor de uso, sem ser valor. É esse o caso quando a sua utilidade para o homem não é mediada por trabalho. Assim, o ar, o solo virgem, os gramados naturais, as matas não cultivadas etc. Uma coisa pode ser útil e produto do trabalho humano, sem ser mercadoria. Quem com seu produto satisfaz sua própria necessidade cria valor de uso, mas não mercadoria. Para produzir mercadoria, ele não precisa produzir apenas valor de uso, mas valor de uso para outros, valor de uso social. {E não só para outros simplesmente. O camponês da Idade Média produzia o trigo do tributo para o senhor feudal, e o trigo do dízimo para o clérigo. Embora fossem produzidos para outros, nem o trigo do tributo nem o do dízimo se tornaram por causa disso mercadorias. Para tornar-se mercadorias, é preciso que o produto seja transferido a quem vai servir como valor de uso por meio da troca.} Finalmente, nenhuma coisa pode ser valor, sem ser objeto de uso. Sendo inútil, do mesmo modo é inútil o trabalho nela contido, não conta como trabalho e não constitui nenhum valor (MARX, 1996a, p. 170-171, negrito e grifo nosso).

Viu-se que a mercadoria é um produto do trabalho humano transferido a quem vai servir como valor de uso através da troca, e que essa produção para a troca só é possível a partir da divisão social do trabalho. Aqui é preciso diferenciar a produção simples de mercadorias, exposta até o momento, da produção capitalista de mercadorias.

Na produção simples de mercadorias, os produtores diretos são donos dos meios de produção necessários à elaboração das diferentes mercadorias. Esses produtores são, portanto, proprietários dos produtos do seu trabalho, e os levam ao mercado para serem trocados por equivalentes em valor. Porém, o desenvolvimento do capitalismo engendrou uma forma social de produção completamente diferente da exposta aqui. A base da produção capitalista é o processo histórico de formação de uma classe social de desprovidos, o proletariado, que para sobreviver precisa vender continuamente a sua capacidade de trabalho (força de trabalho) para aqueles que se apropriaram dos meios de produção. A privatização dos meios de produção fez parte da acumulação primitiva de capital e seu principal “método” foi o cercamento das terras comuns utilizadas pelo conjunto de servos originários dos escombros da sociedade feudal:

O roubo dos bens da Igreja, a fraudulenta alienação dos domínios do Estado, o furto da propriedade comunal, a transformação usurpadora e executada com terrorismo inescrupuloso da propriedade feudal e clânica em propriedade privada moderna, foram outros tantos métodos idílicos da acumulação primitiva. Eles conquistaram o campo para a agricultura capitalista, incorporaram a base fundiária ao capital e criaram para a indústria urbana a oferta necessária de um proletariado livre como os pássaros (MARX, 1996b, p. 355).

Portanto, o trabalhador, desprovido de opções para garantir a sua sobrevivência, trabalha para o capitalista e o fruto do seu trabalho é propriedade desse mesmo capitalista. Esse produto do trabalho alheio assume a forma de mercadoria, pois ao capitalista (seu dono) interessa vendê-lo no mercado para realizar lucro, ou seja, obter um valor maior do que aquele gasto para produzi-la: O produto – a propriedade do capitalista – é um valor de uso, fio, botas etc. Mas, embora as botas, por exemplo, constituam de certo modo a base do progresso social e nosso capitalista seja um decidido progressista, não fabrica as botas por causa delas mesmas. O valor de uso não é, de modo algum, a coisa qu’on aime pour lui-même. Produzem-se aqui valores de uso somente porque e na medida em que sejam substrato material, portadores do valor de troca. E para o nosso capitalista, trata-se de duas coisas. Primeiro, ele quer produzir um valor de uso que tenha um valor de troca, um artigo destinado à venda, uma mercadoria. Segundo, ele quer produzir uma mercadoria cujo valor seja mais alto que a soma dos valores das mercadorias exigidas para produzi-la, os meios de produção e a força de trabalho, para as quais adiantou bom dinheiro no mercado. Quer produzir não só um valor de uso, mas uma mercadoria, não só valor de uso, mas valor e não só valor, mas, também mais-valia (MARX 1996a, p. 305). O segredo da mais-valia, que é a forma social assumida pela exploração dos produtores diretos no capitalismo, reside justamente no fato de que a força de trabalho assume a forma de mercadoria, vendida “livremente” no mercado. O trabalhador, desprovido do acesso aos meios que permitiriam a sua sobrevivência (os meios de produção) e desembaraçado de qualquer relação de dependência pessoal, tem que vender a única propriedade que possui: sua capacidade de realizar trabalho, sua força de trabalho. Como o capitalista compra essa capacidade de trabalho, e não o próprio trabalho enquanto atividade realizada, o tempo e a forma de uso desta serão definidos posteriormente, pelo próprio capitalista. A diferença entre o tempo de trabalho que apenas reproduz o valor da força de trabalho (o tempo de trabalho socialmente necessário para produzir a “cesta de consumo” média do trabalhador e de sua família) e o tempo de trabalho total despendido pelo trabalhador, constitui a mais-valia, embolsada de graça pelo capitalista. Ela é a fonte do seu “lucro”, que se apresenta incorporado nas mercadorias antes mesmo destas irem ao mercado.

A Transformação da Cultura em Mercadoria

O desenvolvimento do capitalismo transformou todas as esferas da vida humana em mercadorias, inclusive as idéias e a ciência (a produção intelectual). A invenção da prensa por Guttemberg, no final do século XV, permitiu agilizar sobremaneira a reprodução de livros e textos que antes eram manuscritos por monges. Essa nova capacidade de reproduzir materialmente as idéias e concepções foi a “revolução industrial” necessária para a transformação da cultura em mercadoria, pronta a ser levada aos consumidores. Os capitalistas ligados ao comércio foram rapidamente substituídos por capitalistas industriais proprietários de grandes gráficas com escala suficiente para atender à demanda de uma nação inteira. Essa transformação de inocentes mecenas em grandes empresários foi também um fator central para a transformação da cultura em mercadoria e para a cristalização de uma legislação favorável à manutenção dessa forma-mercadoria. A história dessa legislaçãoii remonta ao Século XVI, com a criação, na Inglaterra, da Companhia de Propriedade Literária, instituída por um decreto do Tribunal da Coroa em 1556, e que tinha o objetivo de proteger não o autor da obra intelectual, mas sim o interesse dos editores e livreiros que formavam as empresas comerciais que imprimiam e vendiam cópias das obras intelectuais, e que precisavam de um mecanismo de controle do comércio dos livros. Inaugurava-se o paradigma patrimonialista das idéias. O detalhe importante é que a evolução dessa legislação é sempre para garantir prazos maiores de monopolização da reprodução das idéias bem além da data de falecimento do autor. Isso acontece porque os maiores detentores dos direitos autorais sobre as obras intelectuais não são os seus autores, mas as grandes empresas responsáveis pela produção e distribuição dessas mercadorias específicas, que são, de fato, as reais detentoras dos direitos de exploração patrimonial relativos à produção intelectual.

A fusão entre capital industrial, capital comercial e capital financeiro no capitalismo contemporâneo deu aos grandes conglomerados enorme poder de monopólio e grande maleabilidade de distribuição até o consumidor final. Assim, estas empresas têm a capacidade de impor aos autores e artistas contratos draconianos, reduzindo-lhes a participação nos lucros auferidos com a venda das mercadorias.

O Software Livre e a Destruição da Acumulação de Capital

O software livre não pode ser reduzido ao restrito universo da troca mercantil. A modo como ele é produzido determina a forma como ele será distribuído. Eis aqui uma ruptura com os modelos de interpretação do mainstream da ciência econômica, para a qual a esfera da produção e a esfera da distribuição da riqueza aparecem como realidades autônomas do sistema econômico e do conjunto da formação social. Não se deve entender a defesa do software livre apenas como uma questão de política pública afirmativa. Existe uma base material sólida para garantir a socialização da distribuição do software livre, ou seja, a própria forma como o software livre é produzido já traz, em sua essência, a formatação da sua forma de distribuição e circulação.

O software livre já é produzido coletivamente. O seu processo produtivo baseia-se em novas relações sociais de produção, que são contraditórias com as formas de produção especificamente capitalistas. Essas novas relações de produção, alinhadas com o potencial socializante do conjunto das forças produtivas, necessitam de novas relações de propriedade, isto é, novos modos de regulação da forma como a riqueza será produzida. A dialética das forças produtivas, relações de produção e relações de propriedade é descrita por Marx da seguinte maneira: (...) na produção social da própria vida, os homens contraem relações determinadas, necessárias e independentes de sua vontade, relações de produção estas que correspondem a uma etapa determinada de desenvolvimento das suas forças produtivas materiais. A totalidade dessas relações de produção forma a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se eleva uma superestrutura jurídica e política, e à qual correspondem formas determinadas de consciência. O modo de produção da vida material condiciona o processo em geral de vida social, político e espiritual. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser; mas, ao contrário, é o seu ser social que determina sua consciência. Em uma certa etapa de seu desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes ou, o que nada mais é do que a sua expressão jurídica, com as relações de propriedade dentro das quais aquelas até então se tinham movido. De formas de desenvolvimento das forças produtivas essas relações se transformam em seus grilhões. Abre-se então uma época de revolução social. (...) As relações burguesas de produção constituem a última forma antagônica do processo social de produção, antagônicas não em um sentido individual, mas de um antagonismo nascente das condições sociais de vida dos indivíduos; contudo, as forças produtivas que se encontram em desenvolvimento no seio da sociedade burguesa criam ao mesmo tempo as condições materiais para a solução desse antagonismo. Daí que com essa formação social se encerra a pré-história da sociedade humana (MARX, 1996c, 52-53, grifo nosso).

Que novas formas de produção são essas? Que novo estágio é esse das forças produtivas?

O Projeto Debianiii é uma associação de indivíduos que têm como causa comum criar um sistema operacional livre. O sistema operacional em desenvolvimento é chamado Debian GNU/Linux, ou simplesmente Debian. É importante lembrar que um sistema operacional é o conjunto de programas básicos e utilitários que fazem um computador funcionar. No núcleo do sistema operacional está o kernel. O kernel é o programa mais fundamental no computador e faz todas as operações mais básicas, permitindo a execução de outros programas.

Atualmente o Projeto Debian congrega dezenas de milhares de desenvolvedores e usuários em todo o mundo, que desenvolvem software e o disponibilizam livremente para outros usuários. Trata-se de uma organização sem fins lucrativos, estruturada e organizada no ciberespaço, e formada por voluntários que perseguem um mesmo objetivo e acreditam numa mesma ideologia: a de que é possível produzir conhecimento coletivamente e distribuí-lo livremente. A organização Debian insere-se no movimento pelo software livreiv, que por sua vez é uma resposta direta da sociedade civil organizada, a partir do ciberespaço, que objetiva não apenas o enfrentamento direto com a grande indústria de tecnologia, mas principalmente o resgate do paradigma libertário que caracterizou os primórdios da informática nos idos de 1960. Atualmente essa comunidade trabalha num projeto comum: desenvolver um sistema operacional livre, utilizando-se do conceito de copyleft, ou software de código abertov.

O conceito de Copyleft (GAY, 1998) rompe com a concepção proprietária e patrimonialista da indústria de bens culturais. Ao resgatar os valores clássicos do paradigma libertário que marcou o início da Informática, o Copyleft desconstrói o monopólio criado com o sistema de Copyright ao inverter a lógica de sua criação. Pois vale-se das mesmas regras jurídicas do sistema de Copyright que são utilizadas para garantir o monopólio privado de alguém sobre uma criação intelectual, para assegurar aos indivíduos a liberdade de modificação e distribuição das obras intelectuais.

O maior advento da comunidade de Software Livre é o projeto GNUvi, iniciado em 1984 por Richard Stallmanvii, que tem como objetivo construir programas livres a partir do trabalho colaborativo de milhares de desenvolvedores voluntários espalhados ao redor do planeta. Atualmente, centenas de milhares de desenvolvedores e usuários do GNU/Linux trabalham coletivamente para o aperfeiçoamento desse sistema operacional, e existem mais de 10 mil programas alternativos construídos por essa comunidade.

A razão do surgimento do projeto Debian reside no fato de que as distribuições são fundamentais para o futuro do GNU/Linux. Essencialmente, elas eliminam a necessidade do usuário localizar, baixar, compilar, instalar e integrar um grande número de ferramentas e aplicativos essenciais ao pleno funcionamento do sistema operacional. Essa árdua tarefa fica a cabo do criador da distribuição, cujo trabalho pode ser compartilhado com milhares de outros usuários. Quase todos os usuários do GNU/Linux terão o primeiro contato com o sistema operacional através de uma distribuição, e a maioria dos usuários continuará usando uma distribuição até mesmo por causa da conveniência, uma vez que já estão familiarizados com o sistema operacional. Assim, distribuições representam um papel muito importante para a popularização e desenvolvimento do GNU/Linux.

Surgiram, e continua a surgir, uma grande variedade de distribuições do GNU/Linux. Algumas delas desenvolvidas por empresas privadas, como é o caso da RedHatviii? e da Conectivaix, numa tentativa do sistema capitalista de capturar as novas formas de produção e as inserir no seu esquema global de circulação mercantil. A importância da Debian reside no fato de ser uma distribuição absolutamente solidária e voluntária, sem qualquer aspiração comercial ou compromisso com o mercado. A determinação de continuar sendo uma distribuição estável (tecnicamente), livre de “bugs” e gratuita, faz da Debian um dos principais pilares de sustentação da filosofia e do movimento pelo software livre.

Assim sendo, a forma assumida pelo software livre não é a de mercadoria. Ele não possui valor, entendido enquanto valor de troca. Seu objetivo central não é a troca mercantil nas bases capitalistas, cuja lógica máxima é a realização da mais-valia contida nas mercadorias, mas sim assegurar a liberdade de usar, estudar, alterar e distribuir o software livremente, a partir do seu código fonte. E garantir, através de um sistema de licenças baseado na lógica do copyleft, que qualquer alteração incorporada ao código seja distribuída livremente, para benefício de toda a comunidade. Portanto, o software livre não vai ao mercado como mercadoria (e nem possui mais-valia embutida)x. A lógica daqueles que o produzem, tenham consciência disso ou não, é o atendimento das necessidades do homem (a sua auto-realização). A produção de software livre é a produção coletiva e associativa de valores de uso para serem livremente intercambiados, alterados e reproduzidos nas mesmas bases ou em novas bases. Arranjo produtivo muito diferente da produção em bases capitalistas, onde as mercadorias assumem o caráter de seres sociais e as pessoas assumem o caráter de coisas materiais (MARX, 1996a).

A raiz da dissolução da forma-mercadoria da riqueza é o golpe de morte nas bases da existência da propriedade privada capitalista. O software livre é propriedade coletiva, pois é produzido coletivamente. A descoberta de que a produção capitalista torna-se cada vez mais socializada, combinando diferentes trabalhadores, diante de uma apropriação cada vez mais privada, já foi brilhantemente descrita por Marx nas páginas de O Capital. Segue a passagem completa, que é um pouco extensa, mas é de um conteúdo extremamente atual:

(...) Paralelamente a essa centralização ou à expropriação de muitos outros capitalistas por poucos desenvolve-se a forma cooperativa do processo de trabalho em escala sempre crescente, a aplicação técnica consciente da ciência, a exploração planejada da terra, a transformação dos meios de trabalho em meios de trabalho utilizáveis apenas coletivamente, a economia de todos os meios de produção mediante uso como meios de produção de um trabalho social combinado, o entrelaçamento de todos os povos na rede do mercado mundial e, com isso, o caráter internacional do regime capitalista. Com a diminuição constante do número dos magnatas do capital, os quais usurpam e monopolizam todas as vantagens desse processo de transformação, aumenta a extensão da miséria, da opressão, da servidão, da degeneração, da exploração, mas também a revolta da classe trabalhadora, sempre numerosa, educada, unida e organizada pelo próprio mecanismo do processo de produção capitalista. O monopólio do capital torna-se um entrave para o modo de produção que floresceu com ele e sob ele. A centralização dos meios de produção e a socialização do trabalho atingem um ponto em que se tornam incompatíveis com o seu invólucro capitalista. Ele é arrebentado. Soa a hora final da propriedade privada capitalista. Os expropriadores são expropriados (MARX, 1996a, p. 380-381).

O sistema de apropriação capitalista surgido do modo de produção capitalista, ou seja, a propriedade privada capitalista, é a primeira negação da propriedade privada individual, baseada no trabalho próprio. Mas a produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação. Esta não restabelece a propriedade privada, mas a propriedade individual sobre o fundamento do conquistado na era capitalista: a cooperação e a propriedade comum da terra e dos meios de produção produzidos pelo próprio trabalho (MARX, 1996a, p. 381).

Vale lembrar que o software proprietário não é propriamente a mercadoria negociada, mas sim a sua licença de uso é que é negociada, vendida. Compra-se, na verdade, os “serviços” que o software pode prestar, sem se poder alterar o conteúdo e a forma desses “serviços”. Assim, as empresas fabricantes de software proprietário auferem uma renda com a venda das licenças, uma “renda do software”, muito parecida com a renda da terra absoluta. Essa renda deriva da monopolização da terra por determinadas classes sociais. Nas palavras de Umbelino:

É dessa forma que o exercício do monopólio de uma classe ou fração de classe sobre a terra pode só colocá-la para produzir mediante a cobrança de um tributo, permitindo assim que mesmo o “pior solo” (que não paga renda) possa também auferir renda, a renda da terra absoluta.

A renda da terra absoluta é, pois, obtida mediante a elevação (artificial, pois ao contrario as terras não são colocadas para produzir capitalisticamente) dos preços dos produtos agrícolas acima do preço de produção geral (que é sempre o preço do “pior” solo). Dessa maneira, o lucro extraordinário obtido, ao contrário da renda diferencial, não é fração do trabalho excedente dos trabalhadores daquela terra em particular, mas sim fração da massa de mais-valia global dos trabalhadores em geral da sociedade, ou seja, toda a sociedade é obrigada a pagá-lo (este lucro extraordinário chamado renda da terra absoluta) aos proprietários de terra (UMBELINO, 1985, p. 77).

Os grandes conglomerados produtores de software proprietário ganham duplamente. Primeiro porque os softwares vendidos contêm trabalho excedente gerado pelos trabalhadores no processo de produção pós-concepção. Em segundo, porque não é o software em si, mas a licença de uso que é realmente vendida. Essa licença significa algo além do lucro médio obtido com a produção do software, significa lucro extraordinário. Esse superlucro é transferência de renda diretamente da sociedade para as grandes empresas de software proprietário. Por que isso é possível? Porque o código fonte do software proprietário é propriedade exclusiva da empresa que o gerou e não é distribuído juntamente com o programa. A “renda do software” deriva, assim como a renda da terra absoluta, da propriedade privada, não da terra, mas do código fonte.

O Copyleft também deve ser entendido como a tentativa, já consumada em um primeiro momento, de formatação jurídica das novas relações de produção da riqueza social, pois reconhece a autoria individual, mas garante a propriedade coletiva do conhecimento.

À Guisa de Conclusão: mais além do capital?

Diante da complexidade do fenômeno Software Livre, deve-se buscar uma fundamentação teórica consistente que permita enfrentar as contradições e superar as aparências do objeto de estudo. Nesse sentido, fecunda é a contribuição de Karl Marx para a análise e compreensão da transformação do conhecimento socialmente produzido em mercadoria, e sua forma de apropriação e acumulação por parte dos capitalistas. Para expressar os processos de ruptura faz-se necessária a construção de novas categorias que sejam capazes de espelhar as contradições do concreto. Não se pode entender um fenômeno que traz dentro si o germe da dissolução do modo capitalista de produção utilizando-se as categorias que representam esse modo de produção enquanto algo natural, a-histórico, eterno. É por isso que conceitos como mercadoria, lucro e valor já não são mais válidos para a compreensão do fenômeno do Software Livre. Conforme colocado brilhantemente por Marx:

Tais formas constituem pois as categorias da economia burguesa. São formas de pensamento socialmente válidas e, portanto, objetivas para as condições de produção desse modo social de produção, historicamente determinado, a produção de mercadorias. Todo o misticismo do mundo das mercadorias, toda a magia e a fantasmagoria que enevoam os produtos do trabalho na base de produção de mercadorias, desaparecem, por isso, imediatamente, tão logo nos refugiemos em outras formas de produção (MARX, 1996a, p. 201-202).

As relações coletivistas de produção engendradas no seio da comunidade do software livre garantem a identidade imediata do trabalho individual como trabalho social, como trabalho do conjunto de programadores, tradutores, desenvolvedores e distribuidores, ou seja, de diferentes trabalhos concretos responsáveis pela criação do produto social: no caso, o software livre. A mercadoria, nas sociedades mercantis generalizadas, é a forma não-consciente que garante a identidade mediada entre os trabalhos individuais. Mas essa identidade é não-consciente. Para descobrir o que garante a troca entre os diferentes produtos, precisamos desvendar (penetrar na essência) o caráter social por detrás dos diferentes trabalhos privados. Mas, aqui não se trata mais de troca mercantil e nem mesmo de mercadoria. Aqui não se trata da separação entre os produtores diretos e os produtos e os meios do seu trabalho, aqui não se trata mais do trabalhador existente apenas como mera subjetividade. As novas relações entre os diferentes trabalhadores (o programador, os diferentes programadores, os tradutores, os desenvolvedores, etc.), relações de cooperação ampliada e potencializada pelos novos meios de comunicação virtual, garantem novas relações entre esses diferentes trabalhadores e seus produtos e meios de trabalho. Esses produtos aparecem desde já, desde a sua gênese, como produtos sociais de uma coletividade.

Então, não se trata mais regular o funcionamento dessas relações de produção através da propriedade intelectual, tal qual em uma economia de mercado, mas sim regular o funcionamento dessas novas relações de produção através da propriedade social das intelectualidades individuais cooperadas e geradoras de produto social. Tudo isso dentro de uma nova forma de sociabilidade, forma essa que é ainda, evidentemente, incipiente e aparece apenas como fragmentação da lógica reprodutiva da sociedade generalizada das mercadorias. Trata-se, não mais, de remunerar os criadores através de um direito fundado na propriedade privada, mas sim de construir as novas bases concretas de uma nova sociedade concreta, onde a participação de todos é o pressuposto para o desenvolvimento de todos. Onde todos sejam deixados a participar livremente, desenvolvendo as suas possibilidades e habilidades como quiser. Parafraseando Marx, em A Ideologia Alemã, "ser programador de manhã, tradutor à tarde e filósofo do software livre após o jantar". É certo que na transição para essa forma superior de sociabilidade faz-se necessário uma nova forma de regulação social, é possível que o copyleft possa servir a essa finalidade. O próprio direito privado é visto por Marx como fruto da separação entre comunidade e propriedade dos meios de produção e dos produtos do trabalho social:

No direito privado, as relações de propriedade existentes são declaradas como sendo resultado da vontade geral. O próprio jus utendi et abutendi exprime, de um lado, o fato de que a propriedade privada tornou-se completamente independente da comunidade e, de outro lado, a ilusão de que a própria propriedade privada repousa unicamente na vontade privada, na disposição arbitrária da coisa. (MARX e ENGELS, 1999, p.99 e 100, itálico dos autores e negrito nosso).

O certo é que pela primeira vez na história da humanidade, tem-se a oportunidade real de superação daquilo que Engels chamava de “reino da necessidade” através da cooperação associativa dos indivíduos no ciberespaço. A produção e apropriação coletiva do conhecimento já é uma realidade nas comunidades livres que funcionam no espaço cibernético, a grande definição diz respeito apenas ao processo de hegemonia dessa nova forma de produção aos bens e serviços necessários ao pleno desenvolvimento de todos.

Notas

4 Não se deve confundir divisão do trabalho com divisão social do trabalho. A divisão social do trabalho é característica inerente “do trabalho humano tão logo ele se converte em trabalho social, isto é, trabalho executado na sociedade e através dela” (BRAVERMAN, 1987, p. 71). Nesse sentido, a divisão social do trabalho está presente em todas as sociedades conhecidas, significando a divisão da sociedade entre ocupações, cada qual apropriada a certo ramo de produção (BRAVERMAN, 1987).

5 A idéia moderna de copyright como um direito do autor somente foi desenvolvida a partir da promulgação do Estatuto de Ana em 1709, na Inglaterra.

6 Para melhor representar os princípios, valores e objetivos da organização Debian – www.debian.org -, decidimos incorporar trechos originalmente concebidos e licenciados sob licença GNU GPL e contidos no manifesto de fundação e histórico da organização, ambos disponíveis respectivamente em http://www.debian.org/intro/about.en.html e http://www.debian.org/doc/manuals/project-history/ que foram traduzidos livremente e adaptados ao contexto da obra.

7 http://fsf.org

8 http://opensource.org

9 http://gnu.org

10 http://stallman.org

11 http://redhat.com

12 http://conectiva.com.br

13 Tem-se em mente aqui o projeto GNU, capitaneado pela Free Software Foundation, e o Projeto Debian, iniciativas genuinamente libertárias fruto do trabalho colaborativo, que tem como objetivo desenvolver aplicações livres e distribuí-las sob a licença GPL (General Public License), com vistas à produção e à apropriação coletiva do conhecimento gerado.

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Fonte: Projeto Ciência Livre do PSL-Ba


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Software Livre, fetichismo das mercadorias e trabalho estranhado: de volta à crítica filosófica ao capitalismo


Este trabalho está em permanente processo de desenvolvimento, e foi apresentado durante a VII Semana de Mobilização Científica da Universidade Católica do Salvador ocorrida entre os dias 18 e 22 de outubro de 2004 na cidade de Salvador, BA.Os autores pretendem continuar escrevendo o artigo diretamente no Twiki, num processo de construção dinâmico e interativo. Sua contribuição é muito importante!


Autores

Antônio de Pádua Melo Neto - Bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Federal da Bahia e mestrando em Sociologia do Trabalho pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). E-mail: paduamelo@uol.com.br

Thiago Tavares Nunes de Oliveira - Bacharel em Direito pela Universidade Católica do Salvador e em Administração pela Universidade Federal da Bahia. Cursou o Internet Law Program 2003 da Harvard Law School. E-mail: thiagotavares@uol.com.br



Resumo

A universalização da produção de mercadorias significa que as relações sociais entre os produtores passam a ser mascaradas pelas relações de troca entre as diferentes mercadorias, a isso Marx chamou de fetichismo das mercadorias. Assim, as relações sociais entre as pessoas aparecem como relações sociais entre coisas. Isso porque a forma mercadoria baseia-se no esvaziamento do conteúdo sócio-histórico-simbólico dos produtos do trabalho humano. A abstração dos diferentes trabalhos que geram diferentes coisas úteis é fundamental para gerar uma unidade social de medida, capaz de transformar tudo em algo intercambiável, ou seja, mercadorias. O véu do fetichismo das mercadorias surge em determinadas condições históricas da produção social. Diante de novas condições e relações de produção é possível vislumbrar o rasgar desse véu. Nesse sentido, o presente trabalho procura demonstrar como as formas cooperativas de produção de Softwares Livres (especialmente o modelo Debian) representam uma possibilidade de desestranhamento progressivo do trabalho humano. Trata-se da real possibilidade de reversão dos efeitos perversos do trabalho dentro da sociabilidade do capital. Conclui-se que as formas cooperativas de produção dos Softwares Livres significam o reencontro do homem com os produtos do seu trabalho, com a sua própria atividade laboral, consigo mesmo e com os outros homens que se relacionam com ele nesse processo de produção. Uma negação, portanto, a tudo o que, na sociabilidade destrutiva do capital, aparece como algo estranho, apartado, fantasmagórico, desumano. Por fim, o labor, realizado para a valorização do valor, faz com que o trabalhador não se identifique com o resultado do seu trabalho e com a realização da própria atividade. O modelo de produção dos Softwares Livres inverte tudo isso.

Palavras-chave: Fetichismo – Estranhamento – Software Livre


Introdução: o caráter ontológico do trabalho e a transformação capitalista

A idéia de que é o trabalho que funda a sociabilidade - toda e qualquer forma de sociabilidade - é o pilar da concepção marxiana do ser social. O homem, enquanto ser social, só existe através do trabalho. O trabalho é a atividade consciente de produção de existência humana, e é essa característica consciente do ato de trabalhar que faz que ela seja justamente o elemento que diferencia os homens propriamente dos animais. Nas palavras de Marx:

Pode-se distinguir os homens dos animais pela consciência, pela religião ou por tudo que se queira. Mas eles próprios começam a se diferenciar dos animais tão logo começam a produzir seus meios de vida, passo esse que é condicionado por sua organização corporal. Produzindo seus meios de vida, os homens produzem, indiretamente, sua própria vida material (MARX e ENGELS, 1999, p.27).

Essa atividade de produção da própria existência é uma atividade consciente. Mas, não se quer afirmar com isso que a consciência precede o ser. Marx inverte justamente esse raciocínio do idealismo alemão ao afirmar que é o ser que determina a consciência. Trabalho e consciência não são separáveis, mas o caráter fundante é do trabalho e não da consciência. Nas palavras de Marx:

(...) não se parte daquilo que os homens dizem, imaginam ou representam, e tampouco dos homens pensados, imaginados e representados para, a partir daí, chegar aos homens em carne e osso; parte-se dos homens realmente ativos e, a partir de seu processo de vida real, expõe-se também o desenvolvimento dos reflexos ideológicos e dos ecos desse processo de vida. E mesmo as formações nebulosas no cérebro dos homens são sublimações necessárias do seu processo de vida material. A moral, a religião, a metafísica e qualquer outra ideologia, assim como as formas de consciência que a elas correspondem, perdem toda a aparência de autonomia. Não têm história, nem desenvolvimento; mas os homens, ao desenvolverem sua produção material e seu intercâmbio material, transformam também, com esta sua realidade, seu pensar e os produtos de seu pensar. Não é a consciência que determina a vida, mas a vida que determina a consciência (MARX e ENGELS, 1999, p. 37).

A religião, a moral, a filosofia e todas as múltiplas manifestações da consciência humana não têm vida própria, não existem independentemente dos homens concretos. São os homens que, para produzirem sua própria existência, travam entre si diferentes relações e concebem diferentes concepções mentais dessas relações e do seu modo de vida. E a produção da própria existência, ou seja, de si próprio só se dá através do trabalho. E ao realizar essa atividade, o homem já possui de antemão uma finalidade; eis aqui a diferença do trabalho humano para o instinto de sobrevivência animal: o caráter consciente. Conforme a bela passagem de Marx:

Uma aranha executa operações semelhantes às do tecelão, e a abelha envergonha mais de um arquiteto humano com a construção dos favos de suas colméias. Mas o que distingue, de antemão, o pior arquiteto da melhor abelha é que ele construiu o favo em sua cabeça, antes de construí-lo em cera. No fim do processo de trabalho obtém-se um resultado que já no início deste existiu na imaginação do trabalhador, e portanto idealmente. Ele não apenas efetua uma transformação da forma da matéria natural; realiza, ao mesmo tempo, na matéria natural seu objetivo, que ele sabe que determina, como lei, a espécie e o modo de sua atividade e ao qual tem de subordinar sua vontade. E essa subordinação não é um ato isolado. Além do esforço dos órgãos que trabalham, é exigida a vontade orientada a um fim, que se manifesta como atenção durante todo o tempo de trabalho, e isso tanto mais quanto menos esse trabalho, pelo próprio conteúdo e pela espécie e modo de sua execução, atrai o trabalhador, portanto, quanto menos ele o aproveita, como jogo de suas próprias forças físicas e espirituais (MARX, 1996a, Tomo 1, p. 298).

Essa concepção corrobora idéias já expostas em um dos mais famosos escritos de juventude de Marx, os Manuscritos de 1844:

O animal é imediatamente um com a sua atividade vital. Não se distingue dela. É ela. O homem faz da sua atividade vital mesma um objeto da sua vontade e da sua consciência. Ele tem atividade vital consciente. Esta não é uma determinidade (Bestimmtheit) com a qual ele coincide imediatamente. A atividade vital consciente distingue o homem imediatamente da atividade vital animal. Justamente, [e] só por isso, ele é um ser genérico. Ou ele somente é um ser consciente, isto é, a sua própria vida lhe é objeto, precisamente porque é um ser genérico. Eis porque a sua atividade é atividade livre. O trabalho estranhado inverte a relação a tal ponto que o homem, precisamente porque é um ser consciente, faz da sua atividade vital, da sua essência, apenas um meio para sua existência (MARX, 2004, p.75).

Assim, o trabalho enquanto atividade consciente para a produção da vida humana é uma atividade de intercâmbio entre os homens e a natureza: ambos são transformados nesse processo. Nessa forma histórica e socialmente simples do processo de trabalho, o homem trabalha a natureza (que é o objeto de trabalho) usando instrumentos (meios) de trabalho por ele criados. Esses elementos (objeto e meios de trabalho) pertencente de forma universal a todo e qualquer processo de trabalho, independente da sua forma social. Em todo processo de trabalho, o homem transforma alguma coisa (tangível ou intangível) usando alguma outra coisa (mesmo que seja a sua própria mão ou seu próprio cérebro, ou seja, a sua corporalidade). De acordo com Marx:

No processo de trabalho a atividade do homem efetua, portanto, mediante o meio de trabalho, uma transformação do objeto de trabalho, pretendida desde o princípio. O processo extingue-se no produto. Seu produto é um valor de uso; uma matéria natural adaptada às necessidades humanas mediante transformação da forma. O trabalho se uniu com seu objetivo. O trabalho está objetivado e o objeto trabalhado. O que do lado do trabalhador aparecia na forma de mobilidade aparece agora como propriedade imóvel na forma do ser, do lado do produto. Ele fiou e o produto é um fio (MARX, 1996a, Tomo 1, p. 300).

A grande inovação histórica do capitalismo foi separar radicalmente os objetos de trabalho e os meios de trabalho (que, em seu conjunto, formam os meios de produção da vida social) dos produtores diretos. Esses produtores diretos, desprovidos do acesso às condições objetivas que permitem realizar seu trabalho, tiveram que, para sobreviver, entregar a sua força viva (capacidade) de trabalho para pôr em ação os meios de produção. Essa entrega da força de trabalho não é definitiva, ela ocorre por meio da venda no mercado. Portanto, é a força de trabalho, no capitalismo, uma mercadoria(1).

o capitalismo, são as condições objetivas de trabalho que usam o trabalhador, elas aparecem a ele como potência estranha, não lhe pertencem e comandam o seu fazer-se-em-sendo dentro do trabalho. A própria atividade e os frutos dela não mais estão sobre a posse do produtor direto, eles assumem a forma de mercadoria e serão intercambiados no mercado. É por isso que o capital não pode ser entendido como uma coisa, mas como uma relação social de produção que afasta continuamente as condições objetivas de trabalho do trabalho vivo:

_(...) o capital não é uma coisa, mas determinada relações de produção, social, pertencente a determinada formação sócio-histórica que se representa numa coisa e dá um caráter especificamente social a essa coisa. O capital não é a soma dos meios de produção materiais e produzidos. O capital são os meios de produção transformados em capital, que, em si, são tão pouco capital quanto ouro ou prata são, em si, dinheiro. São os meios de produção monopolizados por determinada parte da sociedade, os produtos autonomizados em relação à força de trabalho viva e às condições de atividade exatamente dessa força de trabalho, que são personificados no capital por meio dessa oposição (MARX, 1988, Vol. V, p. 251).

A riqueza objetiva transforma-se em capital apenas porque o operário, para subsistir, vende a sua capacidade de trabalho. As coisas que são condições objetivas de trabalho, ou seja, os meios de produção, e as coisas que são condições objetivas para a conservação do próprio operário, isto é, os meios de subsistência, só se convertem em capital ao se defrontarem com o trabalho assalariado (MARX, 1978, p.36)._

O fetichismo das mercadorias e o trabalho estranhado

O conceito de fetichismo da mercadoria é um dos menos compreendidos conceitos que Marx elaborou na sua crítica da Economia Política. Em que consiste esse fetichismo? No fato de que, com a universalização da produção de mercadorias, as relações sociais entre os produtores passam a ser mascaradas pelas relações de troca entre as diferentes mercadorias. Assim, as relações sociais entre as pessoas aparecem como relações sociais entre coisas. Por que? Porque a forma mercadoria baseia-se no esvaziamento do conteúdo sócio-histórico-simbólico dos produtos do trabalho humano. A base de tudo é o trabalho abstrato. O “abstrato” aqui não é palavra rebuscada. O conceito espelha o que ocorre concretamente na sociabilidade do capital. A abstração dos diferentes trabalhos que geram diferentes coisas úteis é fundamental para gerar uma unidade social de medida, capaz de transformar tudo em algo intercambiável.

Mas a abstração da concretude dos diferentes trabalhos possui um grande defeito: elimina as origens sociais dos produtos do trabalho humano. Não se sabe mais que é a força humana em ação que está por detrás das mercadorias que pululam no mercado. A destruição da consciência da gênese dos produtos do trabalho é, então, a primeira característica do fetichismo inerente à sociedade capitalista. Quanto mais desenvolvida é essa forma de sociabilidade humana, mais reificada torna-se essa consciência (essa idéia foi exposta por Georg Lukács em História e Consciência de Classe; LUKACS, 2003). Ou seja, quanto mais coisas são transformadas em simples mercadorias, mais difícil torna-se rasgar o véu do fetichismo gerado por essas mercadorias.

Mas, essa gênese não diz respeito apenas às formas de produção (o tipo do trabalho empregado, as condições de realização desse trabalho, entre outros). Ela diz respeito, sobretudo, ao conteúdo sócio-simbólico dado pelos homens àquilo que é por eles produzidos. Os produtos do nosso trabalho carregam também nossa história de vida, nossos conflitos e limitações pessoais e sociais, nossas angústias, nossas memórias. Tal qual as roupas que usamos, que ficam com nossa forma e cheiro (STALLYBRASS, 2000), os produtos do nosso trabalho também carregam parcela de nossa individualidade.

Essa relação “íntima” entre o indivíduo e os objetos frutos da sua mão não deve ser entendida como exaltação ao materialismo. Muito pelo contrário, ela recoloca o homem na sua posição central de produtor de si mesmo, através das suas relações sociais e com o mundo prático-sensível dos objetos. O homem real não “reside na pureza das idéias, mas sim na impureza permeada do material” (STALLYBRASS, 2000).

A segunda característica ligada ao fetichismo diz respeito à destruição da consciência da finalidade dos produtos do trabalho humano. Sabe-se que, segundo Marx, “para tornar-se mercadoria é preciso que o produto seja transferido a quem vai servir como valor de uso por meio da troca” (MARX, 1996, p. 170-171). Não interessa aqui o uso que será dado à mercadoria, muito embora alguma utilidade ela, a mercadoria, deva ter. Assim sendo, na produção universalizada de mercadorias, perde-se a capacidade de compreender como os produtos do trabalho humano serão utilizados, quais os seus destinos após a troca.

O fetichismo das mercadorias só pode existir porque o trabalho realizado para a produção dessas mercadorias é um trabalho estranhado. Esse trabalho (estranhado) é a origem da propriedade privada, pois os frutos do trabalho pertencem efetivamente a outro que não o trabalhador. O produto do seu trabalho aparece ao trabalhador enquanto objeto estranho, que “existe fora dele (ausser ihm), independente dele e estranha a ele, tornando-se uma potência (Macht) autônoma frente a ele, que a vida que ele concedeu ao objeto se lhe defronta hostil e estranha” (MARX, 2004, p.70). Essa autonomização dos produtos do trabalho frente ao trabalhador só é possível porque esse mesmo trabalhador foi despojado tanto dos objetos necessários a sua subsistência (meios de subsistência) quanto dos objetos necessários à realização do trabalho (meios de produção). Por isso o seu produto é propriedade do capital, ficando sob o seu domínio. Isso é o que Marx afirma na seguinte passagem:

A efetivação do trabalho tanto aparece como desefetivação que o trabalhador é desefetivado até morrer de fome. A objetivação tanto aparece como perda do objeto que o trabalhador é despojado dos objetos mais necessários não somente à vida [os meios de subsistência], mas também dos objetos do trabalho [objetos frutos do trabalho e necessários ao trabalho, os meios de produção]. Sim, o trabalho mesmo se torna um objeto, do qual o trabalhador só pode se apossar com os maiores esforços e com as mais extraordinárias interrupções. A apropriação do objeto tanto aparece como estranhamento (Entfremdung) que, quanto mais objetos o trabalhador produz, tanto menos pode possuir e tanto mais fica sob o domínio do seu produto, do capital (MARX, 2004, p.70, conteúdo entre colchetes nosso).

Outra passagem confirma essa interpretação:

(...) o trabalhador se torna, portanto, um servo do seu objeto. Primeiro, porque ele recebe um objeto do trabalho, isto é, recebe trabalho; e, segundo, porque recebe meios de subsistência. Portanto, para que possa existir, em primeiro lugar, como trabalhador e, em segundo, como sujeito físico. O auge desta servidão é que somente como trabalhador ele [pode]* se manter como sujeito físico e apenas como sujeito físico ele é trabalhador (MARX, 2004, p. 71).

É devido ao fato de o trabalhador se encontrar despojado tanto dos meios que permitem realizar um trabalho (que permitiriam ele existir, portanto, enquanto trabalhador) quanto dos meios de subsistência (que permitem o trabalhador existir enquanto sujeito físico; não sendo possível, é claro, existir o trabalhador sem a existência do indivíduo vivo), que o mesmo é transformado em servo do seu produto, ou melhor, que o mesmo deve, necessariamente, afastar-se do produto do seu trabalho, e este deve aparecer a ele como poder autônomo e estranho, pois pertence a outro. Além disso, a própria atividade que gera o produto, o trabalho mesmo, não possui sua finalidade definida pelo trabalhador, mas por outro(2).

O fato de que os “objetos do trabalho” (os meios de produção) e os “meios de vida” (os meios de subsistência) aparecem ao trabalhador como potências que lhe são estranhas, que lhe são autônomas, apenas esconde uma real relação social de dominação, relação entre pessoas em condições desiguais na sociedade. É essa desigual posição social que imprime autonomia às coisas frente ao trabalhador. O estranhamento do trabalhador em relação a si mesmo, aos outros e ao seu produto só é possível dentro dessa relação social específica.

Se ele se relaciona, portanto, com o produto do seu trabalho, com o seu trabalho objetivado, enquanto objeto estranho, hostil, poderoso, independente dele, então se relaciona com ele de forma tal que um outro homem estranho (fremd) a ele, inimigo, poderoso, independente dele, é o senhor deste objeto. Se ele se relaciona com a sua própria atividade como uma [atividade] não-livre, então ele se relaciona com ela como a atividade a serviço de, sob o domínio, a violência e o jugo de um outro homem (MARX, 2004, p. 77).

A produção de Software Livre: uma ruptura anunciada

O véu do fetichismo das mercadorias surgiu em determinadas condições históricas da produção social. Determinadas relações sociais são responsáveis pela estruturação dessas condições. Diante de novas condições e relações de produção é possível vislumbrar o rasgar desse véu. O software livre, não sendo mercadoria, pois apoiado em novas relações sociais de produção que não as capitalistas, recoloca o indivíduo enquanto início e fim do processo de produção. Com o software livre, as memórias e as individualidades dos produtores impressas em seus próprios produtos não são mais apagadas. Muito ao contrário, elas são reforçadas. Esse reforço é tão significado que está espelhado nas listagens de contribuições anteriores registradas nas novas versões de um software livre em específico (ver o caso exemplar do Projeto Debian). Resolve-se também, com o software livre, a questão da finalidade dos produtos do trabalho. Importa aqui a utilidade e a forma de uso que esses softwares terão.

Dito isso, é preciso pontuar uma questão de cunho filosófico-econômico: a verdadeira revolução do software livre é a do desestranhamento progressivo do trabalho humano. É a reversão dos efeitos perversos do trabalho dentro da sociabilidade do capital. O software livre é o reencontro do homem com os produtos do seu trabalho, com a sua própria atividade laboral, consigo mesmo e com os outros homens que se relacionam com ele nesse processo de produção. Tudo o que, na sociabilidade destrutiva do capital, aparecem como algo estranho, apartado, fantasmagórico, desumano. O trabalho, realizado para a valorização do valor, faz com que o trabalhador não se identifique com o resultado do seu trabalho (o produto, seja ele material ou imaterial), com a realização da própria atividade - é por isso que, como Marx falava nos Manuscritos de 1844, o homem sente-se homem apenas nas atividades animais (comer, beber, dormir e descansar), e sente-se animal nas atividades de homem (o trabalho, que deveria ser atividade consciente de progressiva humanização do homem) - consigo mesmo e com outros homens. Nas palavras do próprio Marx:

(...) o trabalho é externo (äusserlich) ao trabalhador, isto é, não pertence ao seu ser, que ele não se afirma, portanto, em seu trabalho, mas nega-se nele, que não se sente bem, mas infeliz, que não desenvolve nenhuma energia física e espiritual livre, mas mortifica sua physis e arruina o seu espírito. O trabalhador só se sente, por conseguinte e em primeiro lugar, junto a si [quando] fora do trabalho e fora de si [quando] no trabalho. Está em casa quando não trabalha e, quando trabalha, não está em casa. O seu trabalho não é portanto voluntário, mas forçado, trabalho obrigatório. O trabalho não é, por isso, a satisfação de uma carência, mas somente um meio para satisfazer necessidades fora dele. Sua estranheza (Fremdheit) evidencia-se aqui [de forma] tão pura que tão logo inexista coerção física ou outra qualquer, foge-se do trabalho como de uma peste. O trabalho externo, o trabalho no qual o homem se exterioriza, é um trabalho de auto-sacrifício, de mortificação. Finalmente, a externalidade (Äusserlichkeit) do trabalho aparece para o trabalhador como se [o trabalho] não fosse seu próprio, mas de um outro, como se [o trabalho] não lhe pertencesse, como se ele no trabalho não pertencesse a si mesmo, mas a um outro. Assim como na religião a auto-atividade da fantasia humana, do cérebro e do coração humanos, atua independentemente do indivíduo e sobre ele, isto é, como uma atividade estranha, divina ou diabólica, assim também a atividade do trabalhador não é a sua auto-atividade. Ela pertence a outro, é a perda de si mesmo (MARX, 2004, p. 72-73).

Revolucionária não é a materialidade em-si do software livre, mas as relações sociais que o geraram. Dizer isso não é minimizar a utilidade social do software livre para o desenvolvimento das forças produtivas da sociedade. Mas, desloca o foco para uma questão, digamos assim, ontológica, ou seja, estruturante do homem enquanto ser social. A grande dificuldade que os marxistas sempre tiveram para vislumbrar uma sociedade verdadeiramente socialista foi identificar quais as relações sociais estruturantes dessa forma nova de sociabilidade. A grande dificuldade sempre residiu em construir do nada essas relações. É possível dizer que essas relações sociais de cunho socialista estão começando a ser tornar uma grande e sólida realidade hoje, no seio da sociabilidade do capital. Elas são a negação-superação do mundo frio e estranhado do capital e da mercadoria. Novas relações sociais implicam também em novos homens, nova ética, novas manifestações culturais. É possível que a ética hacker/geek seja a semente dessa nova "cultura".

Assim, a produção de software livre deve ser entendida enquanto produção coletiva e associativa, através do ciberespaço, de valores de uso para serem livremente intercambiados, alterados e reproduzidos nas mesmas bases ou em novas bases. Essa forma de produção só se concretizou, pois a base material para a realização desse “trabalho cooperativo” - o ciberespaço – dá novas dimensões ao trabalho humano enquanto formador da sociabilidade (e, é claro, da possibilidade de formar uma nova sociabilidade). Conforme Giovanni Alves:

(...) o ciberespaço não expressaria um órgão vital específico do homem, mas sim uma qualidade imaterial e essencial do ser humano-genérico: a cooperação social. Seria a representação de um desenvolvimento sócio-técnico, que possui, em seu interior, uma tendência em contribuir para o aprofundamento da capacidade de autocriação humano-genérica, de heterogênese do homo sapiens (ALVES, 2003, p. 131)

Metodologia e Objetivos

A exposição se dará na forma oral, com o uso de recursos visuais (slides), onde serão apresentados à comunidade acadêmica a colocação do problema e suas conseqüências para a sociedade. Os autores trabalharão a idéia de que com as novas formas de produção engendradas pelo ciberespaço – especialmente a produção de software livre – abrem-se possibilidades concretas de superação do fetichismo das mercadorias e do estranhamento do trabalho, permitindo um caminho, ainda incipiente, que dote de sentido o trabalho realizado e o reencontro do trabalhador com os produtos do seu trabalho.

Conclusão

A abolição da forma mercadoria e das relações sociais que a engendram passa necessariamente pela redefinição dos modos de uso das coisas, inclusive os usos dados à tecnologia. É preciso lembrar que na sociabilidade do capital, as inovações tecnológicas são sempre formas de maximizar a extração de mais-trabalho da força viva de trabalho. Assim, as mudanças tecnológicas e organizacionais empreendidas pelo capital são sempre destinadas “a baratear mercadorias e a encurtar a parte da jornada de trabalho que o trabalhador precisa para si mesmo, a fim de encompridar a outra parte da sua jornada de trabalho que ele dá de graça para o capitalista” (MARX, 1996, Tomo 2, p. 7). É por isso que as ciências e as técnicas, de acordo com André Gorz, “trazem a marca da idéia que a burguesia se faz de sua função e dos fins que ela lhes atribui ou que, pela mediação do sistema no qual elas se encontram, ela lhes “sugere” ou proíbe” (GORZ, 2001, p. 222). Assim, a tecnologia, na sociabilidade do capital, é mera ferramenta para acumulação de capital, e é nesse contexto que ela deve ser compreendida.

Portanto, a passagem a uma outra forma de sociabilidade não pode estar limitada apenas a "gerir" de forma diferente a tecnologia herdada da sociabilidade do capital. O papel da produção cooperativa e solidária do software livre é tanto dotar de sentido a vida no trabalho quanto a vida fora do trabalho, e para isso precisar-se-á de uma outra técnica e de uma outra tecnologia: e é justamente isso que está sendo gestado de forma descentralizada e não-mercantil nas diversas comunidades de software livre ao redor do globo, unidas através do ciberespaço.

As relações “coletivistas” de produção engendradas no seio da comunidade do software livre a partir do ciberespaço garantem a identidade imediata do trabalho individual como trabalho social, como trabalho do conjunto de programadores, tradutores, desenvolvedores e distribuidores, ou seja, de diferentes trabalhos concretos responsáveis pela criação do produto social: no caso, o software livre. A mercadoria, na sociedade mercantil generalizada - a sociedade capitalista - é a forma não-consciente que garante a identidade mediada entre os trabalhos individuais (MANDEL, 1968). Mas essa identidade é não-consciente. Para descobrir o que garante a troca entre os diferentes produtos, precisamos desvendar o caráter social por detrás dos diferentes trabalhos privados. Mas, aqui não se trata mais de troca mercantil e nem mesmo de mercadoria. Aqui não se trata da separação entre os produtores diretos e os produtos e os meios do seu trabalho, aqui não se trata mais do trabalhador existente apenas como mera subjetividade subsumida ao capital. As novas relações entre os diferentes trabalhadores (o programador, os diferentes programadores, os tradutores, os desenvolvedores, etc.), relações de cooperação ampliada e potencializada pelos novos meios de comunicação virtual, pelo ciberespaço, garantem novas relações entre esses diferentes trabalhadores e seus produtos e meios de trabalho. Esses produtos aparecem desde já, desde a sua gênese, como produtos sociais de e para uma coletividade. Essa característica cooperativa de novo tipo do trabalho empregado na produção do software livre ressalta as potencialidades do ciberespaço, entendido como um momento de possível superação do trabalho estranhado. Nas palavras de Giovanni Alves:

Na medida em que o ciberespaço não é meramente uma rede-de-máquinas, mas uma rede-de-homens-mediados-por-máquinas, ele exige uma nova relação do homem com os objetos técnicos complexos. O meio técnico quase que obriga o homem a deixar de ser meramente suporte – ou apêndice – da máquina e tornar-se o guardião, ou melhor, condutor da máquina como meio técnico de produção de subjetividade. Exigi-se do homem novas habilidades cognitivas e comportamentais, muitas delas não-adequadas à forma social do capital (ALVES, 2003, p. 135).

Então, não se trata mais regular o funcionamento dessas relações de produção específicas através da propriedade intelectual, tal qual em uma economia de mercado, mas sim regular o funcionamento dessas novas relações de produção através da propriedade social das intelectualidades individuais cooperadas e geradoras do produto social. A regulação dessas novas relações de produção embrionárias exige transformações estruturais de grande envergadura, ou seja, a superação da sociabilidade do capital em sua totalidade: tanto no espaço material quanto no espaço virtual (ciberespaço).

Notas:

* Nota do tradutor: Colchetes da edição alemã. O verbo auxiliar não foi adotado por Marx, ficando a correção a cargo do editor da publicação original que serve de base para esta tradução.

(1) O conceito de mercadoria em Marx é o seguinte: “Uma coisa pode ser valor de uso, sem ser valor. É esse o caso quando a sua utilidade para o homem não é mediada por trabalho. Assim, o ar, o solo virgem, os gramados naturais, as matas não cultivadas etc. Uma coisa pode ser útil e produto do trabalho humano, sem ser mercadoria. Quem com seu produto satisfaz sua própria necessidade cria valor de uso, mas não mercadoria. Para produzir mercadoria, ele não precisa produzir apenas valor de uso, mas valor de uso para outros, valor de uso social. {E não só para outros simplesmente. O camponês da Idade Média produzia o trigo do tributo para o senhor feudal, e o trigo do dízimo para o clérigo. Embora fossem produzidos para outros, nem o trigo do tributo nem o do dízimo se tornaram por causa disso mercadorias. Para tornar-se mercadorias, é preciso que o produto seja transferido a quem vai servir como valor de uso por meio da troca.} Finalmente, nenhuma coisa pode ser valor, sem ser objeto de uso. Sendo inútil, do mesmo modo é inútil o trabalho nela contido, não conta como trabalho e não constitui nenhum valor” (MARX, 1996, Tomo 1, p. 170-171).

(2) Esse estranhamento é fruto do “embate entre o caráter social de desenvolvimento das capacidades humanas e a contradição que determina sua apropriação” (RANIERI, 2001, p.63).

Referências Bibliográficas:

ALVES, Giovanni. Ciberespaço como cooperação complexa – Notas sobre trabalho, técnica e civilização. In: MACHADO, Jorge Alberto. Trabalho, economia e tecnologia: novas perspectivas para a Sociedade Global. São Paulo: Tendenz; Bauru: Práxis, 2003.

BENKLER, Yochai. Coase's Penguin, or Linux and the Nature of the Firm. 112 Yale Law Journal (2002-2003). Disponível em: <http://www.benkler.org/CoasesPenguin.PDF>. Acesso em: 10 de Maio de 2004.

GAY, Joshua (editor). Free Software Free Society: selected essays of Richard M. Stallman. Boston: GNU Press, 2002.

LUKÁCS, Georg. História e consciência de classe: estudos sobre a dialética marxista. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

MANCE, Euclides André. A revolução das redes: a colaboração solidária como uma alternativa pós-capitalista à globalização atual.Petrópolis: Vozes, 1999.

MANDEL, Ernest. A formação do pensamento econômico de Karl Marx: de 1843 até a redação de O Capital. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1968.

MARX, Karl. O Capital: crítica da economia política. São Paulo: Nova Cultural, 1996a. Livro I, Tomos 1 e 2. (Coleção Os Economistas).

MARX, Karl. O Capital: crítica da economia política. São Paulo: Nova Cultural, 1988. Livro III, vols. IV e V. (Coleção Os Economistas).

MARX, Karl. O Capital, capítulo VI (inédito). São Paulo: Ciências Humanas, 1978.

MARX, K. Manuscritos Econômico-Filosóficos. Tradução de José Jesus Ranieri [s. n. t.]. Campinas, 2004.

MARX, Karl. A miséria da filosofia. São Paulo: Global, 1989.

MARX, Karl. Salário, preço e lucro. São Paulo: Nova Cultural, 1996b. (Coleção Os Economistas).

MARX, Karl. Trabalho assalariado e capital. São Paulo: Global, 1985.

MARX, Karl e ENGELS, Frierich. A ideologia alemã (Feuerbach). São Paulo: Hucitec, 1909.

ROSDOLSKY, Roman. Gênese e estrutura de O Capital de Karl Marx. Rio de Janeiro: Contraponto/EDUERJ, 2001.

RUBIN, Isaak Illich. A teoria marxista do valor. São Paulo: Brasiliense, 1980.

SILVEIRA, Sérgio Amadeu da. Software livre: a luta pela liberdade do conhecimento. São Paulo: Perseu Abramo, 2004.

STALLYBRASS, Peter. O casaco de Marx: roupas, memória, dor. Belo Horizonte: Autêntica, 2002.


Fonte: Projeto Ciência Livre do PSL-Ba


Registre aqui a sua crítica, sugestão, comentário, aviso ou qualquer tipo de contribuição

 

Relato de reunião de 16/08/2006

  • Assunto: Projeto Anheteguá
  • Presentes: Lucas, Terceiro, Vicente, Livia, Valessio
  • Objetivo: Lucas ( que vai embora frown ) nos passar o que ele tinha pensado para o Anheteguá-aplicação-web, enquanto "software social".

A reunião foi focada na aplicação web do Anheteguá. Lucas reviu com a gente o projeto, explicando cada módulo e falando das idéias que ele tinha tido. Um software social mais ou menos exemplo que Lucas mostrou foi o http://last.fm .

Enquanto Lucas ia falando, eu (Terceiro) ia riscando um modelo de classes pra esquematizar as informações:

class-diagram-anhetegua.png

Explicação do diagrama:

  • Grupo (Group) representa genericamente um coletivo.
  • Um grupo pode ser um empreendimento (Enterprise), ou uma comunidade (Community). Comunidades são grupos criados espontaneamente pelos usuários de acordo com seus interesses ("cadeia produtiva do leite", "cooperativas da Bahia", etc), enquanto Empreendimentos passam por um processo para o cadastramento (via Fórum Estadual de Economia Solidária).
  • Um grupo contém muitas pessoas (Person)
  • Um grupo publica muitas notícias (News)
  • Empreendimentos produzem atividades econômicas (EconomicActivity), que podem ser produtos (Product) ou serviços (Service). Um grupo desenvolve atividades culturais (CulturalActivity). Atividades, sejam econômicas ou culturais, consomem atividades econômicas, por exemplo: apresentações de dança consomem serviço de aluguel de som; produção de pães consome farinha de trigo; etc.
  • Pessoas consomem produtos e serviços.

Das idéias discutidas, ficaram:

  • uso de tags: Lucas mostrou o conceito de tags. Vicente mostrou preocupação de deixar tudo muito solto. Terceiro citou o debtags, que amarra mais semântica às tags. Pensamos que eventuais tags poderiam ser como no debtags: ter duas partes, verbo e sujeito. Por exemplo, as tags poderiam ser produz::pão, consome::farinha, etc.
  • avaliação do produtor pelos consumidores: discutimos que seria legal que os consumidores pudessem avaliar os produtores, como é feito como no Mercado Livre.
  • notícias do empreendimento: sobre as notícias relacionadas aos empreendimentos, discutimos como poderia ser o processo de publicação das notícias do empreendimento na "capa". A sugestão foi que ao invés de criar o papel do editor, que iria escolher as notícias que iriam para a capa, poderíamos usar um esquema de peer review como no site Digg!: os próprios usuários podem marcar (digg) as notícias novas numa seção para isso, e as mais marcadas vão parar na capa. A medida que vão envelhecendo, elas vão "caindo" para o rodapé até sumirem. Precisamos pensar na fórmula pra ordenar as notícias.

-- AntonioTerceiro - 22 Aug 2006

Avaliação do Evento Comunitário EcoSoLivre
de Integração e Articulação Popular que aconteceu
durante o 7º FISL


Opinião de... O que foi bom? O que poderia melhorar ?
VicenteAguiar Em primeiro lugar, essa construção coletiva via Internet que envolveu pessoas de 5 estados diferentes (Bahia, Minas, Paraná, Brasília e Rio Grande do Sul). Além disso, a oportunidade de trazermos essas 5 propostas de integração num evento Internacional como o FISL foi muito importante, num sentido de compartilhar conhecimentos e agregar novas contribuições para nossa(s) proposta(s) de articulação. Outra coisa importante que surgiu desse evento foi as propostas de cada membro levar essa discussão para os Fóruns regionais de cada Estado com a finalidade de criarmos uma plataforma-proposta sobre o acesso à tecnologias livres para Conferência Nacional de Economia Solidária. Por fim, achei bem legal o fato do evento ter sido transmitido pela TV Software Livre. Acredito que tenha faltado uma articulação concreta no final do evento. Apesar de ter acorrido algumas trocas de emails penso que essa articulação poderia ter acontecido de forma mais sistematizada e concreta.
JoseMonserrat O Vicente já falou do principal no que foi bom. Acrescento: pudemos conhecer melhor as propostas de integração um dos outros, já que, via e-mail e mesmo via Twiki, nem sempre é possível entendermos bem os detalhes, nuanças, dimensões de cada proposta de integração. Pudemos também conhecer as pessoas, pessoalmente, que trabalham e integram as diferentes possibilidades de integração. Lamento apenas não ter sido possível, ainda desta vez, conhecer o Mance e o Tygel. Além disso, foi boa a proposta final de criarmos um espaço de integração (discussão e debate inicialmente) por meio de uma lista de discussão. (já foi efetivada?) A articulação final do evento comunitário foi desarticulada. O "vai não vai" do Nilson atrapalhou um pouco, além da ausência dele próprio na discussão e definição do evento. Não soubemos controlar a dinâmica de apresentação das 5 formas de integração (elas ficaram muito longas), nem como fazer para criar os grupos de discussão. Faltou infraestrutura (micro, espaço pré-definido, cartazes, etc) para organizar os tais grupos de discussão. O próprio debate foi um pouco desarticulado, pois, como não conhecíamos bem as propostas um dos outros, não tínhamos uma base prévia, mais ou menos consensual, de modo a conduzir o debate para tentar afunilá-lo em direção a propostas mais concretas.
Opinião de ... O que foi bom? O que poderia melhorar ?
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Opinião de ... O que foi bom? O que poderia melhorar ?
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  • ALERT! OBS 1: Para contribuir com sua opinião no quadro de avaliação, basta apenas clicar no Edit (localizado no canto esquerdo da tabela), além de estar cadastrado no Twiki. Caso você não esteja cadastrado, basta fazer seu cadastro clicando AQUI. yes

  • ALERT! OBS 2: Caso alguém queira melhorar a tabela de avaliação, acrescentando, por exemplo, mais uma coluna, é só editar normalmente a página. Caso não tenha informação de como fazer isso é só dar uma olhadinha em Como Contribuir ou mais especificamente em Regras de formatação de texto . wink

Berimbau Livre: construção de uma solução livre para projetos de infocentros comunitários.

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Esta sistematização é uma monografia elaborada por TiagoVaz e apresentada no ano de 2005 numa banca para conclusão do curso de Bacharelado em Ciência da Computação da Universidade Federal da Bahia que teve a orientação da Prof.ª Cláudia Amado Gama. Este conteúdo é TOTALMENTE distribuído segundo os termos da Creative Commons License: Atribuição-UsoNãoComercial-PermanênciaDaLicença.




tiago 2006-01-03

Minha carta de demissão

Por Tiago Vaz

Salvador, 23 de setembro de 2005.

Oi todos,

penso a maioria de vocês já devem saber do meu desligamento do PID. Hoje é meu último dia de trabalho aqui e preciso dizer algumas coisas.

Comecei minhas atividades neste projeto em agosto de 2004, quando ainda era o momento de experimentação das tecnologias que seriam utilizadas nos Infocentros. Foi uma etapa desafiadora, pois ao optar pelo software livre como solução de software para o PID, estávamos tentando fazer algo novo, que demandaria bastante criatividade e habilidade técnica.

Inúmeras reuniões foram realizadas, soluções externas foram propostas, experimentadas, até concluirmos que a inovação deveria partir do PID, afinal devíamos fazer jus ao nome da Secretaria que nos abriga. O que posso dizer agora é que conseguimos implementar uma solução consistente, segura e sustentável. Percebemos que ao nos deparar com o montante de 100 entidades para implantar e manter seria necessário abdicar de algumas funcionalidades inicialmente propostas. Soubemos lidar com isso muito bem, e sabemos hoje que pouco a pouco nossa solução vem agregando novas características, de maneira responsável, sempre passando por um ambiente de testes, o que vem caracterizando o bom funcionamento dos sistemas.

Fiz questão de implantar um ambiente de desenvolvimento aberto no PID. Dessa maneira cooperamos com outros projetos e recebemos críticas e melhorias externas, fato que é o cerne do modelo de desenvolvimento de softwares livres. Nossos softwares estão licenciados sob GPL, uma licença com respaldo jurídico, que garante a liberdade de que os fontes estarão disponíveis para qualquer fim, e que ninguém, além do próprio detentor do copyright (SECTI) terá o direito de tornar proprietário o que foi realizado colaborativamente.

Nossa solução é referência no Brasil. Durante eventos e visitas de pessoas renomadas no assunto, recebemos muitos elogios, o que obviamente nos envaidece e nos traz mais estímulo pra continuar. Diversos projetos comunitários, geralmente voluntários de outros estados, estão interessados em utilizar algumas características da nossa solução. Usualmente são pessoas que tocam pequenos projeto de inclusão digital na sua cidade e não têm contam com recursos para desenvolver sistemas com a complexidade que desenvolvemos no PID. Essas pessoas também se beneficiam e isso pessoalmente me deixa muito satisfeito.

De fato ainda temos muito o que melhorar. O Berimbau Infocentros está na sua versão 1.1.0, com diversas necessidades de melhoria, que serão realizadas pela equipe de desenvolvimento com o passar do tempo, principalmente pelas novas necessidades que irão aparecer. Deixo uma documentação do trabalho que realizei aqui, para que os novos colaboradores possam dar plena continuidade ao trabalho desenvolvido até então.

Bom, todos que me conhecem um pouco sabem que tenho dificuldades em me calar diante do que não concordo, mesmo em momentos em que a conveniência do silêncio é mais adequada. E não pode ser diferente nesta última mensagem. Quero registrar algumas críticas e sugestões, que ao meu ver pode tornar o projeto melhor.

Trabalhar para o estado é um grande desafio, pois sabemos que os objetivos de algumas autarquias não são tão nobres quanto aqueles que idealizamos em serviço. Em alguns momentos o fator quantitativo sobrepõe o qualitativo, por motivos diversos. O que percebi em diversas situações foi a necessidade de se implantar um serviço sem as condições necessárias satisfeitas. Isso além de acarretar grande estresse interno, acaba por nos obrigar a realizar uma tarefa que não terá qualidade, e muito menos o alcance social que deveria ter. Resumindo, percebi que em alguns momentos os números eram mais importantes do que o verdadeiro alcance do projeto.

Posso estar equivocado pois não tive uma participação mais geral no PID, grande parte do tempo estive concentrado no desenvolvimento, mas tenho um sentimento que deve ser elucidado aqui. Sinto falta de um acompanhamento sério nos Infocentros instalados em organizações mais carentes. Um exemplo que cito é o Infocentro Steve Biko. Nas minhas visitas, eles pareceram ter uma postura muito séria no que defendem, e penso que mereciam mais atenção pelo PID. O Steve Biko foi o primeiro Infocentro instalado com a nossa solução, e desde então não foi atualizado. Tecnicamente sofre um abandono. Eles têm outras dificuldades, essencialmente financeiras, que poderiam ser sanadas se houvesse uma integração maior com movimentos da economia solidária e atividades de auto-sustentabilidade. Não seria papel do PID promover essa integração? Vejam que citei o Steve Biko como um exemplo, para que se possa refletir de forma genérica sobre o assunto, e não somente resolver o problema deles.

Temos outro sério problema ao meu ver, que pode ser consequência da minha primeira crítica: falta de planejamento. Obviamente eu falo pelo setor de desenvolvimento. Temos poucas reuniões, e em diversas vezes tivemos retrabalho por conta disso. Em diversos momentos tivemos que abdicar de centenas de linha de código pelo simples fato de não sabermos de fato o que queríamos. O retrabalho, num projeto de criação é tolerável, mas ao meu ver a quantidade de retrabalho que temos está um pouco grande, o que atrasa o processo de desenvolvimento e nos faz ter um gasto do escasso recurso público de maneira inadequada.

Sempre procurei me ater somente ao papel que me foi concedido no PID, por isso evitei diversas críticas, que serão feitas publicamente neste momento: considero intolerável a maneira que os operadores de helpdesk são tratados no projeto. Estamos num ambiente em que não vejo motivos para se promover competitividade, autoritarismo e desrespeito. Infelizmente tenho presenciado atitudes assim no PID. Os operadores que passaram pelo PID saíram muito insatisfeitos. Os que ainda estão, e que eu tenho contato, também sentem-se péssimos em ter que lidar com o modelo de trabalho adotado. Pessoas competentes deixaram o PID por conta disso. E asseguro que mais deixarão. O projeto vai continuar perdendo gente boa enquanto os operadores não tiverem o direito de olhar para o lado, ou enquanto forem obrigados a esperar no lado de fora do PID o minuto exato para poderem circular no seu ambiente. Pode-se argumentar em favor da disciplina e produtividade, o que ainda não me convence pelos atos extremos observados ao longo de mais de um ano de trabalho.

As críticas são as mais sinceras, sem envolvimento pessoal, porém algum tom de indignação em alguns trechos, que podem ser ignorados ou refletidos por quem conseguiu ler este email até aqui. Só peço que acreditem que não tenho motivo particular para ataques infundados.

Por fim faço aqui meus agradecimentos a todos vocês pela oportunidade de trabalharmos juntos neste projeto. Aos meus amigos, que me acompanharam nessa jornada, ao pessoal do PSL-BA, que esteve presente principalmente nos momentos técnicos decisivos para o PID. Aos que passaram por aqui e deixaram um trabalho de grande competência: Yupanqui, Lucas, Aurélio, Tavares, Tássia, Valéssio, Charles e Amadeu. Agradeço também aos projetos que foram grande influência para o nosso, em especial ao pessoal dos Telecentros de SP, Caio, Eduardo. Ao pessoal do Debian, LTSP, GNOME. A Otavio, que é meu mentor no Debian e o coordenador do Debian-BR-CDD, distribuição base para nossa solução.

Desculpem se esqueci alguém, mas é hora de almoço agora e a fome tá apertando smile

No mais, desejo muito sucesso para o PID e para todos vocês. É hora de terminar minha graduação (que terá meus trabalhos aqui desenvolvidos como objeto de monografia) e voltar a me dedicar à música, que é minha verdadeira paixão.

Meus contatos: (71) 8806-5119 ou tiago em debian-ba.org ou ICQ: 48681164

abraços,

– Tiago Bortoletto Vaz http://tiagovaz.org 0×6CC228A1 - http://pgp.mit.edu

“É preciso não ter medo, é preciso ter a coragem de dizer.”

Rondó da Liberdade, Carlos Marighella

O ambiente de desenvolvimento

O desenvolvimento da solução seguiu os moldes de desenvolvimento comuns em projetos de softwares livres. O primeiro passo foi considerar a DFSG como parâmetro para o que vem a ser considerado software livre pela equipe envolvida. O passo seguinte foi criação um ambiente que permitiu o desenvolvimento transparente e colaborativo de tudo que foi produzido no projeto, seguindo os princípios de Eric Raymond.



Softwares utilizados

A base deste ambiente pode ser resumida pela utilização dos seguintes softwares:

Subversion

Subversion é um software para controle de versão. Um software para controle de versão basicamente gerencia as modificações de uma série de arquivos frequentemente atualizados por diferentes pessoas, num mesmo momento ou não. Existem atualmente diversos softwares para controle de versão, muitos deles oferecem também características de SCM (Software Configuration Management). Contudo, a escolha pelo Subversion foi determinada a partir das seguintes funcionalidades:

  • Semelhança com o CVS
  • Versionamento de arquivos, diretórios e metadados
  • Commits verdadeiramente atômicos
  • Integração com serviços do Apache
  • Versionamento de links simbólicos
  • Utilização de um algoritmo de diffs binários

Utilizamos o Subversion aproveitando os recursos do Apache2 que já estava instalado no PID para outros propósitos. Através de um módulo, o servidor Web possibilita que os repositórios estejam disponíveis para os clientes via protocolo WebDAV/DeltaV. Com os clientes Subversion compilados para suportarem OpenSSL, podemos utilizar o HTTPS, ganhando assim mais uma camada de segurança via troca de certificados e sessões encriptadas.

O Subversion provê também um controle de autorização por diretórios específicos num repositório, o que nos ofereceu a possibilidade de permitir que usuários externos realizassem modificações em determinados diretórios/repositórios que não pudessem comprometer em algum momento o ambiente em produção. Esta é uma funcionalidade muito útil em projetos que partem de uma organização e são abertos à comunidade. O Programa Identidade Digital foi beneficiado por disponibilizar livremente na Web o conteúdo desenvolvido. Algumas pessoas ligadas a outros projetos encontraram e corrigiram falhas na documentação do projeto, além de darem sugestões preciosas durante o desenvolvimento.

TRAC - Integrated SCM and Project Management

O Trac é um SCM e gerenciador de projetos que agrega uma Wiki, um sistema de tickets e integra-se com um repositório Subversion. Dessa maneira ele provê uma interface que faz as ligações entre tickets, Wiki e modificações de código no repositório, oferecendo assim um ambiente bastante eficiente e amigável para o controle das atividades dentro de um projeto de desenvolvimento de software.

Request Tracker

O Request Tracker é um sistema de controle de tickets escrito em Perl, que oferece uma interface Web para o gerenciamente de tarefas a partir de usuários, grupos, prioridades, notificações e outros recursos que o tornou suficiente para lidar com as primeiras demandas técnicas do PID.

Metodologia de desenvolvimento

A primeira versão do Berimbau Infocentros e todos os outros softwares desenvolvidos pelo Programa Identidade Digital foram controlados pelo Subversion e pelo Trac. A criação da primeira versão de um software ou da própria solução global seguiu os passos:

  1. Criação de um novo milestone com prazo definido no Trac, indicando a versão que seria lançada;
  2. Abertura de todos os tickets [*] para este milestone;
  3. Codificação utilizando o Subversion, realizando um commit para cada ticket fechado;
  4. Ao fechar 100% dos tickets, anuncia-se o lançamento do software e o coloca em produção, fechando o milestone no Trac e relatando na Wiki as principais características oferecidas pela versão lançada;

Para uma atualização, o modelo é semelhante. A diferença é que se for uma atualização necessária para corrigir uma falha detectada nos Infocentros, a equipe de suporte primeiro abre um ticket no Request Tracker, atribuindo este ticket a uma fila e delegando-o ao desenvolvedor responsável. [**]

O desenvolvedor então verifica se é uma falha que só pode ser resolvida com uma atualização do sistema. Se for este o caso, é aberto um ticket para o milestone mais próximo de ser fechado no Trac. O ticketfica aberto no Request Trackeraté que o milestone referente à falha seja fechado e uma nova atualização seja disponibilizada.

A figura 4.1.1 mostra a interface do Request Tracker, exibindo algumas filas cadastradas no sistema. A figura 4.1.2 mostra um milestone fechado no Trac, onde são listadas as características de uma nova versão de software anunciado pelo PID.

Figura 4.1.1: Listagem de soliciações no Request Tracker
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Figua 4.1.2: Milestones fechadas com atualizações registradas no Trac
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Todos os softwares desenvolvidos pelo Programa Identidade Digitalsão antes testados num Infocentro de testes localizado na sede do projeto. Este Infocentro possui exatamente as mesmas especificações de hardware e da solução dos Infocentros localizados nas cidades baianas.


[*] Um ticket pode ser um bug (erro) ou apenas uma caracterítica que o software deve oferecer

[**] Uma fila no Request Tracker referencia um Infocentro. Por exemplo, uma falha detectada no Berimbau Infocentros do Infocentro Steve Biko era aberto na fila Infocentro Steve Biko e atribuído ao desenvolvedor de username tiagovaz

Ferramentas utilizadas

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Dividimos em duas categorias os softwares selecionados para compor a solução proposta. A primeira são os softwares básicos, onde consideramos os programas que se relacionam diretamente com a concepção do projeto e compõem uma base sólida para a segunda categoria, que são os softwares de interface.

O sistema operacional e o sistema que oferece os recursos para efetivação de uma estrutura de boot remoto consolidam a base da solução, enquanto o ambiente de desktop e os aplicativos mais utilizados por usuários nos Infocentros compõem o que consideramos os softwares de interface.



Softwares Básicos

Debian GNU/Linux

A distribuição GNU/Linux escolhida como base para a solução foi o Debian-BR-CDD. O Debian é uma distribuição 100% livre, desenvolvido por voluntários de diversos países, que mantêm um Contrato Social Debian no sentido de manter a distribuição livre para sempre, onde todos seus pacotes sejam compatíveis com a sua própria definição de software livre compatível com a GNU/GPL. Além de evitar problemas jurídicos com códigos proprietários ou patentes, o Debian apresenta uma forte política de desenvolvimento que determina a notória qualidade do sistema. O Debian-BR-CDD é uma Custom Debian Distribution atualmente baseada na versão estável do Debian (sarge) que traz uma coletânea de pacotes especialmente feita para os usuários brasileiros.

Além das qualidades conhecidas do Debian, a escolha do Debian-BR-CDD baseou-se também no fato do público alvo desta distribuição, que é bastante parecido com o público esperado nos Infocentros. O Debian-BR-CDD apresenta uma documentação no idioma português, é instalado por padrão também neste idioma e apresenta uma série de personalizações específicas para usuários leigos Esta distribuição conta também com uma comunidade brasileira que pode ser acessada por listas de discussão e canais IRC, onde sempre há pessoas dispostas a ajudar os iniciantes.

O Programa Identidade Digitalabriga hoje a maior rede de usuários de Debian-BR-CDD através dos Infocentros que, mesmo rodando uma personalização do sistema, pôde oferecer um retorno referente a eventuais problemas e sugestões dos milhares de usuários que acessam as unidades espalhadas pelo estado. Assim, o PID beneficia-se do desenvolvimento voluntário do Debian-BR-CDD, e o Debian-BR-CDD beneficia-se com os testes realizados pela equipe técnica do PID, e com o feedback dos usuários dos Infocentros.

LTSP - o servidor de terminais dos Infocentros

O Linux Terminal Server Project é uma solução que agrega um conjunto de serviços, de forma que máquinas clientes com poucos recursos de hardware possam ser utilizadas executando seus processos num servidor LTSP mais robusto via rede. O LTSP é distribuído sob GPL e utiliza basicamente os seguintes componentes:

  • DHCP

O DHCP (Dynamic Host Configuration Protocol) é um protocolo de configuração dinâmica de rede que permite a configuração de uma série de parâmetros da camada 3 do modelo OSI de uma estação.

  • TFTP

O TFTP (Trivial File Transfer Protocol), definido na RFC1350, é uma especificação simplificada do ftp que usa UDP para transferência de arquivos e não utiliza auntenticação. O tftp é usado em situações em que a velocidade da taxa de transmissão seja mais prioritária do que a confiabilidade na entrega dos pacotes.

  • NFS

O NFS (Network File System) é um sistema de arquivos desenvolvido pela SUN que permite o compartilhamento de arquivos em estações numa rede como se fossem locais. O NFS compartilha toda a árvore de diretórios especificada nas configurações do servidor.

  • XDMCP

O X window System (X11) é um sistema de janelas para sistemas UNIX e similares que provê uma interface cliente-servidor entre o display do hardware (mouse, teclado e vídeo) e o ambiente desktop. Foi desenvolvido pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology) em 1987 e é definido pela na RFC 1198. O protocolo X-Window (RFC: 1013) provê uma interface remota da janelas para aplicações distribuídas na rede. É um protocolo da camada de aplicação que usa o protocolo TCP/IP ou DECnet para transporte. O protocolo X é baseado em cliente-servidor, onde o servidor é o programa de controle executado na estação do usuário e o cliente é uma aplicação executada em qualquer lugar da rede. Um servidor X sendo executado em uma estação pode simultaneamente gerenciar o display para diversas aplicações, com cada aplicação atualizando suas janelas assincronamente a partir de informações transportadas pelo protocolo de rede X Window. O X Display Manager Control Protocol (XDMCP) gerencia o controle de conexões em sessões cliente-servidor que utilizam o X11.

A integração dessas tecnologias permitem que máquinas clientes sejam utilizadas sem a necessidade de um disco rígido e nem mais que 8MB de memória física. O processo de boot é realizado através da rede, até que um kernel linux seja carregado em memória, deixando que todo processamento seja realizado num servidor LTSP, este que pode ser único ou distribuído. Além de possibilitar a reutilização de máquinas consideradas obsoletas, o LTSP oferece o grande benefício de uma gerência centralizada, onde para dezenas de clientes é necessário apenas a manutenção de software num único servidor. No nosso caso reduzimos esta manutenção de aproximadamente 1100 para 100 máquinas, além da redução no custo de hardware dos terminais, que não necessitam ser equipados com discos rígidos, não demandam grandes quantidades de memória física e não oferecem restrições em relação ao poder de processamento das máquinas.

Softwares de Interface

GNOME

O ambiente de desktop adotado foi o GNOME 2.8. é o ambiente de desktop oficial do projeto GNU, é livre, distribuído sob a licença GNU GPL e apresenta características bastante interessantes para os Infocentros:

  • Usabilidade

O ambiente GNOME tem todas as ferramentas básicas que usuário comum pode precisar como ferramentas de escritório (editor de textos, planilhas eletrônicas e apresentação de slides), navegador Web, cliente de e-mail, ferramentas de edição de imagens, "players" de vídeo e música digitais, ferramentas de comunicação como messengers (ICQ, MSN, AOM, Jabber, etc.), clientes de IRC, clientes de videoconferência, entre outras. Além disso, o projeto GNOME tem como um de seus princípios fundamentais a usabilidade. Usabilidade é a medida de facilidade de utilização de um software. Todos os aplicativos básicos do ambiente GNOME adotam os princípios da "Human Interface GuidelinesciteHIG, um documento inovador criado por especialistas em usabilidade que participam do desenvolvimento do GNOME. Os testes de usabilidade mostram que o GNOME é um ambiente que se adequa muito bem aos usuários leigos. A UserInstinct Magazine, que trata de publicações centradas nas necessidades de usuários finais publicou em 18 de julho de 2004 o "GNOME 2.6 Usability Study and ReviewciteUserInstPost, oferecendo um passo a passo das tarefas realizadas por usuários leigos no sistema, e concluindo mais uma vez o avanço em usabilidade do GNOME.

  • Acessibilidade

Quando se fala em inclusão digital e telecentros, não se pode esquecer de garantir que pessoas com necessidades especiais possam utilizar normalmente os softwares utilizados nestes centros públicos de acesso. O GNOME tem um projeto, chamado GNOME Accessibility Project, voltado exclusivamente para o desenvolvimento de técnicas e ferramentas que garantam que todas as ferramentas do ambiente sejam acessíveis por pessoas com necessidades especiais.

o GNOME trás uma série de ferramentas de acessibilidade. Uma delas é o GOK, um teclado que aparece na tela e permite que os usuários escrevam em qualquer aplicação sem a necessidade de um teclado físico.

A ferramenta Gnopernicus fornece um aumento na tela, uma característica que pode ajudar as pessoas que possuem problemas de visão ou que precisam de capacidades de zoom. Ele atua também como uma ponte para outros dispositivos de acessibilidade, como por exemplo, um leitor de Braille, para permitir a quem possui cegueira possa ter acesso facilitado ao desktop.

  • Internacionalização e localização

O ambiente GNOME é desenvolvido por uma comunidade formada por contribuidores do mundo inteiro. Desta forma, GNOME é usado, desenvolvido e documentado em dezenas de idiomas. O ambiente está muito bem traduzido para o idioma português brasileiro por uma equipe voluntária organizada no Brasil.

Aplicativos mais comuns

Não foi difícil encontrar bons softwareslivres para satisfazer a necessidade de se oferecer os aplicativos necessários para atividades mais populares, como navegação Web, edição de textos, planilhas, imagens, etc. Os benefícios dos softwares selecionados foram além do que o esperado pelo PID, cumprindo de maneira exemplar com os requisitos técnicos de usabilidade e segurança. Lista-se abaixo as categorias e seus respectivos softwares mais utilizados nos Infocentros:

  • Suite de escritório

O software selecionado para compor o grupo de aplicativos para edição de textos, planilhas e apresentações foi o OpenOffice.org. O Openoffice.org nasceu a partir da abertura de parte do código fonte do StarOffice, em julho de 2000. É uma suite de softwares de alta produtividade, de distribuição livre e conta com um processador de textos, um software para folha de cálculos, um programa para desenho vetorial, um gerenciador de banco de dados, um programa para apresentação de slides, um editor de fórmulas matemáticas e um editor de páginas HTML.

Utilizamos a versão 1.1 do OpenOffice.org. nos Infocentros. Algumas de suas funcionalidades, como o suporte a internacionalização - já com localização para ptBR, suporte a exportação para arquivos nos formatos PDF, SWF, DocBook, XHTML e alguns formatos proprietários, e corretor ortográfico para o idioma português do Brasil, fazem do OpenOffice.org. o software mais adequado para o seu propósito nos Infocentros.

  • Editor de imagens

O GNU Image Manipulation Program GIMP foi selecionado para ser o programa de manipulação de imagens nos Infocentros. O GNU Image Manipulation Program GIMP é um manipulador de imagens bitmaps (definidas em mapas de pixels) que suporta recursos de edição vetorial. O GIMP é utilizado para autoria gráfica, retoques fotográficos e composição de imagens e disponibiliza uma rica coleção de ferramentas, recursos avançados para o trabalho com artes gráficas e ações rápidas para uso cotidiano.

O GIMP não é só o mais popular editor para imagens bitmap do "mundo GNU/Linux", mas um dos melhores editores de imagens do mercado. Suporta o trabalho pesado de artistas gráficos que precisam fazer trabalhos em alta resolução em superfícies com área medida em metros quadrados e também o trabalho detalhista de webdesigners e outros artistas digitais.

O estudo e desenvolvimento de scripts para o GIMP é um grande estímulo para o desenvolvimento intelectual, estimulando a lógica matemática dos usuários nos Infocentros e preparando alguns para profissões que poderiam estar fora de suas espectativas.

Para manipulação de imagens vetoriais utilizamos o Inkscape. O Inkscape Inkscape 2005 é um editor de imagens vetoriais do tipo SVG, similar ao softwarebastante popular Corel Draw. O Inkscape suporta a maioria das características da especificação SVG e provê funcionalidades para facilitar o trabalho nesse tipo de imagem. Inkscape pode ser usado para o trabalho com a Web, já que o SVG tende a se tornar o tipo vetorial padrão da Websuportando até mesmo animaçãoes com scripts e também porque o esse aplicativo pode exportar uma representação bitmap da imagem vetorial que pode ser usada da forma natural em páginas Web.

O Inkscape segue o paradigma de janela única, onde o documento tem a coleção de ferramentas acopladas, o que se adequa melhor a resoluções de tela até 800x600. Neste quesisto torna-se mais interessante por exemplo que o Sodipodi, considerando que os terminais nos Infocentros rodam em resolução de vídeo padrão 800x600 para reduzir processamento e tráfego de rede ao utilizar o LTSP.

  • Navegador Web

O Mozilla Firefox é um navegador Web livre, desenvolvido pela Mozilla Foundation com a ajuda de centenas de colaboradores. Este software já atingiu a marca de 100 milhões de downloads, e é referenciado como o melhor navegador Web da atualidade por diversas fontes especializadas.

O Firefox é um software leve em relação aos seus semelhantes, pois possui a filosofia de somente incluir funções que sejam utilizadas pela maioria dos usuários. Funções extras podem ser instaladas a partir de extensões e plugins. Esta foi uma característica de enorme importância para sua escolha no projeto.

Algumas das características que fazem o Firefox uma excelente escolha para o projeto de Infocentros são:

Usabilidade - os desenvolvedores se esforçam para que o Firefox possua uma interface simples, sem "sujeira". A maioria das funcionalidades são ocultas por padrão, o que facilita o acesso para os usuários dos Infocentros, que muitas vezes estão tendo seu primeiro contato com o computador.

Segurança - a menor quantidade de linhas de códigos e a menor quantidade de funcionalidades nativamente oferecidas pelo Firefox o torna menos vulnerável a códigos maliciosos.

Personalização - o Firefox agrega extensões, plugins, temas, skins, que permitem ao usuário deixar o software com a "cara" que lhe for mais conveniente.

Suporte aos padrões Web - O Firefox é implementado seguindo os padrões definidos pela W3C e possui um maior grau de evolução em relação aos outros navegadores mais populares, como por exemplo o suporte a transparência variável em imagens PNG, que vem sendo muito utilizada por apresentar algumas vantagens em relação ao formato GIF.

As características citadas acima proporcionam benefícios de usabilidade e segurança, dois requisitos básicos para os Infocentros. Outro fator decisivo para sua escolha foi o pouco consumo de recursos computacionais, devido a (1) sua filosofia de se manter o mais simples possível e (2) por ser linkado dinamicamente a bibliotecas que já estão carregadas em memória por processos de outros usuários, característica de grande importância para servidores de terminais remotos, como é o caso do LTSP.

Diversos outros softwares livres foram objetos de pesquisa para seleção nos Infocentros. Nesta etapa do projeto constatou-se mais do que a viabilidade de se construir um ambiente de desktop totalmente com software livre, mas as vantagens que eles oferecem em relação aos softwares proprietários mais disseminados.

Implementação

Considera-se como solução a integração, personalização e implementação de alguns softwares que compõem uma estrutura capaz de cumprir com os desafios já descritos no capítulo 2.

Este capítulo divide-se em duas seções. A primeira refere-se à montagem do ambiente e metodologia de desenvolvimento, fatores fundamentais para o sucesso do trabalho. A segunda refere-se diretamente à solução final, detalhando as personalizações, integrações e codificações que foram realizadas.


Implementação do Berimbau Infocentros

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O Programa Identidade Digital adotou o nome "Berimbau" como identidade para os softwares desenvolvidos nas áreas de tecnologia. Assim, a solução desenvolvida para os Infocentros foi chamada de Berimbau Infocentros. Existem outras iniciativas de desenvolvimento no PID, como o Berimbau Desktop e o Acessa Berimbau. O primeiro é uma solução que ainda está sendo implementada, para que os usuários dos Infocentros possam levar para casa um LiveCD com um sistema que possui um ambiente desktop idêntico ao do Berimbau Infocentros, e o segundo é um sistema Web que integra-se com o Berimbau Infocentros e cuida dos dados e gestão das unidades, usuários, cursos, estatísticas, etc.

O Berimbau Infocentros seguiu um modelo de versionamento em que é possível detectar o estado global da solução, e que define os tipos de atualizações efetivadas. A primeira versão colocada em produção foi a 1.0.1. O primeiro dígito da versão deve permanecer enquanto o Berimbau Infocentros não for drasticamente modificado. Este dígito deve ser alterado somente quando os softwares básicos da solução sofrerem grandes alterações, por exemplo, se outra distribuição GNU/Linux passar a ser utilizada como base do sistema. O segundo dígito refere-se a uma atualização em que será necessário uma reinstalação local, ou seja, deve-se estar presente num infocentro para realizar a atualização do sistema. O terceiro dígito é modificado a cada atualização remota e automatizada, que será vista com detalhes ainda neste capítulo.



Instalação e configurações iniciais da distribuição

O Debian-BR-CDD possui um propósito semelhante ao que é necessário no Berimbau Infocentros. Ambos são concebidos para usuários com pouca habilidade técnica, fornecem uma interface amigável, além de possuírem muitos softwares em comum. Outro fator importante é que o autor deste trabalho é também desenvolvedor do Debian-BR-CDD.

Como visto no capítulo anterior, a base do berimbau Infocentros é a versão 1.0pre5 do Debian-BR-CDD. Uma documentação sobre a instalação do Debian-BR-CDD pode ser encontrada em Doc do Debian-BR-CDD 2005. A solução não demandou a criação de um instalador genérico, visto que o hardware é homogêneo. Portanto foi criado um CD de instalação específico para o hardware homologado, que será visto a seguir.

Foram fechados 49 ticketspara primeira versão oficial do Berimbau Infocentros que englobaram uma série de configurações, personalizações e codificações no sistema base. A Figura 8 exibe a interface de tickets do Trac, onde são listadas algumas das atividades realizadas para o release desta versão do sistema.

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Preparação do kernel

O servidor LTSP é responsável pelo processamento e reserva de memória física para cada processo requisitado pelos terminais. Foi preciso então otimizar ao máximo a configuração do kernel linux do servidor, de forma que suportasse somente o hardware necessário, sem desperdiçar recursos com suporte a dispositivos inexistentes. O kernel deve suportar também os dispositivos adicionais que estão presentes nos Infocentros, como uma impressora USB e gerenciamento de energia a partir de um nobreak, utilizando recursos do ACPI.

Foram realizados testes de performance com as versões do kernel linux 2.6.8 e com a versão 2.4.28. Depois da otimização das configurações de ambas as versões, a 2.4.28 mostrou-se compatível com todas os dispositivos necessários e uma leve vantagem na performance de execução dos programas. Não houve um teste de fato confiável nesse sentido, e a vantagem na performance estaria dentro de uma faixa de erro experimental. Porém, antes de se realizar testes exaustivos, foi decidido pela utilização do kernel 2.4.28, devido a um patch disponível para a alteração do seu sistema de escalonamento, que se mostrou de fato um grande benefício na utilização do LTSP.

O patch utilizado foi o fairsched, que significa "escalonamento justo". A situação em que diversos terminais processam seus programas num único servidor pode causar transtornos frequentes para seus usuários. Um exemplo clássico é quando um dos terminais está ocupando grande parte do poder de processamento do servidor, num momento em que outros terminais necessitam realizar tarefas simples. Estes últimos sofrem um atraso consequente da política de escalonamento do kernel.

O patch fairsched implementa um escalonamento justo hierárquico de CPU para o Linux. Resumidamente este escalonamento aloca tempo de CPU para os processos a partir de "pesos" pré-determinados, onde somente uma parcela da unidade de processamento é reservada para cada usuário. Os testes executados com o fairsched foram bastante satisfatórios, essencialmente o teste simples em que um usuário executa um loop infinito de criação de processos através da syscall fork() enquanto outros utilizam terminais do mesmo servidor LTSP. Nos testes com o kernel sem o patch, o sistema travava imediatamente, interrompendo as atividades de todos os usuários nos terminais. Com o fairsched, somente o ambiente do usuário que executou o loop travava, mostrando que de fato apenas uma parcela da CPU estava reservada para este usuário, uma característica bastante adequada para o cenário dos Infocentros.

O kernel foi compilado utilizando o sistema para administração de kernel do Debian, que facilitou bastante a administração posteriores atualizações.

Espelhamento de discos

O hardware do computador homologado para trabalhar como servidor LTSP no projeto possui dois discos rígidos, cada um com 80GB. O propósito da utilização de dois discos foi a implementação de uma rotina de backup, onde tivemos o Berimbau Infocentros inicialmente instalado nos dois discos cumprindo de forma satisfatória o requisito de redundância de dados a baixo custo.

O disco 1 (hda) é utilizado por padrão nos Infocentros. Diariamente o monitor do Infocentro realiza uma rotina de espelhamento dos dados do disco 1 para o disco 2 (hdb). No caso de uma falha no disco 1, basta modificar o SETUP da BIOS da máquina para que o sistema do disco 2 inicialize. Este é um procedimento de caráter provisório, e deve funcionar enquanto a equipe técnica do PID é acionada para tomar as providências necessárias em relação ao disco 1 com o sistema de arquivos danificado.

Foi desenvolvido um programa em bash, utilizando recursos do rsync e do zenity afim de oferecer uma interface simples para o monitor do Infocentro realizar as tarefas diárias de espelhamento. Os programas desenvolvidos especialmente para administrar o Berimbau Infocentros foram inseridos na entrada de menu do GNOME, obedecendo a mesma hierarquia utilizada pelos outros softwares de gerenciamento do sistema. As figuras 4.2.3, 4.2.3, 4.2.3 e 4.2.3 ilustram o passo a passo para a tarefa de espelhamento dos discos no sistema.

Figura 9: Menu para atividade diária de espelhamento de discos
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Figura 10: Tela inicial do procedimento de de espelhamento
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Figura 11: Confirmação para início do espelhamento
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Figura 12: Efetivação do espelhamento
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Um espelhamento diário dos discos leva em média 10 minutos para ser concluído e sugere-se que seja realizado minutos antes de se fechar o Infocentro. Este curto tempo de espelhamento deve-se à caracaterística do rsync realizar somente a transferência dos arquivos que foram alterados desde o último espelhamento.

Alguns cuidados foram tomados para a implementação deste procedimento, como por exemplo as entradas no /etc/fstab e /boot/grub/menu.lts, que são específicas para cada disco. O programa também só realiza o backup se nenhum usuário estiver logado em qualquer terminal LTSP, evitando que o procedimento seja realizado enquanto alterações são efetivadas em arquivos no sistema.

Criação e instalação de outros pacotes específicos

Um dos maiores benefícios da utilização do Debian para o Berimbau Infocentros foi seu sistema de gerenciamento de pacotes, o APT. Com ele foi possível desenvolver pacotes de personalização do sistema com consistência e principalmente com um processo de atualização remota bastante eficaz.

Diversos pacotes Debian foram criados para esta solução, no entanto foram criados somente quando estritamente necessário. O projeto foi concebido para se utilizar o máximo possível de programas disponíveis, considerando o simples fato de que quanto mais "jovem" é um código, maior é a possibilidade de se encontrar falhas. Tentamos então ao máximo utilizar os pacotes oferecidos diretamente pelos repositórios oficiais do Debian , desenvolvendo somente aquilo que de fato deve ser específico para o Berimbau Infocentros.

Gerência e monitoramento remoto

Num grande parque de computadores há maior probabilidade de problemas acontecerem paralelamente, prejudicando os serviços que devem ser oferecidos. Falhas podem surgir na disponibilização de link pelo provedor do Infocentro ou em algum componente físico local. Problemas de software podem ocorrer, porém, muitos deles podem ser detectados e tratados remotamente, e até mesmo automaticamente.

Diante do cenário em que se tem aproximadamente uma centena de Infocentros espalhados pelo estado sob a responsabilidade de uma entidade, é prudente que haja um sistema que atue diante de uma falha nos sentidos de (1) detectar a falha, (2) isolar a falha e (3) eliminar a falha de forma automatizada, se possível. O Nagios é o software que realiza esse trabalho. Além de notificar os administradores em caso de falhas, ele fornece uma interface Webcom uma visão macro dos Infocentros, possibilitando a geração de relatórios, estatísticas, visualização de mapas em 2D, 3D, entre outros recursos interessantes para o projeto.

O Nagios possui um componente extra, o Nagios Remote Plugin Executor. O NRPE permite que um serviço remoto do Nagios colete informações internas de um sistema, como por exemplo a quantidade de disco rígido utilizado em cada partição do sistema. Ele possui uma arquitetura cliente-servidor. O cliente é executado pelo processo do Nagios, enquanto o servidor NRPE espera por conexões, e ao receber uma requisição, executa localmente um plugin do Nagios e retorna a informação de estado para o cliente, que armazena a informação na base de dados do Nagios, onde será realizada uma ação de acordo com o estado recebido.

No nosso caso foi preciso desenvolver alguns plugins específicos para o Nagios, assim criamos um pacote para o NRPE para os Infocentros em conjunto com os plugins nativos do Nagios e outros desenvolvidos no projeto. A criação do pacote possibilitou também a configuração específica para o servidor NRPE, onde somente o servidor com o endereço IP determinado pelo PID tem permissão para requisitar informações dos Infocentros.

A figura 13 exibe sua tela de serviços monitorados em cada Infocentro, enquanto a figura 14 mostra o gráfico que informa a situação referente à quantidade de processos zumbis em um Infocentro ao longo do tempo.

Figura 13: Nagios - estado dos serviços nos Infocentros
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Figura 14: Nagios - gráfico do estado de um Infocentro ao longo do tempo
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Além do Nagios, utilizamos um software para monitoramento remoto de recursos, com a intenção de termos uma outra visão da utilização dos recursos dos Infocentros. Este software é o Cacti. O Cacti gera gráficos na linha do tempo em relação à utilização de recursos remotos. Instalamos no Berimbau Infocentros um servidor SNMP com as configurações necessárias para que o Cacti, instalado num dos servidores do PID, pudesse realizar requisições e gerar os gráficos necessários.

O Cacti coleta informações referente ao tráfego de bits entrando e saindo em cada interface de rede do servidor LTSP nos Infocentros. Todo servidor LTSP nos Infocentros possui as interfaces eth0 e eth1. A primeira é uma interface gigabit que conecta-se aos 10 terminais LTSP, a segunda é a interface que conecta-se à Internet através de um link fornecido pelo provedor do Infocentro.

As informações exibidas pelo Cacti foram de grande utilidade para o projeto, essencialmente pelo fato de podermos ter uma visão pro-ativa referente à utilização dos recursos de rede em cada Infocentro. Pela análise dos gráficos gerados na interface eth0 podemos detectar visualmente se a demanda de link está compatível com a disponibilidade. Com isso o PID consegue sugerir ao Infocentro que se realize um upgrade do link em caso da demanda estar crescendo ao ponto de alcançar a disponibilidade de link oferecida.

Em caso da observação de pouca utilização, o PID pode entrar em contato com o Infocentro e para verificar se há algum problema referente ao fornecimento do link, ou mesmo detectar se o Infocentro está sendo utilizado em dias ou horários inadequados. Um exemplo pode ser a utilização de Infocentros durante o período noturno, em regiões com alto índice de violência.

A análise da interface eth1 pode detectar se a infraestrutura de rede do Infocentro está em condições adequadas. A conectividade entre o servidor e as estações devem estar em perfeitas condições para o bom funcionamento dos serviços oferecidos pelo LTSP. Caso algum servidor LTSP esteja gerando um tráfego abaixo da média na interface eth1, a equipe do PID deve entrar em contato, pois isso pode indicar por exemplo que alguns terminais não estão funcionando, ou que a infraestrutura de rede local não está fornecendo a infraestrutura de rede necessária para o bom funcionamento do LTSP.

A figura 4.2.5 indica os tráfegos de entrada e saída na interface eth0 e eth1 de um Infocentro implantado na cidade de Vitória da Conquista.

Figura 15: Cacti
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Gerenciamento de usuários locais

Para cumprir com o requisito de se disponibilizar um espaço no disco rígido para cada usuário nos Infocentros foi preciso criar um mecanismo que possibilitasse o gerenciamento de usuários no sistema. Isso significa cadastro, modificação e remoção de usuários no Berimbau Infocentros. Lembrando que estes não são os usuários cadastrados na base de dados central, são somente usuários Unix, que possuem um login e uma senha no sistema para poderem usufruir do seu espaço individual no disco rígido.

Há diversas ferramentas disponíveis para manipular contas de usuários no GNU/Linux, no entanto foi preciso utilizar uma que oferece uma interface simples e possibilidade de personalização. A primeira tentativa foi a utilização do manipulador de usuários nativo do GNOME. Este software não atendeu às necessidades, pelo fato de listar obrigatoriamente todos os usuários do sistema, que em alguns casos passavam dos milhares, tornando o processo exaustivo e consequentemente, muito lento.

A opção utilizada foi o Webmin. Além de oferecer uma interface Web para manipulação de contas, o Webmin foi personalizado seguindo a estética gráfica da solução, além de ter sofrido uma série de configurações de grande importância para a segurança do sistema, como por exemplo a possibilidade do usuário monitor [*] ter o poder de manipular as contas com restrições básicas. O benefício imediato foi a não disponibilização de permissões de super usuário do sistema para os monitores, que não podem, por exemplo, manipular usuários e grupos nativos do sistema. Outro benefício que o Webmin proporcionou foi a possibilidade de extensão através de módulos que podem oferecer algumas informações adicionais aos monitores, como utilização de recursos locais (disco, memória, etc).

A figura 16 mostra a tela do Webmin personalizado para o projeto. Um menu foi criado para este sistema de gerenciamento de usuários, oferendo uma interface intuitiva para os monitores, que muitas vezes ainda não possuem habilidade com a solução.

Figura 16: Webmin personalizado para gerenciamento de usuários no Berimbau Infocentros
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[*] monitor é o usuário do sistema que pertence ao monitor do Infocentro, ele possui algumas permissões adicionais por padrão.

CD de replicação rápida

Após a preparação da primeira versão do Berimbau Infocentros foi preciso realizar a instalação nos 100 servidores, que posteriormente seriam transferidos para as unidades espalhadas no estado. O propósito era que o sistema pudesse ser instalado e testado num único dia, por pessoas sem habilidade técnica para realizar as tarefas básicas de uma instalação GNU/Linux. Assim deu-se a necessidade da criação de um método que possibilitasse a instalação do sistema rapidamente nos servidores, sem qualquer necessidade de interação humana referente às configurações de software.

Foi criado então um CD de replicação, utilizando basicamente o isolinux e uma versão modificada do partimage estaticamente linkada. A versão utilizada do partimage sofreu uma pequena alteração no código, para permitir que o processo fosse 100% não interativo, pois mesmo fornecendo a opção de não interatividade era preciso realizar uma confirmação para cada partição replicada. Veremos que cada servidor necessita de 4 partições, o que proporcionaria aproximadamente 400 interações desnecessárias.

O CD de replicação utiliza os componentes básicos de uma distribuição GNU/Linux. Um kernel realiza o boot, carrega uma imagem initrd e chama o processo init. O init executa então um script que se responsabiliza por criar as tabelas de partições no disco e chamar o partimage, que realiza a cópia das imagens das partições. Algumas configurações específicas pra cada disco são realizadas (grub e fstab) e o processo é finalizado com a gravação do MBR de cada disco rígido utilizando o LILO.

Este processo dura aproximadamente 5 minutos por máquina, possibilitando a instalação do sistema em 100 servidores em curto espaço de tempo. Além desse benefício alcançado, o CD de replicação pode ser utilizado para reinstalar um servidor posteriormente por alguém que não possua habilidades técnicas. Ele é também de fácil atualização, podendo abrigar imagens de versões mais atuais somente pela substituição do arquivo de imagem antigo.

Sistema de atualização

Não pudemos deixar de lado a premissa ideal de manter todos os Infocentros idênticos. Como visto anteriormente, essa característica evita o tratamente de exceções e consequentemente demanda menor trabalho de manutenção: resolver um problema de software em um Infocentro deve significar resolver este problema em todos os Infocentros. As atualizações devem então ser realizadas remotamente e sem intervenção manual em cada Infocentro implantado. Remotamente quer dizer que não é necessário a presença física de um técnico para realizá-la. A não intervenção manual quer dizer que não é necessário logar remotamente em cada Infocentro para efetivar a atualização. Ou seja, o processo deve ser totalmente automatizado, dependendo apenas se o PID disponibiliza ou não uma atualização. Diante desses princípios, os Infocentros devem possuir uma tarefa agendada que verifique diariamente se há alguma atualização disponível. Se houver, devem efetivá-la.

Esta tarefa foi implementada utilizando os recursos do cron e do APT. O código abaixo ilustra uma entrada no arquivo de agendamento do usuário root do Berimbau Infocentros, onde verifica-se diariamente, às 10 horas e 30 minutos se há uma atualização disponível no repositório Debian localizado na sede do Programa Identidade Digital. O apt-get encarrega-se de checar se a versão do pacote de atualização denominadoberimbau-update disponível no servidor é mais atual que a versão instalada no Infocentro. Se for, é realizado o download e a instalação não-interativa do pacote mais novo.

30 10 * * *    apt-get update && apt-get install -y berimbau-update

A criação de um pacote de atualização pode ser consequência da necessidade de resolver uma falha presente nos Infocentros, pode também se dar pela demanda de instalação ou atualização de algum software específico nos Infocentros, ou pode apenas conter um novo papel de parede na área de trabalho, como por exemplo acontece em ocasiões especiais, como as comemorações Juninas, Natal, Ano novo, etc.

O pacote de atualização chama-se berimbau-update e é na verdade um meta-pacote Debian, que contém como dependência uma série de pacotes que devem ser pacotes desenvolvidos pelo PID, com propósitos de correções de falhas, instalação de pacotes oficiais do Debian ou personalizações do sistema. Abaixo são listadas as características do pacote berimbau-update:

Define a versão global da solução

O versionamento do berimbau-update define a versão do sistema. Além de possuir a versão diretamente no seu nome (ex. berimbau-update-1.0.4) ele escreve a sua versão nos arquivos /etc/issue e /etc/issue.net, que devem conter o nome e versão da distribuição em sistemas GNU/Linux.

Possui dependências acumulativas

É sabido que as unidades de Infocentros são implantadas sequencialmente. Assim, pode ocorrer a situação em que um Infocentro esteja em funcionamento durante meses enquanto outro acaba de ser implantado. É possível então que o Infocentro mais antigo X esteja rodando o Berimbau Infocentros 1.0.5, enquanto o que acabou de ser implantando, Y, possui a versão inicial 1.0.1. Percebe-se nessa situação que a versão mais atual do pacote berimbau-infocentros disponível no servidor do PID é a 1.0.5 e que o Infocentro Y realizará a verificação automática e efetivará a atualização. O berimbau-update 1.0.5 deve então prover as atualizações 1.0.2, 1.0.3 e 1.0.4 por dois motivos básicos. O primeiro é óbvio, considerando que todos os Infocentros devem possuir a mesma versão e a mais atual disponível. A segunda é que uma atualização pode manipular algo que só esteja disponível na sua exata versão anterior. Assim, os procedimentos realizados na versão 1.0.5 só devem ser realizados após a instalação completa e sequencial de todas as anteriores.

Mantém um histórico de todas as versões - changelog

A fim de reduzir o custo de suporte e manutenção pela equipe do PID, foi preciso registrar todo o histórico de atualizações. Uma ocorrência bastante comum é a abertura de um chamado para a equipe de suporte referente a um determinado problema. Com o registro das correções para cada versão do sistema é possível saber se o problema em questão ainda persiste pelo fato do Infocentro não possuir a atualização que o corrige, mas que já está disponível. Num caso como este basta pedir para que o monitor do Infocentro aguarde até o próximo dia, quando uma verificação automática de atualização será realizada.

Existem três níveis de registros de modificações para o pacote berimbau-updade: um está escrito no idioma português, numa linguagem mais acessível dentro do ambiente Trac. Cada milestone fechado neste ambiente deve possuir as informações mais relevantes de modificação. A Figura 4.2.8 mostra as descrições contidas para o milestone Berimbau Infocentros 1.0.5. Nota-se também nesta figura o tratamento que o Trac dá aos tickets que já foram fechados. Os tickets podem ser fechados diretamente pelo sistema de tickets do Tracou através de uma mensagem de commit do Subversion, utilizando a sintaxe closes: <ticket-number>.

Figura 17: Trac - modificações no milestone 1.0.5 (versão 1.0.5 do sistema)
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O outro nível de registros está no próprio changelog do pacote, onde são descritos no idioma inglês os detalhes do pacote, oferecendo aos desenvolvedores e colaboradores as informações necessárias para o acompanhamento do projeto. O código abaixo ilustra os registros no arquivo changelog do pacote berimbau-update, referente às atualizações 1.0.4 e 1.0.5:

berimbau-update (1.0.5) unstable; urgency=low

   * Depends on sagui package that:
      
      - fix cups problem with inactive printer
      - update Berimbau to 1.0.5

 -- Tiago Bortoletto Vaz <tiago@debian-ba.org>  Mon, 05 Jul 2005 08:05:00 -0300

berimbau-update (1.0.4) unstable; urgency=low

   * Depends on avestruz package that:
      
      - install xine-ui and mozilla-plugin-vlc packages
      - install /usr/local/bin/video.sh to call xine 
      - install a new system menu item for show videos
      - update Berimbau to 1.0.4

 -- Tiago Bortoletto Vaz <tiago@debian-ba.org>  Mon, 09 Jun 2005 09:06:09 -0300

O terceiro e mais detalhado nível refere-se diretamente aos changesets registrados pelos commits efetuados no repositório Subversion. Como visto anteriormente, o Trac provê uma interface clara de verificação desses changesets, o que mostra com detalhes toda a evolução do projeto, listando as revisões de cada arquivos, modifificações, mensagens de commits, etc. Este nível de detalhes pode auxiliar um processo de depuração em caso de falhas na codificação do pacote. A Figura 4.2.8 ilustra como o Trac exibe essas informações.

Figura 18: Trac - exibição de modificações entre diferentes revisões
img21.png

A utilização desse esquema de atualização forneceu as funcionalidades necessárias para que os Infocentros pudessem sofrer atualizações sem necessidade da presença física de técnicos, num processo automatizado e consistente. Os registros de modificações de versões da solução podem ser consultadas a qualquer momento, seja para a equipe de suporte conhecer suas características, ou para um desenvolvedor realizar uma depuração.

Alguns problemas neste processo foram também detectados. O mais comum foi a eventual sobrecarga no link disponível para o servidor do PID que disponibiliza as atualizações, considerando que o agendamento para a atualização dos Infocentros era num mesmo horário. Outro problema contou com a não atualização de alguns Infocentros por conta do relógio do sistema estar com a marcação de hora incorreta. Esses problemas foram facilmente contornados com novas atualizações e aumento do link do Programa Identidade Digital.

Contabilização de acessos

O Programa Identidade Digitalpossui uma base de dados com os registros referentes aos Infocentros implantados. Nesta base de dados deve constar, entre diversos outras informações, a quantidade real de acessos em cada Infocentro. É possível coletar manualmente essas informações, porém seria um processo custoso, pois além de coletar os dados seria preciso inserí-los na base de dados central, para cada Infocentro.

Foi criado então um método para coletar automaticamente esses registros de acessos e enviá-los ao banco de dados, utilizando ferramentas simples e os logs providos pelo syslog do sistema. O programa desenvolvido coleta os dados diários de acesso, rotaciona os logs, carrega as informações do arquivo de meta informações faz o envio utilizando SSL, para o servidor do PID, que autentica a requisição e insere os dados no banco de dados.

CD de restauração do sistema

Diante de uma falha no sistema de arquivos do Berimbau Infocentros deve haver um método de restauração sem a necessidade da presença de técnicos do PID no local. Assim foi desenvolvido um CD de restauração, com o objetivo de restaurar um sistema que foi corrompido por uma falha no seu sistema de arquivos. Este CD foi desenvolvido utilizando os componentes do CD de replicação. A diferença é que ele apenas instala a imagem referente à partição que contém os dados do Berimbau Infocentros, sem refazer a partição de dados dos usuários. Este CD basicamente refaz toda a partição do sistema no disco 1, sincroniza os arquivos de configurações específicas a partir do disco 2 e restaura os dados dos usuários também a partir do espelho disponível no disco 2.

Arquivo de meta-informações

É sabido que os Infocentros inicialmente foram replicados a partir da mesma fonte, assim possuem os mesmos softwares, a mesma configuração, etc. Porém surgiu a necessidade dos Infocentros carregarem algumas informações específicas. A primeira demanda nasceu da necessidade de se enviar informações sobre a quantidade de acessos em cada unidade implantada. O Infocentro necessitava então enviar uma informação para uma base central dizendo o seguinte: "Eu sou o Infocentro X e hoje houve Y acessos aqui". Há duas maneiras de se pensar em implementar essa funcionalidade. A primeira é configurar especificamente o programa que realizaria essa atividade diária. A segunda é criar um registro local, que deve conter informações específicas do Infocentro, e ser acessada pelo programa que enviará as Informações para a base de dados do PID. Em ambos os casos é preciso uma intervenção remota, porém no segundo caso o registro pode servir para programas futuros, o que aconteceu no projeto.

O registro contendo as informações específicas em cada Infocentro é o arquivo /etc/berimbau-metainfo, que a princípio guardava informações referentes ao número de identificação do Infocentro na base de dados do PID e o seu nome, como mostra o trecho abaixo:

# this file store some settings about this server
# for PID management

# Nome do Infocentro
nomeInf=

# ID do Infocentro no Acessa Berimbau
idInf=

# Usuário para contabilizacao de logins
userAcessa=

# Senha para contabilizacao de logins
passAcessa=

# Endereco do contador de logins
urlCounter=

Sistema de gestão dos Infocentros

Foi desenvolvido um sistema WEB para que os monitores dos Infocentros realize tarefas relativas ao cadastro, consulta e atualização dos dados dos usuários, agendamento de cursos, e organização das suas respectivas turmas. Este sistema também fornece relatórios e gráficos sobre quantidade de usuários, acessos, localidades, etc.

Entre as suas principais características estão a flexibilidade e possibilidade de adaptação a novos cenários, como a inserção de novos equipamentos ou a retirada de computadores do Infocentro. Através de senhas que hierarquizam o acesso, o sistema chamado Acessa Berimbau define quais funções podem ser exercidas por instrutores, monitores e administradores do sistema.

O sistema foi codificado de maneira a permitir essa extensibilidade e escalabilidade, isto é, possibilitar a adição de novas funcionalidades ou modificação de procedimentos atuais. O Acessa Berimbau foi desenvolvido utilizando linguagem PHP, tendo o Apache 2 como servidor Web e o PostgreSql? como SGBD.

O desenvolvimento seguiu os paradigmas da orientação a objetos, utilizando alguns padrões de projeto, como o Dao e Bo, que oferecem uma camada de abstração para o acesso a métodos, e o padrão MVC para separar a camada de negócios das camadas de acesso ao banco de dados e apresentação.

Foi utilizado também o software Smarty que é um gerador de templates, e com isso separaramos todo o código php do código html, facilitando a preparação do leiaute por outra equipe especializada. Para prover uma camada de abstração de banco de dados, utilizamos a biblioteca Pear::BD, e para gerar os gráficos dos relatórios, foi utilizado a biblioteca Php-Gd, que provê os métodos necessários para gerar imagens em formato Jpeg e Png.

Foi implantado também um mecanismo de autenticação utilizando a biblioteca Pear::Auth, totalmente integrada com as outras bibliotecas utilizadas no desenvolvimento do sistema. Para o acesso aos relatórios foi utilizado o padrão de projeto Facade que permitiu que fosse criado uma única classe que acessa todas as outras necessárias para gerar os relatórios.

As Figuras 4.2.12, 4.2.12, 4.2.12, 4.2.12, 4.2.12 e 4.2.12 exibem algumas telas de funcionalidades importantes do Acessa Berimbau. [*]

Figura 19: Acessa Berimbau - tela principal com quadro de avisos para os monitores
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Figura 20: Acessa Berimbau - tela de agendamento para utilização do Infocentro
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Figura 21: Acessa Berimbau - opção de relatório
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Figura 22: Acessa Berimbau - gráfico em barra
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Figura 23: Acessa Berimbau - gráfico pizza
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Figura 24: Acessa Berimbau - tela sobre o programa
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Controle de utilização dos Infocentros

Cada Infocentro chega a possuir milhares de usuários cadastrados. Isso gera uma demanda muito grande de utilização, sendo necessário limitar o tempo de acesso para que mais pessoas possam ser beneficiadas, entretanto, este limite não deve ser único para todos os Infocentros, deve ser flexível para casos específicos e deve ser controlado pelo monitor do Infocentro.

Um problema surge quando um usuário não respeita o limite de tempo ou desobedece teimosamente alguma norma do Infocentro e o monitor é obrigado a intervir. Afim de amenizar esta situação, foi desenvolvido um software para encerrar sessões de usuários nos terminais do Infocentro. O programa foi escrito em C e GTK, tornando transparente para o usuário a intervenção do monitor, que realiza o procedimento de encerrar a sessão do usuário a partir do servidor.

A figura 4.2.13 exibe uma tela capturada do sistema de encerramento de uma sessão remota no Infocentro. Este software foi integrado ao Menu do GNOME, no ítem Sistema, onde todos os outros programas para manipulação do Berimbau Infocentros está localizado, sendo assim, mais um programa de fácil e intuitivo acesso por parte do monitor.

Figura 25: Tela do programa que encerra sessões de usuários nos Infocentros
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Reparação do kernel

O servidor LTSP é responsável pelo processamento e reserva de memória física para cada processo requisitado pelos terminais. Foi preciso então otimizar ao máximo a configuração do kernel linux do servidor, de forma que suportasse somente o hardware necessário, sem desperdiçar recursos com suporte a dispositivos inexistentes. O kernel deve suportar também os dispositivos adicionais que estão presentes nos Infocentros, como uma impressora USB e gerenciamento de energia a partir de um nobreak, utilizando recursos do ACPI.

Foram realizados testes de performance com as versões do kernel linux 2.6.8 e com a versão 2.4.28. Depois da otimização das configurações de ambas as versões, a 2.4.28 mostrou-se compatível com todas os dispositivos necessários e uma leve vantagem na performance de execução dos programas. Não houve um teste de fato confiável nesse sentido, e a vantagem na performance estaria dentro de uma faixa de erro experimental. Porém, antes de se realizar testes exaustivos, foi decidido pela utilização do kernel 2.4.28, devido a um patch disponível para a alteração do seu sistema de escalonamento, que se mostrou de fato um grande benefício na utilização do LTSP.

O patch utilizado foi o fairsched, que significa "escalonamento justo". A situação em que diversos terminais processam seus programas num único servidor pode causar transtornos frequentes para seus usuários. Um exemplo clássico é quando um dos terminais está ocupando grande parte do poder de processamento do servidor, num momento em que outros terminais necessitam realizar tarefas simples. Estes últimos sofrem um atraso consequente da política de escalonamento do kernel.

O patch fairsched implementa um escalonamento justo hierárquico de CPU para o Linux. Resumidamente este escalonamento aloca tempo de CPU para os processos a partir de "pesos" pré-determinados, onde somente uma parcela da unidade de processamento é reservada para cada usuário. Os testes executados com o fairsched foram bastante satisfatórios, essencialmente o teste simples em que um usuário executa um loop infinito de criação de processos através da syscall fork() enquanto outros utilizam terminais do mesmo servidor LTSP. Nos testes com o kernel sem o patch, o sistema travava imediatamente, interrompendo as atividades de todos os usuários nos terminais. Com o fairsched, somente o ambiente do usuário que executou o loop travava, mostrando que de fato apenas uma parcela da CPU estava reservada para este usuário, uma característica bastante adequada para o cenário dos Infocentros.

O kernel foi compilado utilizando o sistema para administração de kernel do Debian, que facilitou bastante a administração posteriores atualizações.

Concepção técnica e operacional do projeto

Este capítulo dedica-se a descrever o objetivo do projeto, explicitando: (1) as características gerais de um Infocentro proposto pelo Programa Identidade Digital, estabelecidas diretamente pela coordenação do projeto; (2) os requisitos definidos pela equipe técnica para uma solução que esteja de acordo com as características gerais do Infocentro; e (3) a infra-estrutura básica finalmente adotada para cumprir com os requisitos técnicos descritos.



Características gerais dos Infocentros

O projeto de construção dos Infocentros teve como objetivo a implantação de uma série de centros de acesso público às tecnologias da informação distribuídos em cidades baianas. A etapa descrita neste trabalho refere-se à implantação das 100 primeiras unidades, desconsiderando os resultados não satisfatório de outras soluções anteriormente testadas em alguns Infocentros-piloto.

Um Infocentro concebido pelo Programa Identidade Digitaldeve possuir as seguintes características:

  • Acesso público e gratuito para o cidadão

Estes centros devem permitir que qualquer cidadão a partir de determinada idade possa ter acesso ao computador conectado à Internet, desde que concorde com as normas estabelecidas pelo PID, como por exemplo o limite no tempo de uso.

  • Disponibilidade de aplicativos básicos

Cada computador disponível no Infocentro deve oferecer ao cidadão os aplicativos necessários para as atividades mais populares, por exemplo, a navegação Web, edição de textos, planilhas, impressão, manipulação de imagens, etc.

  • Serviço de impressão

Cada cidadão possui uma quota diária de impressão de trabalhos, currículos, ou qualquer documento requisitado durante seu tempo disponível de utilização no Infocentro.

  • Orientação de um monitor

Em cada Infocentro deve haver o acompanhamento de um monitor, ou seja, uma pessoa com habilidade técnica suficiente para auxiliar os cidadãos mais leigos em caso de dúvidas durante a utilização dos serviços.

  • Espaço individual de armazenamento

Cada cidadão deve ter a possibilidade de guardar suas informações digitais no Infocentro, de maneira que possam ser acessadas em outro momento. Deve-se prezar pela privacidade e disponibilidade local dessas informações.

  • Gerenciamento centralizado

Embora os Infocentros sejam localizados em cidades distantes da sede do projeto, todos devem ser gerenciados por uma única entidade, no caso o Programa Identidade Digital.

Definição dos requisitos técnicos

Coube à equipe técnica, em diversas reuniões com outros setores do Programa Identidade Digital, elaborar os requisitos que viabilizassem a construção de uma solução capaz de cumprir com a concepção do projeto definida anteriormente. O desafio maior refere-se à necessidade de se gerenciar uma centena de unidades implantadas em locais fisicamente distantes da sede do PID. Lista-se abaixo estes requisitos:

  • Independência tecnológica

Em tecnologia da informação existem padrões abertos e padrões proprietários. Os primeiros são geralmente desenvolvidos e mantidos por organizações de caráter não comercial, possuem especificações disponíveis, abertas a sugestões da comunidade, e adaptam-se às necessidades dos usuários que os utilizam. Os segundos são desenvolvidos por corporações que os utilizam como diferencial diante da concorrência, e sua motivação é o lucro em detrimento das necessidades dos usuários, o que os faz tornar-se uma potencial ameaça à sustentabilidade de um parque tecnológico.

Um aprisionamento tecnológico pode se estabelecer de diversas maneiras quando se opta pela adoção de padrões fechados (proprietários)[Bacic 2003]. O nível de prejuízo diante de uma escolha inadequada depende da postura da corporação a que o projeto dependerá e do nível de restrições estabelecidos em contratos e/ou licenças de utilização. Especificamente em projetos de telecentros, onde deve-se prezar pela auto-sustentabilidade, seja a curto ou longo prazo, os cuidados na escolha das tecnologias devem ser redobrados.

  • Baixo custo de equipamentos, softwares e manutenção

Um dos maiores desafios em projetos de inclusão digital é a redução de custos com aparatos tecnológicos. Há um limite orçamentário que deve ser respeitado, ao mesmo tempo em que o projeto deve obter o maior alcance possível, prezando pela qualidade dos serviços. A escolha de todo hardware e software desta solução foi baseado nos princípios da qualidade sem custos altos, fator que demandou pesquisa e criatividade.

  • Usabilidade

Os Infocentros são acessados em sua grande maioria por pessoas leigas nas tecnologias disponíveis. Devem então oferecer um ambiente desktop que simplifique ao máximo as atividades de seus usuários.

  • Escalabilidade

Os Infocentros devem ser escaláveis. Isso significa que deve ser possível modificar algumas de suas características sem a necessidade de um processo custoso de migração. Um exemplo pode ser o aumento de computadores disponíveis numa unidade já implantada, ou a utilização de diferentes tipos de hardware ou software.

  • Gerenciamento remoto

Por estarem distribuídos em locais fisicamente distantes, e muitas vezes de difícil acesso, os Infocentros devem possuir uma estrutura que permita o gerenciamento remoto via rede dos seus componentes. Dentre outros fatores, isso significa a possibilidade de realizar a maior parte dos procedimentos de suporte remotamente, como resolução de problemas e atualizações.

É preciso também contar com um mecanismo capaz de monitorar a utilização dos Infocentros, de modo a se obter uma postura proativa diante de problemas em potencial, evitando-os que aconteçam.

  • Máxima utilização de softwares já consolidados

Os Infocentros devem contar com a utilização de programas já consolidados, sempre que possível. O desenvolvimento de um software pela equipe do PID deve acontecer somente se não existir nenhum outro semelhante que cumpra com os propósitos em questão.

Essa decisão é levada pela lógica de quanto mais um código é utilizado e testado, menor é a probabilidade de ocorrência de falhas. Esse princípio adotado apresenta relação direta com a redução de custos com desenvolvimento e manutenção.

  • Redundância de dados

Um problema de perda de dados pode prejudicar milhares de usuários de um Infocentro, além de necessitar de uma mobilização custosa para o PID, considerando que a maioria dos processos de tentativa de recuperação dos dados deve ser realizada presencialmente. A perda de dados necessários para o funcionamento do sistema pede também uma intervenção física no Infocentro.

É então um requisito possuir um mecanismo de redundância de dados, que não aumente significamente o custo total do projeto, mas que permita que alguns problemas de perda de dados de usuários ou do sistema possam ser sanados sem a intervenção física da equipe do PID.

  • Gestão centralizada

Os Infocentros devem contar com cadastros de usuários, monitores, gestores locais, cursos, etc, numa base de dados centralizada. Essa base deve também guardar informações sobre a quantidade de acessos e outros dados estatísticos importantes para o projeto. Portanto, deve haver um sistema que centralize essas informações e que esteja disponível para os monitores em cada Infocentro.

  • Homogeneidade tecnológica

Um dos requisitos mais importantes para se obter uma redução de custos com manutenção é a homogeneidade de hardware e software. O princípio é que se todo o parque de máquina possuir a mesma especificação de hardware , uma única solução de software bastará para atender todas as unidades.

A homogeneidade de softwarerefere-se não somente à utilização dos mesmos softwares em todos os Infocentros, mas em relação às suas versões, configurações e até mesmo falhas. Isso quer dizer que se for descoberto uma falha no software que roda num determindado Infocentro, esta falha estará necessariamente presente em todos os outros. Dessa maneira, uma atualização que solucione esta falha será a mesma solução para todos os Infocentros.

  • Segurança

Deve-se reduzir os riscos de um ataque bem sucedido nos Infocentros, utilizando softwares que evitem virus, worms, etc. Deve-se acima de tudo utilizar um sistema operacional com baixos índices de incidentes de segurança, essencialmente para tarefas domésticas, como navegação Webe execução de aplicativos. Deve-se utilizar mecanismos para restrição de acesso externo, verificação de integridade de arquivos e utilização de criptografia quando necessário.

Infra-estrutura adotada

Um Infocentro é equipado com 11 PCs interconectados numa LAN fast ethernet. Um deles faz o papel de servidor de terminais remotos, e é dotado de uma configuração mais poderosa. Os outros dez fazem o papel de terminais remotos, ou seja, não possuem disco rígido, todos seus programas rodam no servidor, que transmite as requisições via rede. O servidor conecta-se à Internet e fornece acesso aos terminais.

Uma impressora é conectada no servidor, mas pode ser acessada a partir de qualquer terminal. O monitor do Infocentro utiliza o servidor como sua estação de trabalho, podendo assim ter um maior controle sobre os terminais. A figura 2.3 ilustra o modelo de Infocentro adotado.


Figura 1: Infocentro do PID
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Todos os Infocentros devem estar conectados à Internet através de um provedor local, que deve oferecer endereço IP roteável externamente para que o PID possa prover os serviços necessários. A figura 2.3 ilustra a disposição dos Infocentros distribuídos em cidades baianas e conectados à sede do Programa Identidade Digital através da Internet.


Figura 2: Infocentros do PID distribuídos nas cidades
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A utilização de um Infocentro segue um padrão definido pelo Programa Identidade Digital, onde são agendadas sessões de acesso em grupos de 10 pessoas, com tempo definido de uso e flexibilidade para alguém sair/entrar em sessões já abertas. Quem gerencia as sessões é o monitor do Infocentro.

Um usuário, ao chegar no Infocentro pela primeira vez, deve realizar um cadastro, que será registrado numa base de dados central localizada na sede do Programa Identidade Digital. Um usuário local é criado no sistema operacional, garantindo o espaço individual em disco para o cidadão. Esses cadastros são realizados pelo monitor do Infocentro. O usuário então é inserido numa fila gerenciada pelo sistema, que deve fornecer uma estimativa de horário do acesso. O tempo de utilização sugerido é 30 minutos quando há uma demanda alta, mas pode ser definido pelo monitor ou gestor do Infocentro de acordo com suas necessidades.

Caso o usuário já tenha um cadastro em outro Infocentro, ele apenas terá que fornecer um documento de identificação e solicitar a criação de um usuário local no sistema operacional, caso seja sua primeira vez naquele Infocentro.

Conclusões

Aproximadamente 1 ano após o início da etapa de implantação dos 100 Infocentros podemos observar resultados bastante satisfatórios em relação à solução de software desenvolvida. Os requisitos técnicos foram de fato cumpridos e benefícios extras foram alcançados. Pontuamos a seguir os mesmos requisitos listados no capítulo 2, sumarizando como cada um foi tratado durante a implementação do projeto. São exibidos também alguns dados fornecidos pelo Programa Identidade Digital.



Resultados

  • Independência tecnológica

Com a adoção, desenvolvimento e integração de softwares livres, o PID não tornou-se dependente de nenhuma corporação. O Programa possui sua própria equipe de suporte e desenvolvimento, e vem realizando uma série de inovações disponibilizadas livremente que beneficiam outros projetos, considerando esta uma maneira oferecer uma retribuição diante das milhões de linhas de código desenvolvidas voluntariamente que foram utilizadas para compor a sua solução final.

  • Baixo custo de equipamentos, softwarese manutenção

Os equipamentos utilizados neste projeto seguem padrões populares. São PCs dotados de dispositivos facilmente encontrado no mercado, sem necessidade de hardware específico de um fornecedor. Este foi um fator importante para a redução de custos na compra e na manutenção do hardware.

A utilização de terminais remotos através do LTSP ofereceu também uma economia grande na compra de discos rígidos. Para 100 Infocentros com 11 máquinas cada, foi necessário a compra de 200 discos rígidos em vez de 1100 para uma instalação de sistema em cada estação de trabalho. Prezando por uma redundância de dados da maneira que foi implementada no projeto, seriam necessários 2200 discos rígidos. Isso significaria também um custo de manutenção para 1100 sistemas espalhados pelo estado, em vez dos 100 atuais.

Todos os softwares utilizados no projeto são softwares livres, o que acarretou num custo zero de licenças. Houve entretanto um custo para o desenvolvimento dos softwares específicos, onde optou-se pela formação de uma equipe interna em detrimento à compra dos serviços, dessa maneira, as inovações partiram de dentro do Programa Identidade Digital, que mostrou coerência diante do nome da secretaria que o abriga. A figura 5.1 mostra um comparativo fornecido pela equipe de desenvolvimento do Sacix, sistema utilizado pelos Telecentros da Prefeitura de São Paulo. Embora este projeto possua uma estrutura diferente da estrutura adotada pelo PID, pode-se estimar a redução de custos com licenças que foi obtida com a utilização de softwares livres.

Figura 26: Redução de custos que a prefeitura de São Paulo obteve, e que influenciou o PID
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  • Usabilidade

A utilização do GNOME como ambiente desktopnos Infocentros proporcionou uma interface limpa e intuitiva para os usuários iniciantes. A observação local da utilização dos Infocentros permite que se tire conclusões positivas em relação ao esforço da equipe de usabilidade do GNOME.

A flexibilidade oferecida por esse ambiente também foi essencial para o projeto, que necessitou de uma série de configurações de baixo nível, e que puderam ser realizadas a partir da ferramenta de configurações do GNOME, o gconf.

  • Escalabilidade

A solução é escalável. Pode-se aumentar ou diminuir o número de computadores apenas com um simples upgrade do servidor, que não demanda nenhum tipo de hardware específico. O sistema de gestão funciona de forma independente do sistema que roda nos Infocentros, podendo funcionar para Infocentros com outras características, outros sistemas operacionais ou com diferentes fluxos de utilização. É possível utilizar máquinas consideradas obsoletas como terminais nos Infocentros, aumentando o número de computadores disponíveis, com simples alterações de configuração, realizadas remotamente.

É possível também utilizar o CD de replicação para desenvolver instaladores automáticos para outros tipos de hardware, modificando somente um shell script e o próprio arquivo de imagem contido nele. Infocentros com necessidades específicas podem deixar de utilizar o LTSP, apenas instalando discos rígidos nas estações e utilizando uma versão modificada do CD de replicação para realizar as instalações do sistema em cada estação.

  • Gerenciamento remoto

Com a utilização do Nagios e do Cacti, o PID tem informações referentes à utilização dos discos rígidos, memória física disponível, processos zumbis, total de processos em atividade, carga de processamento, quantidade de usuários logados e informações de tráfego de rede gerado internamente e externamente em cada Infocentro.

Todas essas informações estão disponível através de interfaces amigáveis para a equipe do Programa Identidade Digital, além do mecanismo de notificação automática por email em caso de falhas ou potenciais problemas nos Infocentros, onde por exemplo um email é enviado para a equipe técnica caso uma partição de disco de algum Infocentro chegue aos 90% de sua capacidade de armazenamento.

  • Máxima utilização de softwares já consolidados

Todo código criado pelo PID foi desenvolvido a partir de uma demanda específica do projeto. A enorme quantidade e variedade de softwares livres disponíveis para os mais diversos propósitos proporcionou ao projeto um custo muito baixo em relação aos recursos que a solução final oferece. Cerca de 99% dos programas envolvidos não necessitaram de qualquer modificação. Houve um trabalho forte de pesquisa e integração e configuração, mas de fato muito pouca necessidade de codificação.

  • Redundância de dados

Dois discos rígidos em cada servidor, um software para espelhamento e um CD de replicação garantem um nível de redundância de dados satisfatório nos Infocentros. Segundo a coordenação do PID, algo em torno de 10% dos Infocentros já apresentaram problemas no disco rígido. Alguns deles são defeitos físicos no hardware, enquanto outros são problemas de instabilidade no sistema de arquivos. Estes são facilmente contornáveis com o CD de restauração, enquanto os primeiros dependem de uma intervenção local para troca do equipamento. Em ambos os casos os dados dos usuários são preservados, desde que o procedimento de espelhamento seja regularmente realizado pelo monitor do Infocentro.

  • Gestão centralizada

O sistema Webpara gestão dos Infocentros, Acessa Berimbau, fornece ao Programa Identidade Digital uma estrutura completa para a gestão dos Infocentros. Os níveis de usuários do sistema permitem que sejam gerenciados os cadastros de usuários dos Infocentros, monitores, gestores, administradores, coordenações, etc. Além do gerenciamente de pessoas envolvidas no projeto, o Acessa Berimbau fornece dados quantitativos que auxiliam o PID na evolução qualitativa do projeto.

  • Homogeneidade tecnológica

Com a adoção de uma especificação única de hardware para todos as unidades, foi possível ter um alto nível de homogeneidade de softwares e configuração nos Infocentros. A metodologia de atualização garante versões idênticas e uma enorme redução nos custos de manutenção, onde o custo referente à atualização de todos os Infocentros é o custo de atualização de um único sistema, seja no desenvolvimento ou no próprio processo de atualização.

  • Segurança

Segundo dados oficiais do Programa Identidade Digital, nunca houve uma notificação de incidente de segurança. A solução nunca foi afetada por invasões, virus, worms ou qualquer tipo de intrusão devido a falha de software em aproximadamente um ano de utilização em diversas cidades da Bahia. Este é um fato que não surpreende quem já conhece as características dos softwares livres, mas certamente surpreende usuários e administradores de sistema proprietários, onde o índice de incidentes de segurança são altíssimos, sobretudo em ambientes desktop manipulados por pessoas ainda em processo de aprendizagem.

Estado atual do projeto

Os dados oficiais do projeto indicam 101 Infocentros em atividade no estado da Bahia, com um total de 91.485 usuários cadastrados no sistema, onde já ocorreram aproximadamente 1 milhão e meio de acessos desde o início das implantações. Existe uma capacidade de se atender 16.000 acessos diários. Há, no entanto, uma média de 12.000 acessos por dia.

Raramente há algum problema de software no Berimbau Infocentros. Não há problemas com segurança. Segundo dados do PID, a maior demanda em relação à software atualmente são pedidos de atualizações de alguns programas, que de fato possuem versões mais novas disponíveis. Isso demonstra uma maturidade no uso dos Infocentros, onde usuários sentem necessidade de algumas funcionalidades oferecidas nas versões mais atuais dos programas. A suite Debian em que o sistema se baseia é o Sarge, que preza pela segurança e estabilidade, não oferencedo atualizações que não sejam estritamente necessárias para estes dois fatores. Duas maneiras de se atualizar programas específicos no Berimbau Infocentros podem ser listadas: (1) criação de backports, ou seja, de pacotes Debian não disponíveis na suite Sarge, sendo cuidadoso em relação às dependências e (2) uma tentativa de se utilizar a suite etch, que possui um nível de estabilidade e segurança aceitável para ambientes desktop, além de contar atualmente com atualizações de segurança fornecidas pelo time de segurança do Debian.

Foi relatado também pela coordenação do projeto uma demanda de utilização de programas de áudio nos Infocentros. O Berimbau 1.0.1 não teve suporte a som nos terminais. O LTSP fornece um mecanismo que torna possível programas rodar no servidor e utilizar os dispositivos de áudio das estações. Atualmente o PID tem avançado nesse sentido e em breve os Infocentros suportarão atividades de áudio nos terminais.

Outra evolução do Berimbau Infocentros nasceu das reclamações referentes ao sistema de agendamento do Acessa Berimbau, que apresentava lentidão. Este problema aliado às sugestões de se ter um sistema capaz de gerar relatórios de utilização diária em formato pdf gerou a demanda de se criar outro método de controlar o agendamento nos Infocentros. Foi desenvolvido então um módulo local de agendamento, utilizando a plataforma mono e a biblioteca GTK. A figura 5.2 ilustra uma tela capturada deste programa.

O ambiente de desenvolvimento sofreu uma alteração, no que diz respeito ao software de registro de tickets do primeiro nível. O PID deixou de utilizar o Request Tracker e começou a realizar uma série de modificações no OneOrZero? [OneOrZero Managment and Helpdesk Solution 2005], que, segundo a coordenação do programa, oferece recursos mais interessantes para o escopo do projeto. A versão personalizada do OneOrZero? foi então batizada de Alô Berimbau, o software utilizado pela Central de Atendimento do Programa Identidade Digital. A tela de autenticação do Alô Berimbau é mostrada na figura 5.2.

Figura 27: Alô Berimbau - software para a central de atendimento do PID img30.png

Está sendo desenvolvido também um um software que deve rodar localmente nos Infocentros, com o objetivo de relacionar os usuários Unix locais com os usuários na base de dados central do Programa Identidade Digital. Este software permitirá também a possibilidade de cadastros de usuários mesmo quando o Infocentro não estiver conectado à Internet. Os dados são armazenados localmente e no momento em que houver conexão, serão sincronizados com o servidor localizado na sede do PID. As figuras 5.2, 5.2, 5.2, 5.2, 5.2 e 5.2 ilustram o funcionamento do novo software desenvolvido pelo PID para gerenciar os usuários dos Infocentros.

Figura 28: Novo software para agendamento nos Infocentros
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Figura 29: Nova ferramenta para gerenciamento de usuários do PID - tela 1
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Figura 30: Nova ferramenta para gerenciamento de usuários do PID - tela 2
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Figura 31: Nova ferramenta para gerenciamento de usuários do PID - tela 3
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Figura 32: Nova ferramenta para gerenciamento de usuários do PID - tela 4
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Figura 33: Nova ferramenta para gerenciamento de usuários do PID - tela 5
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Figura 34: Nova ferramenta para gerenciamento de usuários do PID - tela 6
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Percebe-se que o projeto continua evoluindo, com uma previsão de implantação de mais 200 Infocentros até o final de 2006, o que totalizará algo em torno de 3000 computadores funcionando satisfatoriamente com esta solução no estado da Bahia.

Introdução


Telecentros são centros de acesso público à informação e comunicação que estimulam, e muitas vezes viabilizam, o acesso de comunidades a educação e inclusão digital. Em [[http://pt.wikipedia.org/wiki/Telecentro] [Telecentro (2005)]] encontra-se a definição:

"Os Telecentros são espaços com computadores conectados à Internetem banda larga, para uso público, livre e gratuito. Geralmente são geridos por um conselho gestor comunitário, que auxilia os administradores a manter a boa utilização do espaço de inclusão digital e a sua sustentabilidade"

Estes centros de acesso são também comumente chamados de infocentros. Os telecentros (ou infocentros) vêm sendo implantados em diferentes contextos. Desde países desenvolvidos, como EUA, Canadá e Austrália, [Jensen e Esterhuysen 2001] que oferecem serviços mais avançados e não necessariamente gratuitos, a países em desenvolvimento, como o Brasil e diversos países da Africa, que geralmente oferecem à população pobre a oportunidade de se ter acesso às tecnologias básicas de informação e comunicação.

No Brasil, vê-se inúmeros projetos de inclusão digital que utilizam o conceito de telecentros. Podemos citar como exemplos o projeto Telecentros da prefeitura de São Paulo, o (Topawa Ka'a) Projeto Rede Floresta 2005 implementado pela Eletronorte e o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, na Amazônia, o Gemas da Terra, o Casa Brasil, entre outros.

Nota-se também a existência de diversas iniciativas que utilizam telecentros em comunidades menores, sendo administrados por entidades independentes de estado ou empresas, prezando essencialmente pela auto-sustentabilidade. Um exemplo de projeto com tais características é o ATPS Sussuarana, que "...tem como objetivo capacitar Agentes de Tecnologia Popular e Solidária (ATPS) em Sussuarana, criando condições para que estes possam utilizar e disseminar conhecimentos básicos de informática e economia solidária, unindo geração de renda com exercício de cidadania.

Independente das diferenças orçamentárias, projetos com este escopo devem prezar por alguns requisitos técnicos e operacionais semelhantes, visando obter o maior alcance diante dos recursos disponíveis.

Os desafios de (1) reduzir custos com hardware , software e manutenção; (2) oferecer um ambiente adequado para o público esperado; (3) desenvolver uma estrutura sólida de suporte e atualização; e (4) oferecer uma solução tecnologicamente independente, caracterizam a motivação deste trabalho que, a partir de um caso real, tem a intenção de detalhar o processo de desenvolvimento de uma solução capaz de cumprir com os desafios citados.

O projeto aqui descrito trata-se de uma iniciativa governamental, implementado pelo Programa Identidade Digital, através da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia. O PID teve como uma de suas metas um projeto de construção de Infocentros comunitários [*] distribuídos em diversas cidades baianas, disponibilizando acesso público e gratuito para os cidadãos.

Nesta monografia são tratadas as questões técnicas e operacionais relevantes no processo de implementação do projeto, resultando em uma solução desenvolvida entre o período de 2004 e 2005, época em que aproximadamente 100 Infocentros foram implantados no estado. Nesta fase o autor deste trabalho atuou no como supervisor de desenvolvimento em software livre e trabalhou especificamente na concepção e implementação dos Infocentros em conjunto com a equipe técnica do Programa Identidade Digital.

No capítulo 2 são listados as características técnicas e operacionais do projeto, englobando a sua concepção geral, requisitos técnicos, infra-estrutura, conectividade e fluxo de utilização. Dividimos este capítulo em 3 seções, que significam também 3 fases distintas e sequenciais do projeto. A primeira seção diz respeito à concepção geral do Infocentro, determinada pela coordenação do Programa Identidade Digital. A segunda ilustra os requisitos definidos pela equipe técnica, que auxiliaram na definição da infra-estrutura e operação do Infocentro, que são descritos na terceira seção.

No capítulo 3 serão justificadas as escolhas dos softwares que compõem a solução, evidenciando como suas funcionalidades os fazem cumprir com os requisitos vistos no capítulo 2. Os softwares selecionados para compor a solução foram divididos em duas categorias. A primeira são os softwares básicos, representados pelos programas que se relacionam diretamente com a concepção do projeto e compõem uma base consistente para a segunda categoria, que são os softwaresde interface. Estes compõem o grupo de programas mais utilizados pelos usuários, como navegadores, editores de texto, manipuladores de imagens e o próprio ambiente desktop.

O capítulo 4 descreve a implementação da solução e é composto por duas seções. A primeira refere-se à montagem do ambiente de desenvolvimento e à metodologia adotada, onde são listados os softwares utilizados e os benefícios alcançados diante do modelo que foi seguido. Na seção seguinte são descritos com detalhes as personalizações, integrações e codificações necessárias para que se chegasse ao objetivo de se construir um sistema capaz de cumprir com os requisitos técnicos listados no capítulo 2.

Conclui-se o trabalho no capítulo 5, com a exposição dos benefícios alcançados após a primeira centena de Infocentros em funcionamento no estado da Bahia. São exibidos os dados referentes à quantidade de usuários, acessos, problemas reportados, situação atual e planos futuros relacionados aos aspectos técnicos do projeto.

Espera-se deixar duas contribuições de interesse público neste trabalho. A primeira refere-se diretamente à solução que atualmente roda nos Infocentros baianos e que está livremente disponível na Internet. A segunda contribuição é a descrição detalhada desta solução, resultando nesta monografia, que pode ser de utilidade para outros projetos com propósitos semelhantes.



  • Observa-se ao longo deste documento a utilização do termo Infocentro" em vez de Telecentro. Assim, será utilizado telecentro para se referenciar projetos de telecentros em geral e Infocentro somente para referenciar os centros de acesso implantados pelo Programa Identidade Digital.

16:00 às 16:20hs - Exposição:
"O que Software Livre tem haver com a Economia Solidária".

1ª Parte - O Mundo do Software Livre

Ao longo de toda a história que envolveu a difusão do movimento software livre no mundo, um questionamento sempre se fez presente no imaginário da maioria dos Hackers: “é possível viver de software livre, no mundo dos átomos?” Muitas vezes, até mais do que isso! Para os seguidores da filosofia GNU, além do fato de se poder trabalhar com software livre, está em questão também o desafio de assegurar uma forma de produção, consumo e distribuição de riquezas que reproduza os valores e práticas libertárias do mundo dos “bits” para o “mundo da matéria, dos átomos e moléculas”, onde vive o ser humano comum, com suas necessidades, interesses e paixões.
  1. Breve histórico do Movimento do Software Livre (à partir da perspectiva abordada acima).
  2. Problemas e impasses do Movimento do Software Livre (à partir da perspectiva abordada acima).


2ª Parte - O Mundo da Economia Solidária

Por outro lado, nos debates e encontros que dialogam sobre as dificuldades que envolvem os atores da economia solidária, a busca pela melhoria da qualidade produtiva de bens e serviços é uma demanda constante, entre cooperativas e associações populares, que tentam se manter economicamente. Além disso, a construção de redes locais e nacionais que permitam a troca de informações, junto ao fortalecimento econômico e político desses empreendimentos solidários, é também sempre colocado, por todas/os aquelas/es que lutam para a construção dessa outra economia, como um desafio vital para construção de um outro mundo, socialmente justo e ambientalmente sustentável.
  1. Breve histórico das cooperativas, desde o surgimento do capitalismo até da crise do emprego da década de 90. (à partir da perspectiva abordada acima).
  2. Idéias básicas da Economia Solidária e seu estágio atual - dados, números, etc (à partir da perspectiva abordada acima).
  3. Problemas e impasses das iniciativas cooperativas (sustentabilidade econômica, burocratização, democracia, isolamento).


Conclusão - Necessidade de Integrar as Duas Faces de uma Outra Economia

Defendemos a integração desse processo colaborativo de difusão de tecnologias livres com este outro modo de produção e organização da vida material. Essa integração, baseada no denominador comum desses dois mundos -- COOPERAÇÃO --, é uma condição necessária para a edificação de um mundo socialmente justo, tecnologicamente viável e ambientalmente sustentável, fundamentando, assim, a libertação e emancipação do ser humano como princípio e fim de todas as coisas. Reafirmando as sábias palavras de Mahatma Gandhi: “se quisermos dar ao povo o sentido de liberdade, teremos que proporcionar às pessoas um trabalho que possam fazer facilmente em suas pobres casas e que lhes dê o mínimo sustento. E, quando o povo se tornar autoconfiante e capaz de sobreviver por si próprio, poderemos conversar com eles sobre liberdade.”

  1. Cooperação como denominador comum da Economia Solidária e do Software Livre: as Duas Faces de uma Outra Economia.

Proposição - Integração EcoSoLivre

  1. O que o Software Livre pode contribuir para a Economia Solidária?

  1. O que a Economia Solidária pode contribuir para o Software Livre?


Contribuição de Euclides Mance: Software Livre e Economia Solidária

A Rápida expansão do software livre e da economia solidária nos últimos anos se deve, entre outros fatores, a uma mesma estratégia comum baseada na organização de redes colaborativas.

Não fosse pelo trabalho solidário de redes colaborativas compartilhando códigos, conhecimentos e valores, o software livre não teria alcançado tal magnitude em vigorosa expansão e não estaria continuamente crescendo. Igualmente redes colaborativas estão na base da difusão da economia solidária em todo mundo, envolvendo organizações de comércio justo, finança ética, consumo eco-solidário e produção autogerida, integrando atores que operam nos diversos segmentos de inúmeras cadeias produtivas nos vários continentes. Atores dessa outra economia de um novo mundo possível têm se reunido nas diversas edições do Fórum Social Mundial, avançando na dinamização internacional desse movimento, instituindo e alimentando processos colaborativos de diversos tipos.

Por isso, a integração dos movimentos de software livre e de economia solidária aparece como uma tendência promissora para ambos, na medida em que os empreendimentos econômicos solidários passem a se fortalecer pela utilização cada vez maior de tecnologias livres, particularmente no campo da Tecnologia da Informação, e profissionais que atuam na área do software livre comecem a organizar empreendimentos econômicos solidários que forneçam produtos, serviços e suporte em tecnologia de informação ao conjunto de organizações de economia solidária.

Essa sinergia permitirá consolidar os avanços percebidos em ambos os movimentos bem como desencadear novas oportunidades de crescimento e expansão nesse setor, uma vez que a economia solidária seria beneficiada com tecnologias adequadas para aprimorar o funcionamento de suas redes colaborativas, facilitando-se os fluxos de produção, comercialização e consumo solidários, e por outro lado, iniciativas empresariais solidárias na área de desenvolvimento, produção e difusão de softwares livres poderiam se propagar no atendimento das demandas de tecnologia da informação peculiares a essas redes e empreendimentos de economia solidária.

No mapeamento sobre a economia solidária no Brasil, recentemente realizado pela Secretaria Nacional de Economia Solidária, órgão do Ministério do Trabalho e Emprego, levantou-se a existência de mais de 15 mil empreendimentos de economia solidária em nosso país, envolvendo cerca de 1,5 milhão de trabalhadores e trabalhadoras. Cerca de 70% desses empreendimentos foram criados entre 1990 e 2005.

Há, portanto, um movimento em expansão da economia solidária e do software livre que muito tem a se dinamizar – pela apropriação, desenvolvimento, emprego e difusão do software livre na economia solidária, bem como, pela organização sustentável de empreendimentos solidários voltados, especificamente, ao atendimento de demandas na área de tecnologia da informação no campo da economia solidária. -- EuclidesMance

16:20 às 16:40hs - Educação e Autogestão: contribuições para a organização de coletivos de produção/ desenvolvimento e prestação de serviço com Software Livre.

  • Tempo de apresentação: 20 minutos.


comentários informais:

 


  • Aê Monserrat! Gostei muito dos tópicos que você colocou, mas achei que eles estavam um pouco sem foco. Dessa forma, criei uma proposta de estrura de apresentação divididas em partes e sugerir um conteúdo inicial para cada uma delas a parir dos tópicos que você sugeriu, mas COM UM FOCO ESPECÌFICO NO TEMA DA APRESENTAÇÃO. O que você achou?? Sinta-se à vontade para "bulir" em tudo, ok?! wink -- VicenteAguiar - 04 Feb 2006 - 20:08

Ó só, pessoal, saiu isso aí... Será que é por aí? Gostaria de "ouvir" a opinião crítica de vocês. smile

Quaisquer críticas, comentários e sugestões são bem vindas! Ah! E se alguém tem algum link que possa ser útil pra algum dos tópicos, por favor, sinta-se livre pra adicioná-lo no tópico correspondente. Agradeço desde já a contribuição! smile

T+ Monserrat.

PS: pra deixar todo mundo a vontade, sigo rigorosamente o seguinte mote: "I am not the owner of true. What is to be glimpsed, written, created and further developed is a collective endevour, very much like Linux, Apache, etc, development. At most my role here is of a coordinator"

-- JoseMonserrat - 01 Feb 2006

Saiba como contribuir e cooperar com este Sítio Wiki

Wiki

Um Sítio Wiki é um tipo de Site Web desenvolvido à partir de um software livre denominado de Twiki. Este software é uma plataforma livre para colaboração na web que permite a interação entre várias pessoas separadas geograficamente através da criação de conteúdos, utilizando apenas um navegador de internet.

HELPComo assim? Neste Sítio Wiki, como em qualquer TWikiSite, você pode alterar diretamente o conteúdo desta web, sem precisar de um programa de linguagem complexa, nem de conhecimentos de programação, ou mesmo de autorização de webmasters de plantão. Ao contrário, num Sítio Wiki como este, você irá apenas utlizar o seu navegador de internet (Web Browser) para contribuir colocando conteúdo nas páginas wiki, em qualquer lugar do mundo onde você esteja. Assim, por meio desta plataforma Web colaborativa, é possível haver uma descentralização do pólo de emissão das informações, maior liberdade de expressão, e atualização das páginas web de forma muito mais fácil, dinâmica e democrática. Ou seja, as pessoas deixam ser simples "usuários" e passam a ser sujeitos, desenvolvendo documentação em formato de hipertexto na Web, de forma autogerida, sem a necessidade de software especializado ou um programador central para operacionaliza-lo. É o que se conhece por Cultura Wiki.

No entatnto, se você, ainda, não tem informações sobre "como" acrescentar conteúdos neste Sítio Wiki, dê uma olhadinha no manual abaixo!

Manual TWiki para Iniciantes

Este é um pequeno tutorial (manual) para dar a você uma introdução sobre como contribuir e cooperar com este site por meio das funcionalidades básicas do TWiki.

1. Primeiro, para facilitar ...

Abra duas janelas (ou abas) do seu navegador web, de forma que você possa ler os passos desse documento numa janela (ou aba), e testá-los na outra.


2. Crie uma conta pessoal de acesso...

Para editar tópicos e acrescentar conteúdos, você deve ter uma conta de acesso ao TWiki.
  • para tanto, acesse o tópico de Registro de Usuários? para criar sua conta pessoal de acesso. Basta preencher corretamente algumas linhas do formulário para se registrar.
  • Note que só é necessário ter uma conta de acesso se você precisar alterar tópicos.
  • Utilizamos um sistema de controle de acesso para restringir quem pode alterar tópicos em quais webs. Se você acha que deveria ter acesso para alterar tópicos numa web, contacte wikiwebmaster@softwarelivre.org e solicite permissão para tal.
  • Vá ao tópico WikiUsers na web TWiki.Main ; ele possui uma lista de todos os usuários do TWiki. Seu WikiName será incluído assim que você se registrar.
  • Vá ao tópico TWikiGroups? na web TWiki.Main ; ele possui uma lista de grupos que podem ser usados para definir um controle de acesso rigoroso no TWiki.


3. Teste as ferramentas de páginas...

Vá para o final da página, no canto direito, para ver o que você pode fazer neste Sítio Wiki. Lá você vai encontrar quatro desenhos pequenos que, na verdade, são um menu de apontadores (imagens de Letras) para ações:
  • [Editar] - adiciona ou modifica o topico (explicado depois)
  • [Anexar] - anexa arquivos ao tópico (explicado depois)
  • [Histórico] - mostra o histórico de mudanças e colaborações no link.
  • [Mais opções de Tópicos] - controles adicionais, como [Rename/move], controle de versão e configurações da origem do tópico.

4. Modifique uma página, e/ou crie uma nova...

  • Vá para Caixa de Areia. Esta é uma área de teste no servidor TWiki da Gnosis (local onde este site está hospedado), onde você pode fazer mudanças à vontade e testar todos os recursos.
  • Clique no link [Editar] . Você está agora no modo de edição e pode visualizar o código da página. (vá para um tópico diferente como TestTopic3 caso você seja advertido com uma mensagem "Tópic está trancado por um outro usuário")
  • Olhe o texto no modo de edição e compare-o com a página como ela é vista (use os botões Voltar e Avançar no seu navegador).
  • Repare que as PalavraWiki são linkadas automaticamente; assim, não haverá nenhum sinal de link quando você olhar o código da página no modo de edição.
  • Agora, crie um novo tópico - sua própria página de teste:
    1. No modo edição, digite um novo texto com uma PalavraWiki, ex:
      Este é  SeuProprioSandBox.
    2. Veja as alterações (Preview Changes) e salve o tópico. O nome aparece, em negrito, com um sinal de interrogação no final. Isso significa que o tópico ainda não existe.
    3. Clique no sinal de interrogação. Agora você entrou no modo de edição do novo item.
    4. Digite algum texto, assim como você escreve um email.
    5. Uma assinatura com seu nome será adicionada automaticamente. NOTA: O Main. na frente de seu nome significa que você tem um link originado da página atual para seu tópico pessoal localizado na página Main .
    6. Confira as alterações e salve o tópico...
  • Beleza! Chegou o momento de aprender sobre formatação de texto.Veja com mais detalhes no tópico abaixo.

5. Algumas Dicas de Formatação de Texto

Embora não haja necessidade de saber html para editar no Twiki, existem alguns recursos fáceis de usar com o objetivo de arrumar melhor o textos e outros elementos como, por exemplo, imagens dentro do ambiente de edição de uma Twiki Web, vejamos:

  • Títulos e subtítulos podem ser formados usando ---++ antecedendo os títulos e ---+++ antecedendo os subtítulos.

  • Separe cada parágrafo com uma linha em branco.

  • Três (ou mais) hifens consecutivos expandem-se em uma linha horizontal: ---

  • Para indicar uma palavra ou frase em negrito, coloque-a entre * asteriscos * : negrito.

  • Para indicar uma palavra ou frase em itálico, coloque-a entre _ sublinhados _ : itálico.

  • Para criar uma lista de ícones, adicione seus itens um em cada linha no formato: [espaço][espaço][espaço][*][espaço]Texto....

  • Iniciar itens em uma lista numerada com [espaço][espaço][espaço][1][espaço]Texto.... O "1" (ou qualquer número) será substituído pelo número correto, em ordem. Comece a contar espaços para o "1" do começo de uma nova linha.

  • Para incluir uma imagem, digite sua URL. Você também pode anexar uma imagem à página e mostrá-la com o texto seuarquivodaimagem.jpg.

Obs: Esses recursos no TWiki são chamados de "Regras de Formatação de Texto" parte da sua linguagem de marcação "Shorthand". Vale a pena ver mais sobre escrita TWiki e Regras de formatação de texto

6. Anexando arquivos na página...

Você pode anexar qualquer tipo de arquivo ao seu tópico - documentos, imagens, programas, qualquer coisa - e então eles poderão ser abertos, visualizados, ou baixados.
  • Anexar um arquivo é exatamente como incluir um arquivo num email.
    1. Volte para a caixa de edição de seu tópico e clique no link [Anexar] logo abaixo.
    2. Clique em [Browse] para localizar um arquivo em seu PC que você gostaria de anexar; insira algum comentário adicional; deixe todo o resto desmarcado.
    3. Marque o quadradinho "Create a link to the attached file", caso você queira que a imagem apareça na tela.
    4. Marque o quadradinho "Do not show attachment in table", caso você não queira mostrar a tabela de arquivos anexados.
    5. Clique em [Upload file], desça até o final da página e veja se seu anexo está na listagem.
  • Faça isso de novo - Dessa vez, anexe um arquivo de imagem GIF, JPG ou PNG.
    • Marque a caixa [Link:] para Criar um link para o arquivo anexado no final do tópico. A imagem será exibida ao final do tópico.
    • Para mover uma imagem, edite o tópico e posicione a última linha (contendo %ATTACHURL%) em qualquer lugar da página.
  • Se você tem uma imagem GIF, JPG ou PNG de você mesmo, seu gato, sua família... porque não anexá-la agora para personalizar sua página: MAINWEB?

7. Receba alertas e notifiações, caso a página seja alterada...

Notificações de Atualização é um serviço de subscrição que notifica você automaticamente por e-mail quando um tópico é alterado no TWiki. É um serviço útil - para muitas pessoas, checar o e-mail é mais confortável que verificar na Web.
  • Se você está usando TWiki para colaborar com um projeto, é importante saber quando alguém de sua equipe envia uma atualização. Se você está seguindo uma discussão específica, é conveniente saber quando há um novo item.
  • Alertas são emitidos quando links para tópicos individuais são alterados em um período selecionado: a cada dia, cada hora, como for configurado no seu sistema.
  • É fortemente recomendado que você experimente o serviço de assinatura para cada página do TWiki que for importante para você. Você pode se inscrever e se desinscrever instantaneamente, uma vez por página, usando WebNotify.

É isso! Agora você está equipado com as ferramentas essenciais do Twiki. Está no ponto para começar a usar e colaborar! No entanto, caso você deseje ter mais informações sobre esta plataforma, veja o conteúdo do Curso Completo de TWiki disponível na página do Projeto Software Livre - Bahia.

OBS.: Quando usar o TWiki pela primeira vez, você provavelmente vai achar bem estranho o fato de ser capaz de modificar páginas desenvolvidas por outras pessoas. Porém, não se preocupe com isso! Você não poderá apagar nada de importante acidentalmente e pode sempre checar versões anteriores, copiar e colar, se você quiser desfazer alterações. Ou seja, todas as ações são registradas e sempre é possível recuperar o conteúdo. Depois de um tempinho, o estilo TWiki de livre colaboração vai se tornar parte de sua vida! %Formata_Centro% Vamos Twikar!! %Fim_Formata%

Fonte: Tutorial do TWikiIM

Como formar um Clube de Trocas?

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Este texto foi elaborada a partir das anotações de Carlos Henrique de Castro (clubedetrocas at ig.com.br), animador do Clube de Trocas de Pedreira, São Paulo, e publicado numa Cartilha pela Associação para o Desenvolvimento da Intercomunicação, A.D.I de São paulo, com a ajuda da Fondation France-Libertés, que anima e participa de clubes de trocas em Paris, França.

Sumário

1. Contatos iniciais

Não há receita pronta para formar um clube de trocas. Como as situações são sempre diferentes, o modo de formar um clube não é sempre o mesmo e vai variar de uma situação para outra. Se a gente encontrou um grupo de pessoas interessadas, é preciso discutir bem com elas sobre o que é um clube de trocas, usando as informações que estão nesta cartilha. Pode-se deixar com elas um exemplar da cartilha. Se essas pessoas estiverem de acordo, passam a procurar mais gente que se interesse.

Pode acontecer de encontrarem pessoas tão interessadas que até queiram fazer parte do grupinho inicial para divulgar a idéia e depois, por rodízio, assegurar as tarefas essenciais que um clube exige. É preciso ter consciência de que criar um clube de trocas dá trabalho e exige persistência. É preciso acreditar realmente na proposta.

Um exemplo do que aconteceu no bairro de Pedreira (região sul da cidade de S.Paulo):

Um animador do clube que estava por se formar foi passando de casa em casa para apresentar a idéia. Muitas pessoas, mesmo sem estarem ainda comprometidas em participar do clube, autorizaram a divulgar seu nome e profissão ou o que sabiam fazer e/ou podiam oferecer. Assim foi criada uma folha de classificados que ia aumentando e sendo deixada nas casas das pessoas visitadas e também de outras pessoas que se mostravam interessadas. Isso foi feito com mais de 100 pessoas da comunidade, e teve um efeito inesperado: muitas pessoas que já se conheciam, não sabiam o que umas e outras faziam; outras que tinham perdido contato puderam trocar telefones e informações.

E assim aconteceu que, antes mesmo do clube realizar a primeira feira, várias pessoas puderam resolver suas necessidades de consertos e reformas que estavam paradas, realizando diretamente algumas trocas. Essa idéia da folha de classificados pode ajudar muito porque as pessoas descobrem que elas têm muito mais coisas a trocar do que imaginam.

2. Fazendo um levantamento dos produtos

Ao divulgar a idéia do clube de trocas deve ser feito um levantamento dos produtos, serviços e saberes que poderão ser levados para uma primeira feira. É bom que haja muita variedade de produtos, serviços e saberes. Também é bom que em cada feira haja uma série de produtos básicos de alimentação e higiene, que são os mais procurados.

Uma das condições para um clube de trocas funcionar bem é que as pessoas encontrem lá muitas coisas que estão precisando; entretanto se a feira for bastante agradável, muita gente pode freqüentá-la apenas para passar um bom momento de lazer.

3. Pensando a primeira feira

O grupo que se dispôs a organizar o clube tem que se reunir para discutir o que está sendo feito e como andam os contatos com os interessados. Mas é bom que não façam muitas reuniões, porque quando um grupo faz muitas reuniões, ele pode perder o entusiasmo.

É melhor marcar logo uma primeira feira.

4. A carta de Princípios

Os organizadores precisam discutir, nesta fase inicial de seu trabalho, uma Carta de Princípios para o Clube.

Não é preciso que seja uma Carta muito longa: basta indicar aqueles cuidados a tomar e algumas regras a respeitar para que o Clube funcione bem e cumpra realmente seus objetivos. Essa Carta de Princípios, que os sócios se comprometem a respeitar, será uma referência para todos que queiram entrar no Clube.

Ela pode ajudar as pessoas a entenderem o que está sendo proposto a elas, evitando problemas futuros com pessoas que poderiam entrar com objetivos diferentes daqueles que justificam a criação e a existência dos clubes.

No final desta cartilha você encontra alguns princípios adotados em alguns clubes, e também no Manual do Animador você encontrará um exemplo completo de carta de princípios.

5. Arranjando um local, marcando a data e a hora para a primeira feira

É preciso arranjar um local com mesas ou bancadas onde os produtos ficarão expostos, e cadeiras para as pessoas se sentarem. É preciso também ter espaço para as pessoas colocarem, em lugar bem visível, cartazes com os serviços e saberes que oferecem.

Esse local pode ser uma sala da igreja, ou da escola, ou de algum clube do bairro, ou a garagem de uma casa, um galpão que esteja disponível, um pedaço de uma rua que a gente possa fechar. Além de arranjar o local, também é preciso estabelecer qual a data e o horário da primeira feira.

A feira tem hora marcada não só para começar mas também para terminar. Um período bom para uma feira é de 4 horas, p.ex. das 14 às 18 horas, e aos domingos, por ser o dia em que as pessoas têm mais tempo disponível.

6. Convidando e verificando quem participará

Nesse momento do trabalho é preciso procurar (visitando ou telefonando) todas as pessoas que mostraram interesse, e convidá-las para a primeira feira. Deixa-se com cada convidado um lembrete por escrito com o local e hora da feira. Se as pessoas levarem com elas esse lembrete, será um sinal de que foram realmente convidadas e informadas sobre as feiras.

  • As pessoas também devem ser informadas do seguinte:
    • ao chegarem ao local da feira, com seus produtos para trocar, deverão se cadastrar como participantes;
    • todos vão receber uma quantidade igual da moeda do clube (nesta cartilha chamaremos a moeda de bônus);
    • esses bônus vão servir para iniciar as trocas; com eles os participantes vão comprar o que quiserem; eles são entregues uma única vez aos sócios, no momento em que se cadastram no clube;
    • esses bônus são como um empréstimo que o clube faz para as trocas poderem funcionar;
    • o clube empresta um valor de 50 bônus para cada sócio;
    • um sócio pode gastar em compras um valor maior do que a quantidade de bônus que recebeu inicialmente, porque recebeu outros bônus ao trocar os produtos que trouxe para a feira ou ao contratar serviços ou saberes que ofereceu;
    • os valores que as pessoas colocam nos produtos, serviços e saberes que oferecem não devem ser mais altos do que os preços que elas encontram fora da feira; o ideal mesmo é que sejam um pouco mais baixos.

Deve-se aconselhar que as pessoas já levem o que vão oferecer com os preços marcados. Assim elas já podem verificar antes quais os preços de mercado.

7. Confeccionando os bônus da primeira feira

Na nossa opinião, uma feira não pode funcionar sem moeda socail (no caso, bônus). Para que os bônus existam, eles precisam ser confeccionados pelos organizadores do clube. E isso eles podem fazer juntos, no mesmo dia da feira, se chegarem 2 a 3 horas antes do horário marcado. O mais seguro, entretanto, é confeccioná-los com maior antecedência.

O primeiro passo é decidir o valor do bônus. O mais fácil é atribuir um valor igual à moeda em uso, o Real: 1bônus equivale a R$ 1,00.

Distribuir para todos os presentes uma folha de papel sulfite; elas serão dobradas ao meio uma vez, depois outra, depois outra; com isso teremos a folha dobrada 3 vezes, no tamanho de um retângulo de 10cm X 6cm. Ao desdobrarem as folhas, todos terão 8 retângulos marcados pelas dobras, que deverão ser recortados. Solicitar a todos que coloquem no centro de dois dos retângulos, se possível em números grandes, o número 5. Isto quer dizer que esses bônus valem 5 reais (se tiverem resolvido que 1 bonus é igual a 1 real). Em outros dois retângulos pede-se que coloquem o número 2; em outros dois o número 1 e por fim, nos dois últimos retângulos o número 0,50. O que quer dizer que esses outros bônus valerão respectivamente 2 reais, 1 real e cinqüenta centavos.

O último passo é distribuir lápis de cor e pedir que desenhem alguma coisa nesses oito retângulos, em volta dos valores que escreveram e que coloquem o nome que cada um queira dar à moeda do clube.

Fazer uma previsão de quantas pessoas se espera que venham à primeira feira. Se cada uma deve receber 50 bonus, e se cada 3 folhas de sulfite permite a confecção de 51 bonus, será necessário um número de folhas igual ao número de pessoas previstas, multiplicado por 3. E a operação de dobrar as folhas, colorir etc, deverá se repetir tantas vezes quantas forem necessárias.

Recolhem-se então esses bônus e duas das pessoas que estão organizando o clube, escolhidas pelos demais, assinarão todos os bônus, que passam a ser a moeda da primeira feira. Só os bônus com essas duas assinaturas poderão circular na primeira feira de trocas.

8. Iniciando a primeira feira

No início da primeira feira os organizadores devem se distribuir para que todos que cheguem sejam logo atendidos.

Também nas feiras seguintes, um ou mais dos organizadores deve estar à disposição para atender aos participantes, sobretudo os que chegam pela primeira vez. As pessoas deverão se cadastrar (deixando nome e endereço num caderno de registro) e aí recebem todas as informações que ainda precisem. Recebem também uma carteirinha provisória com o nome e o número de sócio.

Nesse momento são também informados que a última meia hora da feira será dedicada a uma avaliação conjunta e a uma tomada de decisões. Depois disso, eles passam no caixa para receber os bônus e assinar um comprovante desse recebimento que, como já foi dito, é um empréstimo que o clube lhes faz.

Em seguida os participantes levam seus produtos para a bancada onde ficarão expostos (com o valor marcado em bônus), e colocam no lugar previsto os cartazes com os saberes e serviços que oferecem.

Daí em diante a feira corre por conta dos participantes.

9. Encerrando a primeira feira

Meia hora antes do final da feira, todos devem ser convidados a recolher o que trouxeram e não conseguiram vender, e juntar o que compraram.

Deve-se avisar a todos que entreguem ao “caixa” da feira quantos bônus têm em seu poder. O caixa registrará quantos bônus cada participante entrega, assinalando quantos bônus tem a mais ou a menos do que a quantidade que receberam ao se cadastrar. Os bônus da primeira feira, como já mencionado, são provisórios. Nas feiras seguintes, que já funcionarão com os bônus definitivos, aqueles que tiverem registrado na primeira feira mais bônus do que receberam terão essa mesma quantia a mais em bônus definitivos. E os que tinham registrado bônus a menos, terão essa mesma quantia descontada dos bônus definitivos que receberão.

Mas o que acontecerá com aqueles que não quiserem continuar no clube? Se estavam com bônus a mais poderão, na feira seguinte, sem serem membros do clube, receber essa mesma quantidade de bônus definitivos para gastar nessa feira.

E aqueles que estavam com bônus a menos, ficarão “devendo” ao clube produtos, serviços ou saberes, num valor equivalente aos bônus que tinham a menos. Os que não vão mais participar, devem devolver a carteirinha de sócios.

10. Avaliando a primeira feira

Uma vez recolhido o material da feira, todos se reúnem para tomar algumas decisões respondendo às seguintes questões:

  • 1o O que vocês acharam da feira?

  • 2o Vamos continuar fazendo feiras?

(Se bastante gente quiser continuar, a conversa prossegue.)

  • 3o Quem quer continuar participando dos clubes de trocas?

(Faz-se a lista dos que decidiram participar do clube.)

  • 4o Que nome vamos dar aos nossos bônus?

O nome será escolhido entre os nomes sugeridos nos bônus que circularam na feira e outros que surjam nessa hora. A decisão é tomada por maioria.

  • 5o. Quem está disposto(a) a ajudar os organizadores?

Assinala-se os nomes dos que se dispõem a ajudar na organização da(s) próxima(s) feira(s).

Esse é um bom momento para relembrar a carta de princípios a respeitar.

  • 6o. Em que data se fará a próxima feira?

11. Marcando as datas das feiras seguintes

Deve ser escolhida então a data da próxima feira, dentro de um prazo que não seja curto demais para dar tempo aos organizadores de encontrar um local se possível definitivo e confeccionar os bônus definitivos. O ideal é já escolher uma série de datas, com uma periodicidade regular, para que todos guardem mais facilmente as datas escolhidas.

12. Escolhendo um local definitivo

Os organizadores do Clube, junto com os participantes da primeira feira que resolveram ajudá-los, devem então começar imediatamente a buscar um local para as próximas feiras. O ideal é conseguir um local que possa ser “alugado” contra pagamento em bônus, que serão utilizados pelos proprietários do local para trocar por produtos, serviços ou saberes oferecidos na feira (por exemplo os proprietários contratarão e pagarão com os bônus algum conserto ou pintura do local).

Escolhido o local, ele deve ser logo comunicado a todos os participantes, relembrando a data e a hora que já tinham sido combinadas no final da primeira feira. Com isso as pessoas continuam “ligadas” à criação do clube e se preparam para participar.

13. Confeccionando os bônus definitivos

Os organizadores do Clube devem também imediatamente - até mesmo antes de procurar o local definitivo - começar a confeccionar o bônus definitivo, com o nome escolhido na primeira feira.

Nessa confecção devem ser tomados alguns cuidados que evitem falsificações no futuro. Vejam no Manual do Animador uma receita para produzir os bônus.

14. As despesas e receitas do clube

Falamos de caderno, de bônus, de carteirinha... Quem vai financiar essas despesas? Precisamos arranjar uma solução para isso. A mais fácil é dividir as despesas iniciais do clube entre um grupo de pessoas (futuros sócios ou não), que estejam em condições de colaborar.

Calculamos que as despesas iniciais fiquem entre $100,00 e $130,00 reais. Esse valor representa uma despesa do clube, ou uma dívida do Clube para com os colaboradores. Essa dívida poderá ser paga em bônus ou então, ao longo do tempo, o clube pode desenvolver atividades tipo bingos ou quermesses, e pagar a dívida. Veja mais informações no Manual do Animador.

15. Distribuindo tarefas e responsabilidades

Depois da primeira feira, na preparação das feiras seguintes, já é necessário começar a distribuir tarefas e responsabilidades entre os organizadores do clube.

Assim, para o bom andamento do clube, os sócios precisam se ocupar das seguintes funções:

  • Coordenação e animação: é a pessoa que coordena e estimula o andamento do clube. Ela participa, sempre que for preciso, de todas as outras funções . Ela deve buscar ajuda entre os sócios.
  • Confecção de bônus: os bônus terão sempre que ser produzidos para cada novo participante que entra no clube como sócio.
  • Registro e distribuição dos bônus: é uma atividade ligada a anterior, e acontece cada vez que há distribuição de bônus para novos participantes.
  • Tesouraria: manter atualizadas as contas do clube, em bônus e em reais (se houver). Esse trabalho permite acompanhar o andamento do clube e manter bem transparente para todos os sócios a movimentação “financeira” do clube.
  • Recepção: acolhimento das pessoas que chegam à feira.
  • Secretariado: dois ou três sócios que elaboram a ata das reuniões de avaliação ou outros eventos do clube.
  • Comunicação: produção de um jornalzinho do clube, estabelecimento de contato com meios de comunicação e divulgação, avisos aos sócios sobre eventos, ou outras feiras, publicação das atas das reuniões, etc.
  • Manutenção do local: preparação de forma adequada de todas as instalações que o clube vier a ocupar em feira ou outro evento (ex: quermesse), deixando o local ordenado e limpo ao final dos eventos.

As funções acima descritas são exercidas pelos sócios, voluntariamente, dentro das possibilidades de cada um, sem despesa para o clube. Todos os sócios do clube devem em algum momento, se encarregar dessas tarefas5 .

16. As feiras acontecendo regularmente

Com data, local, carteirinhas e bônus prontos, só falta divulgar a primeira feira regular e esperar os sócios que vão receber os bônus definitivos a que terão direito (descontando-se ou lhes dando a mais, conforme os débitos ou créditos que ficaram da primeira feira).

E todo o resto correrá como na primeira feira, lembrando que antes de terminar, é sempre necessário fazer uma avaliação de como ela se desenrolou, procurando localizar o que pareceu bom, mas também o que está faltando, o que teria que ser modificado para melhorar, etc.

Críticas e sugestões feitas em conjunto por todos os participantes constituem uma condição para que o clube tenha sucesso. É nesse momento que os organizadores, que têm uma visão de conjunto do que significam os clubes de trocas, podem explicar aos presentes coisas que lhes parecem importantes que todos conheçam e discutam. Esta parte da feira, que não é mais de trocas mas é uma parte fundamental, deve ocupar pelo menos meia hora, com a presença e a participação de todos.

17. O que a experiência nos ensinou

  • Um jornalzinho: é muito útil para a continuidade das feiras. Ele pode publicar a lista de “classificados” com ofertas e pedidos, lembrar algumas regras que ajudam as feiras a funcionar bem (frequência assídua nas feiras, trazer produtos de qualidade, levar bem a sério a avaliação após cada feira).
  • O painel, com avisos e com anúncios do que se oferece, deve ficar bem visível e pode conter também uma lista do que as pessoas pedem como serviços e saberes.
  • A perseverança é fundamental, assim como a solidariedade, encarando os produtos disponíveis como o melhor que cada um pode oferecer, e vencendo juntos os problemas.
  • O crescimento dos clubes deve ocorrer de forma natural, mas na perspectiva de reunir um grupo que viva próximo, pois isso facilita a presença dos sócios nas reuniões e feiras. É melhor criar um novo clube do que aumentar sem limites o número de sócios de um clube.
  • A oferta de produtos da cesta básica atrai muito as pessoas.
  • Um curto momento de silêncio no início da feira, para que cada um possa manifestar intimamente sua fé, mostra o respeito que se tem para com os participantes, independentemente da religião que professem.
  • A comemoração dos aniversários dos sócios em uma das feiras do mês pode transformá-la em uma verdadeira festa de aniversário, se os sócios trouxerem bolo, tortas, sucos a serem negociados durante a feira.
  • O saldo em bônus dos sócios deve ser sempre mais ou menos equilibrado. Um sócio pode acumular muitos bônus para usá-los para poder pagar um serviço maior (ex: uma pintura, um serviço de hidráulica). Outro sócio pode estar sem bônus porque consumiu muito e produziu pouco. No caso de um desvio excessivo, o associado deve ser lembrado das regras do clube, para corrigir esse desequilibrio, produzindo ou consumindo mais.
  • É sempre bom lembrar os sócios que todo mundo possui alguma riqueza para oferecer, por exemplo: fazer doces, artesanato, oferecer produtos cultivados em seu jardim, contar história para crianças e até mesmo escutar aqueles que gostariam de conversar sobre seus aborrecimentos e dificuldades.

18. Mudanças no modo de agir

Fazer trocas dentro dos princípios dos clubes de trocas tem também outras conseqüências positivas no modo de agir das pessoas, como por exemplo:

  • num ambiente em que o dinheiro não comanda as coisas , nem há busca de lucro e de tirar vantagem, as relações deixam de ser competitivas e se estabelece uma solidariedade que traz satisfação para todos;
  • começa a se recuperar a auto-estima de quem se sente marginalizado e descobre que tem o que oferecer;
  • a criatividade é despertada;
  • a capacidade de produzir se desenvolve;
  • as trocas como forma de relação com os outros são valorizadas;
  • aprende-se a evitar desperdícios;
  • promove-se um intercâmbio de saberes.

19. Outras Fontes:

Matérias - Sustentabilidade - Agricultura, cooperativismo


(2005/10/02) Texto no jornal O Estado de São Paulo: http://txt.estado.com.br/editorias/2005/10/02/eco060.html

Domingo, 2 de Outubro de 2005

Cooperativa tira negócio da falência

Há cinco anos, as 800 famílias de Benevides, município a 20 quilômetros de Belém, que viviam em função da Amafrutas, fabricante de suco concentrado de maracujá, de repente ficaram sem fonte de renda. A empresa faliu, após um mal sucedido processo de transferência de controle. A saída, para as famílias, foi assumir o que restou do negócio, formando uma cooperativa. Elas também mudaram o nome da empresa para Nova Amafrutas. A operação de salvamento rendeu frutos, literalmente. No final de 2004, a capacidade de produção foi ampliada de 26 mil toneladas para 59 mil toneladas, com a inauguração de uma nova fábrica, na qual foram investidos R$ 15,8 milhões. Além do maracujá, a Nova Amafrutas passou a trabalhar com laranja, acerola e abacaxi. Este ano, a Nova Amafrutas deve faturar R$ 17 milhões. Em 2009, a meta é obter R$ 41 milhões, com a produção de 86 mil toneladas.


-- TupiDaTaba - 14 Oct 2005

Matérias - Sustentabilidade - Reciclagem, empreendedorismo


(2005/10/02) Texto de João Paulo Nucci no Jornal O Estado de São Paulo: http://txt.estado.com.br/editorias/2005/10/02/eco061.html

Domingo, 2 de Outubro de 2005

O espírito nômade de Pizzonia não resistiu a Manaus

Pai de Antônio Pizzonia, da Fórmula 1, Reginaldo rodou pelo País antes de fazer fortuna com a reciclagem de lixo

João Paulo Nucci

MANAUS - Antônio Reginaldo Pizzonia gosta de acelerar. “Só ando chutado”, diz o pai de Antônio Pizzonia Jr., piloto da equipe Williams de Fórmula 1. Todos os dias, por volta das 6 da manhã – mesmo aos sábados e domingos –, o empresário de 58 anos corta as ruas de Manaus ao volante de seu Passat blindado. As avenidas que dão acesso ao distrito industrial o ajudam a extravasar seu instinto veloz (embora jamais ultrapasse os limites de velocidade, garante). Pizzonia quer ser sempre o primeiro a chegar na sede da Coplast, a empresa que construiu a partir do nada nos últimos 28 anos. “Isso aqui é minha vida. Trabalho 16 horas por dia com prazer.”

A Coplast é a maior recicladora de resíduos plásticos de Manaus. A fábrica tem 503 funcionários e presta um serviço importante a clientes como Gillette, Honda, Philips, CCE, Gradiente e Semp Toshiba. Ela recolhe todos os resíduos – de lâmpadas queimadas a produtos tóxicos – e recicla todo tipo de plástico. Na Riolimpo, outra de suas empresas, ele recicla pneus usados e metais. Pizzonia é do tipo de empresário que tem medo de revelar seu faturamento. Mas percebe-se pelo ritmo de trabalho nas empresas e pelos sinais exteriores de prosperidade das organizações que o dinheiro não tem faltado.

Pizzonia não tem dívidas. Só investe com recursos próprios. Nos dois últimos anos, aplicou US$ 2,3 milhões, à vista, nas máquinas e equipamentos de uma nova empresa, a Injetados da Amazônia, fornecedora de peças plásticas para a Honda. Este ano, planeja crescer 5% em relação a 2004.

Porta Aberta

O empresário não gosta de ostentar. Vai trabalhar de camiseta e seu escritório improvisado – o oficial está em reformas – é mais despojado do que o de uma repartição pública. A porta está sempre aberta e o movimento é intenso. Enquanto atende um comprador, discute algum assunto pelo telefone ou negocia com o vendedor que há 25 anos fornece medicamentos para os funcionários da empresa.

Rico e de bem com a vida, o empresário tem uma trajetória movimentada. Filho de italianos, nasceu em São Carlos, interior de São Paulo. Aos 13, saiu de casa para trabalhar numa lanchonete em Campinas. Abandonou os estudos na sexta série. Aos 15, vendia quadros de santos em Londrina. Depois, vendeu enciclopédias de cidade em cidade. Passou por Campo Grande, Cuiabá, Ji-Paraná e outras, sempre no rumo norte.

Apaixonou-se em Manaus pela mulher que lhe daria cinco filhos (duas mulheres e três rapazes) e resolveu ficar. Na época, 1976, a Zona Franca estava começando a decolar. Seu primeiro negócio no Amazonas – uma distribuidora de doces – faliu na primeira semana. “Tentei trazer a mercadoria de São Paulo e chegou tudo estragado.”

Passou, então, a percorrer o distrito industrial em busca de lixo. “Comecei como catador”, lembra. Deu certo. Hoje, é tratado como fornecedor pelas mesmas grandes empresas que um dia o receberam como catador. Sair de Manaus? “Nunca. Essa cidade me deu tudo. É aqui que eu quero deixar meus ossos.”


-- TupiDaTaba - 14 Oct 2005


Retirei os anúncios Google, você não pode colocar eles aqui. Reserve-se a fazer isso em sites seus, o que não é o caso aqui.

-- AntonioTerceiro - 16 Oct 2005


Falai' Antonio, mil graus. Liga q nao concordo com sua atitude e tb considero o wiki como propriedade coletiva, tipo meu tb, mas tá valendo. E' mais facil tirar do q por. Se pam o esquema google ad sense seria uma das formas descentralizada e autonoma de remunerar as contribuicoes aqui nessa goma. Mas na paz, a revolucao nao sera' televisionada! Fui, nem me viu.

-- TupiDaTaba - 17 Oct 2005



Cultura Wiki


Viver a cultura wiki significa colaborar, somar, ajudar, "linkar" e mais algum infinitivo do gênero. Você deve estar pronto a trabalhar em cima de algo pré existente, assumindo que alguém vai modificar o que você está fazendo e isso significa crescimento, desenvolvimento. Um tópico wiki bem feito (que normalmente pode ser visto como uma página web) deve ter uma boa soma de 'links'. Não tenha medo, é válido. Todo conteúdo - que pode ser desenvolvido a partir do conteúdo que está sendo gerado - pode ser um novo tópico linkado e criado a partir deste e todo conteúdo pre existente relacionado a este também, seja lá onde estiver. E isso tudo deve acontecer tentando-se ignorar a hierarquia entre os usuários. Assim a cultura wiki desenvolve o conhecimento hipertextual, a ciber-democracia e a "linkania".

Em um ambiente wiki não existem "chefes", apesar de ser normal o desenvolvimento natural de lideranças (a não ser nos casos em que se reflete o funcionamento da instituição em que o wiki é usado). Não existem intermediários como o 'webmaster' com síndrome de Don Corleone, citado em WhyWikiWorks. Na cultura wiki, líderes devem ser discretos para permitir a evolução natural do conteúdo. Confie, sempre evolui.

Colaborar pela forma Wiki é diferente de colaborar por outras ferramentas como Usenet, Blogs, PHP-Nuke ou similares. A cultura Wiki distingue-se destas ferramentas (principalmente) nos pontos:

  • Wiki não é WYSIWYG. Apesar de não exigir grande conhecimento técnico, ele é um teste de inteligência e sorte para encontar individuos aptos e comprometidos a colaborar com uma página wiki. Wiki não é ciência aero-espacial, mas não se parece com "assistir tv". Se não atrai pessoas sem interesse, então essas não participam, deixando para quem lê e escreve o desenvolvimento do discurso racional. Apesar disso existem idéias para dar a funcionalidade WYSIWYG para ambientes onde é interessante a colaboração de pessoas sem capacitação técnica.

  • Wiki está distante do tempo real. As pessoas têm tempo para pensar, com freqüência dias ou semanas, antes de criarem uma página wiki. Assim, o que as pessoas escrevem é gradualmente levado em consideração.

  • Toda e qualquer informação pode ser apagada por qualquer um. Páginas Wiki não representam nada mais do que discussão e consenso porque é muito mais fácil apagar 'flames', 'spams', e trivia do que satisfazê-los. O que permanece é naturalmente significante.

  • Qualquer um pode jogar.

Então, todos podem editar uma página? Isto não leva ao caos?

Isso pode soar arriscado ou comprometedor para o conteúdo, mas na prática não é. Certamente um wiki é atingido por "mensagens sujas" tanto quanto qualquer outro site, mas para causar algum tipo de impacto no wiki você precisa estar apto a gerar conteúdo. Deste modo, qualquer um pode jogar, mas somente os bons jogadores tem vontade de continuar jogando. Essa abertura é praticada desde o início do wiki original e por várias instâncias de clones wiki.

Fonte: Curso Completo de TWiki do PSL-Ba

Veja também outras páginas WEB fundamentadas na Cultura Wiki:

Matérias - Sustentabilidade - Reciclagem, Alimentação, Artesanato, Agricultura

(2005/10/02) Texto de Célia Chaim no Jornal O Estado de São Paulo: http://txt.estado.com.br/editorias/2005/10/02/eco064.html

Domingo, 2 de Outubro de 2005

Do coco do Pará nada se perde, nem a casca

A paraense Poematec produz assentos para automóveis

Por Célia Chaim

ANANINDEUA - Um coco do Pará, aparentemente, só entraria num carro Daimler - Chrysler como um delicioso produto de consumo. Mas não é isso que acontece no Distrito Industrial de Ananindeua, na região metropolitana de Belém. Processada, a fibra da casca do coco vira a base do assento e do encosto de veículos. A Poematec, empresa de pequeno porte e grandes ambições, faz isso. Era fornecedora para o modelo Classe A, que deixou de ser produzido na fábrica de Juiz de Fora (MG), da Mercedes-Benz, subsidiária brasileira da Daimler-Chrysler, mas continua produzindo assentos e encostos para os caminhões da empresa, em São Bernardo do Campo (SP). Trata-se de um bem-sucedido empreendimento de caráter público-privado: uma parceria entre o setor privado, a Daimler Chrysler, que investiu R$ 8 milhões na aquisição das máquinas da fábrica (cedidas em comodato), e o setor público, por intermédio do Governo do Pará, do Banco da Amazônia e da Universidade Federal do Pará.

O modelo de negócios da Poematec procura aliar o respeito ao meio ambiente ao respeito social. A matéria-prima utilizada na fábrica é fornecida por oito unidades de processamento de fibras, todas localizadas no Pará, administradas por cooperativas comunitárias e por uma plantação de seringa revitalizada. Situada em área de assentamento da reforma agrária, a plantação gera trabalho para 500 famílias na coleta da seringa. Até 2006, serão cerca de 3 mil seringueiros em atividade.

A linha de produção da Poematec não se restringe em atender ao setor automotivo. Com a fibra do coco, a Poematec produz vasos, placas, estacas, adubo de pó de coco, lâminas para colchões e mantas de fibra de coco. Segundo Oscar Donizeti Lavine, diretor de Tecnologia da Poematec, todas as peças contêm tanino natural da fibra de coco (fungicida), que substitui produtos procedentes de fontes não sustentáveis.

O faturamento da empresa é de R$ 3 milhões por ano. Em agosto, a Poematec embarcou o primeiro contêiner de vasos e placas montadas da linha Amazon Garden para os Estados Unidos (o uso da fibra de coco é uma alternativa sustentável para substituir o xaxim, hoje ameaçado de extinção). No total serão exportados 10 mil itens. O material foi comprado pela Universal Taste, uma empresa sediada em Miami, que vende produtos de origem amazônica. Valor aproximado do negócio: US$ 30 mil.”Ainda é pouco”, diz Lavine. “Mas é o começo de alguma coisa que pode crescer muito.”

Capacidade para crescer a Poematec tem. Sua fábrica é equipada com máquinas de tecnologia de ponta, em parte compradas da empresa alemã F.S. Fehrer, e está instalada em uma área construída de 3,1 mil metros quadrados. Atualmente, a fábrica produz 20 toneladas por mês, podendo chegar a 80 toneladas caso crie o terceiro turno de trabalho. Isso significaria 120 postos de trabalho a mais.


Fonte: http://txt.estado.com.br/editorias/2005/10/02/eco055.html

O capim-dourado se transforma em brincos

O capim-dourado, que sempre cresceu na região do Jalapão, no Tocantins, transformou-se na fonte de renda de mais de 500 artesãos do lugar. E com vantagens. Utilizado na produção de bolsas, brincos e colares, o capim começa a ser visto como um recurso importante. O motivo é simples: quatro bolsas de capim-dourado podem ser feitas em uma semana e rendem o mesmo lucro de um boi, depois de três anos de engorda.

-- TupiDaTaba - 14 Oct 2005

Economia da Exclusão versus Economia da Inclusão

(artigo escrito por Douglas e Monserrat)

Este artigo se propõe a realizar uma análise sobre o desenvolvimento de alternativas ao capitalismo sobre o prisma econômico, político e ideológico. No Brasil, esta alternativa está encarnada no projeto da Economia Popular Solidaria, que segundo Singer (2002), este movimento configura-se como uma luta histórica dos trabalhadores diante da exploração do trabalho.

-- DouglasMartins - 19 Jun 2007

Esqueleto do artigo

1. Introdução

O presente artigo se propõe a fazer uma comparação analítica entre os modelos de economia capitalista tradicional, porém na sua fase mais atual que é o neoliberalismo com hegemonia do capital especulativo parasitario, e a economia popular solidária enquanto alternativa de vida para trabalhadores e trabalhadoras dispensáveis sob a ótica do capital, à luz de uma interpretação critica de suas diferenças, seus antagonismos, relações de interdependência e dinâmicas existentes entre as mesmas. Cabe ressaltar que a perspectiva de analise aqui adotada terá como enfoque a capacidade de inclusão e exclusão de cada uma delas, tanto no interior de suas unidades produtivas e as praticas de organização do trabalho, como também externamente, passando pelo plano macro de interação das forças econômicas, e quais os impactos que estas questões objetivas da estrutura econômica influencia subjetivamente os trabalhadores, no que diz respeito a formação do capital social das organizações sócio-políticas e econômicas desta classe. Para evitar analises desconexas e mecânicas entre esses dois projetos políticos de organização econômica que possuem entre si laços dialéticos de desenvolvimento e influencias recíprocas, não propomos apresentar definições acabadas, pois os fenomenos sociais são processos em constante transformação, movidos por uma dinamica decorrente de suas contradições internas que não podem ser captadas por definições. Os movimentos implicam sempre em metamorfoses, que são passiveis de descrição e compreensão, mas nunca de definição. Vamos trazer a tona alguns elementos históricos que nos permitam compreender em que momento e sob quais condicionantes nasce a economia solidária, e de que maneira o referencial valorativo herdado dessas experiencias passadas influem na construção da EPS na contemporaneidade.

2. Contexto histórico e teórico

A Economia Solidaria nasceu um pouco depois do capitalismo industrial, em meados do século XIX, como reação ao espantoso empobrecimento dos artesãos provocado pela ampliação de instrumentos mecanizados na produção e também pelo modo de organização fabril da industria em desenvolvimento, que teve como pátria- mãe a Grã- Bretanha. A extração de mais-valia absoluta alcançava níveis altíssimos, envolvendo não somente homens mas também mulheres e crianças, inexistindo amparo legal que regulamentasse as relações trabalhistas – colocando em risco a reprodução biológica do proletariado. Tem inicio um movimento de defesa dos trabalhadores contra os efeitos nocivos da industrialização capitalista, que teve no sindicalismo operário e no cooperativismo suas vertentes mais expressivas. As primeiras cooperativas eram formadas por operários, que foram fundadas no fim dos anos 20 e começo dos anos 30 do século XIX, originadas de greves ou diretamente de grupos locais de sindicalistas, que haviam sofrido rebaixa de salário ou falta de emprego. Em outros casos, era formada por pequenos grupos de trabalhadores que simplesmente se uniam sem qualquer patrocínio formal e iniciavam sociedades por conta própria. A luta dos trabalhadores utilizava de dois instrumentos: dos sindicatos, para aumentar os salários, diminuir a jornada de trabalho – amenizar as contradições de trabalho impostas pelo capital – e as cooperativas, que disputavam mercados com os capitalistas, traçando assim uma estratégia mais profunda para alem tentar influenciar na hegemonia de produção e consumo de mercadorias do grande mercado industrial em ascensão, mas construir as bases objetivas de uma nova ordem social. Alguns teóricos caracterizam esta fase como cooperativismo revolucionário, devido às conquistas e ao grau de mobilização e organização jamais vista de forma tão nítida, ultrapassando os limites locais de aglutinação e alcançando uma projeção nacional, como a Grande União Nacional Moral das Classes Produtoras. Dentre as varias ramificações e classificações das cooperativas quanto a natureza da atividade produtiva, foi o cooperativismo de consumo quem desempenhou um importante papel na difusão do cooperativismo na Europa. A mais famosa cooperativa de consumo, a cooperativa dos Pioneiros Eqüitativos de Rochedale, estabeleceu uma carta de princípios que até hoje inspira o cooperativismo e sua legislação a nível mundial. Na Inglaterra e nos Estados Unidos várias comunidades ou aldeias cooperativas foram criadas no século XIX, mas não conseguiram manter-se por mais de alguns anos, as numerosas experiências de cooperativas operárias lideradas pelo movimento sindical inglês, após vários êxitos e avanços democráticos, foram extintas pela feroz reação da classe patronal e pela declarada hostilidade do governo. Os principais precursores do pensamento cooperativista são os chamados socialistas utópicos, assim chancelados por Karl Marx, devido a inconsistência dos caminhos propostos por estes pensadores como estratégia para construção do socialismo. Esses pensadores surgiram na Inglaterra e na França, isto é, nos países pioneiros no progresso intelectual e do desenvolvimento industrial da época moderna. As figuras mais ilustres são Robert Owen (1771-1858) - grande protagonista dos movimentos sociais e políticos na Grã - Bretanha nas décadas iniciais do século XIX e considerado o pai da cooperativa inglesa e também da cooperativa moderna. Chama a atenção o fato que os empreendimentos de economia social surgem geralmente em cachos, sob o impulso de uma dinâmica sócio-econômica fruto de uma grande crise econômica (Lévesque, Malo e Girard) da economia de mercado. Dando um pequeno salto no tempo histórico, passando do fim do século XIX para os anos 70 do século XX, uma nova crise cíclica do capitalismo levou milhões de trabalhadores a miséria. Um fenômeno estrutural começava a se configurar não somente no plano econômico, mas também nas esferas social e política: o neoliberalismo. Esse fenômeno não surgiu ao acaso, estava diretamente conectado as transformações geopoliticas que o todo o mundo atravessava: o socialismo soviético e do leste europeu apresentava os primeiros sinais de sua derrocada, o capital apresentava novas exigências de mercado e para isso precisava retirar as concessões feitas aos trabalhadores durante o período da Guerra Fria, chegando ao fim o Welfere State. O governo que inaugurou esta nova maneira de administrar a crise de acumulação produtiva foi o de Margareth Tacher, na Inglaterra. Entre 1980 e 85 foram criadas em massa cooperativas de trabalhadores em toda a Europa (Defourny, 2001), na tentativa de salvar postos de trabalho liberados pelo padrão de emprego formal. Com a bancarrota do socialismo russo, que teve na queda do muro de Berlim uma expressão simbólica, o campo capitalista obteve carta branca para impor uma nova ordem e hegemonia mundial, acirrando um processo, que já vinha em curso, de internacionalização de cadeias produtivas e conseqüente poderio do capital financeiro internacional. Os efeitos dessa reorganização no modo de produção das empresas e do novo padrão de concorrência, influenciaram drasticamente na natureza das relações de trabalho contemporâneas e na formas de luta e reinvidicação dos movimentos sociais populares. Para descrever melhor as transformações no mundo do trabalho, é interessante perpassarmos pelas mutações ocorridas no mundo do capital, como as novas matrizes tecnológicas e o novo padrão de circulação das riquezas produzidas. O que define hoje o capitalismo contemporaneo sobre os significados do processo conhecido como globalização e que permite apresenta-lo em uma nova fase de desenvolvimento, consiste na financeirização da economia ou da generalização do movimento especulativo do capital. A financeirização econômica – predominante a partir do surto da ideologia neoliberal nos anos 80 - consiste numa nova forma de definir, gerir e realizar riqueza, colocando em confronto o capital bancário versus o capital industrial/comercial, pois os investimentos não visam mais a produção, mas a valorização monetária. É interessante também compreender a relação Estado – Mercado nessa nova engenharia econômica, já que a premissa básica é o Estado liberal e auto-regulação dos mercados, na perspectiva de retirar ou enfraquecer a capacidade regulatória do primeiro sobre o segundo. O estado nesta lógica, aplica políticas das quais considera imprescindíveis a participação das corporações capitalistas multinacionais, garantindo livre transito para que estas construam suas dinâmicas. Soma-se a este contexto, o fato de que os meios de produção, distribuição, consumo, financiamento e patentes de tecnologia estão concentrados nas mãos dos mesmos conglomerados empresariais que, com o suporte do estado, são geradores de oferta e criadores de demanda. Com isso, os paises capitalistas periféricos atuam com a permissão e acompanhamento dos estados centrais, através de planos e pacotes de desenvolvimento dependente. Estes por sua vez, tem como elementos organizadores de sua economia o lucro, a competição, a acumulação e a hegemonia alcançada pela superioridade e poderio econômico e militar. Há, portanto, uma nítida relação direta entre estado e economia, e podem atuar conjuntamente como elaboradores, gerenciadores, controladores e organizadores de políticas econômicas que interferem na estrutura de desenvolvimento de um determinado pais ou região. O tipo de estrutura estatal dependerá do estagio de desenvolvimento capitalista de determinada economia.

A EPS no Brasil

As primeiras cooperativas foram criadas no Brasil no começo do século XX, trazida pelos emigrantes europeus. As principais eram as cooperativas de consumo, concentradas mais nas cidades, e as agrícolas. Com o tempo, as cooperativas agrícolas se tornaram grandes empreendimentos agroindustriais e comerciais, perdendo seu caráter popular e autogestionário. A EPS teve seu período de renascença justamente na década de 80, com o surto da ideologia neoliberal, em que o processo de desindustrialização diminuiu postos de trabalho e provocou desemprego em massa e precarização das relações trabalhistas. E exclusão social deu força para o seu crescimento. A Caritas, órgão da Igreja Católica vinculada a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) começou a desenvolver programas de financiamento dos chamados Projetos Alternativos Comunitários (PAC’s), que eram iniciativas de geração de trabalho e renda através do trabalho associado nas periferias dos grandes centros a nas zonas rurais do país. Com o tempo, se tornaram unidades de economia solidária, apresentando como características fundamentais de organização interna a autogestão e a livre associação, e externamente a construção de cadeias produtivas - em que prevaleciam as relações de solidariedade e ajuda mutua – e o desenvolvimento endógeno, ou seja, a partir do potencial sócio-economico e cultural da comunidade. Atualmente, as modalidades mais expressivas da EPS no Brasil é a Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária do Brasil – CONCRAB - que constituem cooperativas de assentamentos rurais do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), unidades autogestionarias que incentivam modelos de produção agroecológicos; a Associação Nacional dos Trabalhadores de Empresas Autogeridas – ANTEAG – que articula e assessora os movimentos de ocupação de fabricas falidas pelos trabalhadores e a União das Cooperativas de Agricultura Familiar da Economia Solidária – UNICAFES. Alem desse existem inúmeros outros movimentos e entidades que congregam empreendimentos populares, vinculados ou não a federações ou confederações. Existem também organizações que fomentam, mobilizam, articulam e assessoram grupos populares a se organizar de forma associativa, como as Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares, que são programas de extensão universitária que auxiliam no desenvolvimento e aplicação de metodologias de incubação, atuando na capacitação, formação e politização de trabalhadores e trabalhadoras desempregados ou em situação de risco. A primeira incubadora surgiu em 1996, na UFRJ, e hoje já são cerca de 33 unidades espalhadas por universidades de todas as regiões do país. Outra entidade de fomento importante é a Agencia de Desenvolvimento Solidário (ADS), ligada a Central Única dos Trabalhadores (CUT), maior central sindical do país. A EPS no Brasil organiza-se principalmente no Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES), entidade de convergência entre os empreendimentos econômicos solidários (cooperativas, associações, ligas, uniões, clubes de troca, fabricas ocupadas), as entidades de fomento e os gestores públicos. A idéia de construção do fórum foi germinada durante a realização do Fórum Social Mundial, que desde 2001 tinha um GT brasileiro sobre Economia Solidária, de modo mediar a participação do Brasil nas discussões internacionais. A concretização do projeto veio em 2004, na III Plenária Nacional de EPS, que cria o FBES e define também sua composição e forma de funcionamento. O caráter do fórum seria essencialmente de mobilização dos sujeitos da EPS no Brasil e de interlocução junto ao governo. Outro avanço importante, só que do ponto de vista institucional, foi a criação da Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES), em 2003, pelo governo Lula, vinculada ao MTE e principal órgão de elaboração e implementação de políticas publicas. Em 2005, ocorreu a I Conferencia Nacional de Economia Solidária, que do ponto de vista político significou uma oportunidade importante de definição de rumos, de levantamento de problemas e eleição de prioridades, construção de conceitos e elaboração de estratégias, visando maior organicidade e sinergia para os (as) militantes sociais que estão empenhados neste projeto.

3. A dupla exclusão no mercado capitalista

4. Inclusão interna: a cooperativa autogestionária

5. Inclusão externa: a produção cooperativa em rede de software de código aberto

6. Possibilidade de dupla inclusão em um mercado solidário

7. Economia da Exclusão versus Economia da Inclusão

8. Conclusão

9. Referências Bibliográficas

-- JoseMonserrat - 19 Jun 2007

Veja PSLBA:EconomiaSolidaria

-- AntonioTerceiro - 07 Jan 2005

O que é Economia Solidária ?



A Economia Solidária é um jeito bem diferente de produzir, vender, comprar e trocar o que é preciso para se viver. Sem explorar ninguém, sem querer levar vantagem, sem destruir o meio ambiente. Cooperando, fortalecendo o grupo, sem patrão nem empregado, cada um pensando no bem de todas/os e no seu próprio bem. Dessa forma, a economia Solidária é uma prática social regida pelos valores da autogestão, democracia, cooperação, solidariedade, respeito à natureza, promoção da dignidade e valorização do trabalho humano, tendo em vista um projeto de desenvolvimento sustentável global e coletivo. Também é entendida como uma estratégia de enfrentamento e superação da exclusão social e da precarização da relações de trabalho, sustentadas em formas coletivas, justas e solidárias de geração de trabalho e renda.


De onde vem essa idéia?

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A economia solidária não é algo que aconteceu por decreto, nem é fruto de uma cabeça privilegiada que, em um momento inspirado, se deu conta de que, assim como estamos as coisas só irão de mal a pior. A economia Solidária é então um movimento social amplo e profundo, cujas raízes históricas se encontram nas ações lutas de organizações de trabalhadores como o cooperativismo, de movimentos populares, de grupos engajados nas universidades e nas igrejas. Um movimento vivo, dinâmico, que se fortalece e organiza cada vez mais e que começa também a contar com o apoio dos governos.

Assim, pessoas do mundo inteiro estão se unindo para fazer e vivenciar essa economia solidária porque sabem que os frutos da economia capitalista dominante, como exclusão social, desemprego e degradação do meio ambiente, são muito amargos e sacrificantes. Rompendo com a lógica do lucro a qualquer custo, na economia solidária o mais importante é a vida. Para tanto, essa economia funciona à partir de empreendimentos onde todo mundo decide em conjunto, cooperando sem hierarquias ou patrões. Ou seja, onde não existe o “trabalho-proprietário” (assalariado) que separa aquelas/es que produzem do fruto do seu trabalho, tirando a sua liberdade de uso e distribuição sobre o que se produz. Pratica-se, nessa outra economia, a autogestão, um processo democrático de decisão em que todas/os são livres e responsáveis pelo que fazem no grupo econômico do qual participam.

Como isso acontece na prática?

A economia solidária não é um sonho distante. Ela está acontecendo aqui e agora. E está crescendo rapidamente, se espalhando em todo o planeta, em milhares de empreendimentos econômicos como por exemplo:

1. Empresas Autogestionárias

Empresas autogestionárias são empresas que passaram a ser autogeridas pelos próprios trabalhadores, normalmente, após os antigos donos terem decretado falência. Neste caso, a nova administração passa à ser constituída pelos próprios empregados, organizados em sociedade cooperativa ou análoga.

A recuperação de empresas pelos trabalhadores é experiência histórica da qual se dispõem registros desde pelo menos o século XIX. No Brasil, eventos desta natureza vêm se multiplicando desde a última década do século passado. Empresas recuperadas pelos trabalhadores são praticamente sempre antigas, com uma alta proporção de empregados velhos, que se encontram na firma há muito tempo. A longa convivência permite que fortes laços de confiança e solidariedade se desenvolvam entre os trabalhadores, reforçados pela participação comum em lutas de classe. A confiança mútua é elemento essencial para que os empregados da empresa em crise se unam para salvar seus postos de trabalho por meio da assunção da mesma. Em geral, os trabalhadores se organizam em algum tipo de sociedade e solicitam o arrendamento da massa falida ao juiz encarregado da falência.

Desta forma, muitas tentativas de recuperação empresarial pelos trabalhadores acabam dando certo. Os trabalhadores passam por um processo de capacitação em gestão empresarial e de prática de autogestão e após um período de sacrifícios, conseguem reabilitar a empresa. Na recente experiência brasileira, a quase totalidade das empresas recuperadas o foram pelos seus ex-empregados organizados de forma cooperativa. Isto significa que todos eles se tornam possuidores do empreendimento por igual, cada indivíduo dispondo de um voto numa administração em que os responsáveis são escolhidos pelo conjunto e as decisões de alguma importância são tomadas por voto, em reuniões gerais.

Os benefícios derivados da recuperação duma empresa vão além dos que resultam da fundação duma empresa nova, com as mesmas características. É que a nova empresa teria de passar por um período de aprendizagem, que em geral leva anos, até que seu pessoal adquira as habilidades e a capacidade de colaborar e trabalhar em conjunto que constituem o capital invisível duma empresa que já está no mercado há muito tempo. É por razões como estas que a legislação dos Estados Unidos oferece proteção às empresas em crise contra seus credores, tendo em vista dar-lhes chance de serem recuperadas, e que nossa própria legislação de falência está sendo reformulada.

Mas, aos benefícios de qualquer recuperação de empresas, acima delineados, acrescem-se outros que decorrem do fato de que a recuperação seja protagonizada pelos próprios trabalhadores das empresas em questão. A autogestão, em contraposição à gestão heterônoma (capitalista), distribui a renda gerada pela atividade empresarial de maneira aproximadamente igualitária entre todos que a realizam, em lugar de concentrar grande parte dela nas mãos dos proprietários do capital. Da mesma forma, a autogestão distribui o conhecimento e a competência gerencial entre todos que integram a sociedade, que possui e opera a firma, em vez de concentrá-los numa delgada camada de diretores e dirigentes. Em outras palavras, a autogestão torna a atividade econômica mais democrática e – à medida que se difunde – torna a sociedade inclusiva também mais democrática. Ou menos desigual e plutocrática do que seria se todos empreendimentos fossem dominados e explorados por uma pequena minoria proprietária da maior parte do capital. (Fonte: Artigo de Paul Singer)


2. Associações e cooperativas de produção e serviços

(Em construção...)


3. Finanças solidárias

O enfrentamento da perversidade sistêmica da globalização acontece por meio do desenvolvimento de uma consciência crítica ao sistema, pela conformação de grupos de pressão política contrários aos ditames da atual ordem sócio-política e econnômica e pelo desabrochar de práticas sociais contra-hegemônicas. Assim, por exemplo, o desenvolvimento de práticas de democracia direta e participativa para enriquecer e questionar os limites da democracia representativa. Do mesmo modo, na economia, pelo crescimento das formas autogestinárias e cooperativas de produção, pelo consumo consciente, ambiental e socialmente justo. E no campo das finanças, pelo surgimento das experiências e ações das finanças solidárias. Novos tratamentos da temática da poupança, novas finalidades para ela, novos tramentos das opções de investimento, novos tratamentos para o problema dos riscos do crédito, e portanto para o desenvolvimento de formas de garantir operações de financiamento, que permitam aos pobres acessar os recursos disponíveis para alavancar novos padrões de desenvolvimento humano. Resgatar a moeda como ferramenta de convivialidade e não como mecanismo de espoliação. Tais são alguns dos desafios para um sistema de finanças solidárias.

3.1 Organizações das finanças solidárias

Apesar de relativamente pouco conhecido, o movimento de finanças solidárias possui já um lastro histórico de cerca de dois séculos, se buscarmos suas origens no cooperativismo de crédito inspirado nos movimentos de Rochdale. Ao longo deste período, foi assumindo diversas formas organizacionais e diversificando as modalidades de sua intervenção.

Nos anos recentes, principalmente a partir dos anos de 1970, especialmente com a repercussão da experiência do desenvolvimento do microcrédito em Bangladesh, de constituição do Graemen Bank, sob a liderança do prof. Mohammed Yunus, este tipo de movimento passou a ser mais conhecido e estudado.

Dentre os tipos das organizações de finanças solidárias, deste modo, podemos citar:

  1. cooperativismo de crédito;
  2. organizações de microcrédito e microfinanças;
  3. bancos comunais;
  4. fundos solidários;
  5. moedas sociais;
  6. bancos alternativos;
  7. sociedades de garantia;


4. Clubes de troca e moeda social

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Clubes de Troca são espaços onde a gente leva coisas para trocar e não precisa levar nenhum real, só o dinheiro do clube. É uma pequena feira, um mercado de tipo diferente. As pessoas levam para essa feira o que produzem e que poderiam vender e também anunciam em cartazes o que sabem fazer.

O princípio do clube de trocas é o seguinte: todos nós sabemos fazer alguma coisa: cortar cabelo, consertar um carro, pintar uma parede, tomar conta de crianças, dar aula de reforço escolar etc. E muitas vezes no terreno da casa da gente dá para plantar algum tomate, ou alface, ou até para ter umas galinhas botando ovos. A gente também tem muitas vezes em casa coisas que não usa mais, mas que ainda estão em um muito bom estado. Mas não temos como vender essas coisas. Não temos licença para vender na feira, ou no mercado, não temos escritório nem oficina montada, nem salão de cabeleireiro e nem temos onde dizer que sabemos ou que fazemos isto ou aquilo. O clube de trocas cria essa possibilidade usando uma moeda social em vez de dinheiro.

A grande descoberta desse sistema é que a gente pode trocar as coisas que leva para a feira por outras coisas que a gente precisa, sem usar nenhum real. Cada clube de trocas cria sua própria moeda3 . Ela pode ter qualquer nome que os participantes do clube escolham. No Rio de Janeiro chama "Tupi", no Ceará chama "Palmas", no Rio Grande do Sul tem o "Pampa Vivo", num bairro de São Paulo chama "Lua", em outro chama simplesmente "Bônus".

Essa moeda só serve no clube. Lá dentro ela é usada como se fosse dinheiro. Ela possibilita que todos troquem com todos coisas de diferentes valores. Ela vai permitir, por exemplo, que eu ofereça sabão e aulas de ginástica para obter de várias pessoas arroz, feijão e a pintura da minha cozinha.

Mas fora do clube ela não pode ser trocada por dinheiro e nem substitui o dinheiro. Por isso eu não posso usar um bônus para tomar condução, para comprar leite na padaria, e nem adianta eu querer economizar juntando um monte de bônus. Mas eu posso propor para minha vizinha cuidar do meu nenê enquanto vou ao dentista e pagá-la com bônus, pois ela freqüenta o mesmo clube de trocas que eu. Portanto os bônus serão úteis para ela como se fosse dinheiro.

Desta forma, pode-se dizer que a moeda social não é um sistema alternativo e sim complementar à economia. Ela é produzida, distribuída e controlada por seus usuários. Por isso, o valor dela não está nela própria, mas no trabalho que pode fazer para produzir bens, serviços, saberes. Esta moeda não tem valor até que se comece a trocar o produto pelo produto, o serviço pelo serviço, o produto pelo serviço ou o serviço pelo produto. A moeda começa a servir como mediadora destas trocas. Ela é diferente também porque não está ligada nenhuma taxa de juros, por isso não interessa a ninguém guardá-la, mas trocá-la continuamente por bens e serviços que venham responder às nossas necessidades. Ela é livre!

4.1. Quando surgiram os Clubes de Troca?

Em diversos países, nos últimos vinte anos, começaram a aparecer diferentes formas de fazer transações sem moeda, seja por um sistema de contas, no qual cada pessoa tem direito a certa quantidade de débito (dívidas) e certa quantidade de crédito (poupança), seja pela utilização de alguma forma de vales e bonus feitos, distribuídos e controlados pelos mesmos. As experiências pioneiras foram os LETS (Let’s play significa “joguemos”) iniciados por Michael Linton em Vancouver (Canadá) em 1983, disseminados na Inglaterra, Escócia, Noruega, Finlândia, Bélgica, Holanda, França e Austrália.

Apareceram então, a partir de 1992, os Talentos de Aarau (Suíça) e os sistemas SHARE e as HORAS de Ithaca (Estados Unidos) que, impulsionadas por Paul Glover como formas de moeda destinadas a promover o desenvolvimento local, contam hoje com mais de 700 iniciativas, somente neste país. No México, a partir de 1995, no âmbito de PDP (Promoción del Desarrollo Popular) desenvolveram- se os “tianguis” com suas moedas denominadas Tlaloc e tequios, impulsados por Luis Lopezllera e Cristina Lavalle.

Na Argentina, a partir de 1995, apareceu um sistema que combinou ambas as formas e hoje funciona, principalmente, com vales emitidos em forma descentralizada pelos grupos de usuários. A estratégia teve um resultado extraordinariamente fértil, pois que em cinco anos passou de um grupo pequeno de vinte pessoas para mais de um milhão! Hoje é conhecida como Rede de Trocas e é considerada uma forma de economia solidária, já que nela todos colaboram entre si, sejam produtores e consumidores: todos tomam da rede na mesma medida que oferecem, a moeda nela utilizada não pode ser acumulada nem utilizada no mercado formal. Ademais, a adoção de doze princípios (mais éticos que organizacionais), como orientação das práticas da rede, garante certa homogeneidade, e , se observada, a transparência e igualdade requeridas pela socioeconomia solidária. (Fonte: Cartilha REDLASES)

  • Click AQUI e saiba de algumas dicas sobre como montar um clube de trocas!


5. Comércio Justo e Solidário

(Em construção...)


6. Cooperativas de consumo e grupos de compras coletivas

(Em construção...)


7. Redes de Colaboração Solidária (pro-consumidores).

A Rede de Colaboração Solidária integra grupos de consumidores, de produtores e de prestadores de serviço em uma mesma organização. Todos se propõem a praticar o consumo solidário, isto é, comprar produtos e serviços da própria Rede para garantir trabalho e renda aos seus membros e para preservar o meio ambiente. Por outro lado, uma parte do excedente obtido pelos produtores e prestadores de serviços com a venda de seus produtos e serviços na rede é reinvestido na própria rede para gerar mais cooperativas, grupos de produção e microempresas, a fim de criar novos postos de trabalho e aumentar a oferta solidária de produtos e serviços. Isso permite incrementar o consumo de todos, ao mesmo tempo em que diminui volume e o número de itens que a rede ainda compra no mercado capitalista, evitando com isso que a riqueza produzida na Rede seja acumulada pelos capitalistas. O objetivo da Rede é produzir tudo o que as pessoas necessitam para realizar o bem viver de cada um.

Quando os consumidores práticam o consumo solidário, consumindo os produtos de uma empresa (uma padaria comunitária, p. ex.) que não explora os trabalhadores e protege o meio ambiente, essa empresa vende toda a sua produção e gera um excedente, que na lógica capitalista seria lucro. Esse excedente, entretanto, na lógica da solidariedade é reinvestido na construção de novas empresas (granja, fábrica de macarrão, produção de sabão, confecções, etc.) gerando novos postos de trabalho, diversificando a produção e melhorando o padrão de consumo de todos os que participam da Rede. (Fonte: cartilha das Redes Colaboracao Solidária)

Veja também:

Matérias - Sustentabilidade, Estatísticas, Empreendedorismo,

(2005/10/17) Texto no Jornal Folha São Paulo: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi1710200501.htm

17 de Outubro de 2005

Economia solidária se concentra no NE

A economia solidária no Brasil compreende 2 milhões de pessoas e mais de 20 mil empreendimentos chamados de autogestionários. Apesar de espalhadas por todas as regiões, essas empresas se concentram principalmente no Nordeste, a região mais pobre do país, e 80% delas estão na informalidade. Essas são algumas das conclusões preliminares de um mapeamento da economia solidária no Brasil encomendado pelo Ministério do Trabalho ao Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e à Anpec (Associação Nacional de Centros de Pós-Graduação em Economia).

Segundo Paul Singer, secretário nacional de Economia Solidária (Senaes) do Ministério do Trabalho, o mapeamento, que deverá ser concluído no final do ano, mostra que a economia solidária no Brasil está diretamente ligada à pobreza. Antes do levantamento, supunha-se, por exemplo, que o maior número de empreendimentos autogestionários se localizava no Sul. A economia solidária é uma resposta das comunidades carentes à falta de emprego e à exclusão social.

De acordo com Singer, quando as pessoas se juntam para enfrentar a pobreza, têm mais chances de serem bem-sucedidas. Isso vale para artesãos, garimpeiros, pescadores e camponeses. "A economia solidária é uma reação das vítimas da pobreza à falta de crescimento do país nas últimas décadas", diz Singer. "A agricultura familiar, por exemplo, só consegue competir com as grandes propriedades quando se organiza." Ele diz que a economia solidária não coincide com as cooperativas sociais. Segundo ele, os dois milhões de pessoas nessa economia não devem estar incluídos nos seis milhões organizados em cooperativas. A razão é simples. O custo de criar uma cooperativa é muito alto, e é por isso que uma das características da economia solidária é a informalidade.

Segundo Singer, há empresas autogestionárias de vários tamanhos. A maior é uma usina de açúcar em Pernambuco, com 28 mil hectares e 17 mil pessoas.


-- TupiDaTaba - 17 Oct 2005

Pq essa pgs tem propaganda do Google?

Buscar fontes de quem nao concorda com minha visao!

Ola, baseado em estudos que eu venho fazendo, e em coisas que tenho vivido, escrevo para voces o que è um emprendedor social para mim, e seu conceito embasado nos estudos: A origen da palabra emprendedorismo vem do latin imprehendere, e significa prender, reter! Alguns de voces podem se preguntar ”Porque esta origen?”. Creio que o emprendedorismo se fortaleceu nos anos 80 como mais um instrumento do capitalismo para acumulacao de riqueza, descobrindo novos mercados em potenciais (atraves da inovacao) com a nova era do capitalismo (depois da sua crise nos anos 70) (embasar mais isto) e com isso do crecimento das chamadas ONGs e o terceiro setor, e a diminuicao do Estado em gastos sociais. Esta palabra è tao nova que nao se encontra na mayoría dos diccionarios de lengua portuguesa, e por esto tambem nao tem uma definicao consensual e nem muitos estudos sobre o tema!

Até 1980, ninguém dava muita importância para empresas com menos de 100 funcionários. Só nas duas últimas décadas do século XX, quando as grandes empresas começaram a diminuir seus custos e o número de empregados, é que as micro e pequenas empresas começaram a crescer, fornecendo diversos produtos e serviços para as grandes.(Sebrae 2001).

Até o fim dos anos da década de 1970, as micro e pequenas empresas eram consideradas irrelevantes para a economia de um país. Nos anos da década de 1980, com o aumento da concorrência dos mercados e a maior utilização da tecnologia nos processos produtivos, iniciou-se uma mudança de paradigma, ou seja, uma mudança na forma de organização econômica que enfatizava apenas as grandes empresas como estratégicas para a economia nacional (GARCIA, 2000).

Entre os séculos dezoito e dezenove, durante a Revolucao Industrial, o destaque é para Jean Baptiste Say, economista francês que é considerado o precursor da descrição do empreendedor como “indivíduo que assume riscos”, mas procura sempre direcionar os recursos para áreas de maior produtividade e retorno econômico, segundo o Guia Pequenas Empresas Grandes Negócios (2002).

segundo Dornelas (2001) Na idade média, o termo empreendedor foi utilizado para definir aquele que gerenciava grandes projetos de produção. Esse indivíduo não assumia grandes riscos, e apenas gerenciava os projetos, utilizando os recursos disponíveis, geralmente provenientes do governo do país.. Mas os trabalhos relevantes sobre o tema somente foram feitos pelo economista Joseph Schumpeter em 1950 como sendo uma pessoa com criatividade e fazer sucesso com inovações. Mais tarde, em 1967 com K. Knight e em 1970 com Peter Drucker foi introduzido o conceito de risco, uma pessoa empreendedora precisa ariscar em algum negócio. E em 1985 com Pinchot foi introduzido o conceito de Intra-empreendedor, uma pessoa empreendedora mas dentro de uma organização. Hoje este conceito esta presente na formacao da mayoría dos jovens. Josep Schumpeter (1949), “ o empreendedor é aquele que destrói a ordem econômica existente pela introdução de novos produtos e serviços, pela criação de novas formas de organização ou pela exploração de novos recursos e materiais. Sabe-se que a iniciativa da implantação desses programas de criação e incentivo a empreendimentos surgido, pioneiramente, nos Estados Unidos, se multiplicou em outras nações.(Bermúdez, 2004).

O ambiente político no Brasil até a década de 1990 não era propício para o desenvolvimento de empreendedores. Era muito difícil o trabalho de busca por informações que pudessem auxiliar o desenvolvimento de quem desejasse tornar-se um empreendedor, bem como consultorias que pudessem auxiliar o pequeno empresário na resolução de problemas de ordem administrativos que pudessem contribuir para o sucesso do seu negócio.

A partir da década de 1990, a nova organização da produção no mundo, coloca a pequena e média empresa como potenciais responsáveis pelas taxas crescentes de emprego, de inovação tecnológica, de participação no PIB e de exportação

O histórico do empreendedorismo social praticamente se confunde ao do empreendedorismo propriamente dito, porém pode-se diferenciá-lo, na origem, da palavra “caridade” de origem latina, caritas, significando amor ao próximo, beneficência e da palavra “filantropia” de origem grega, significando boa vontade para com as pessoas (Agostini, 2001).

Empreendedorismo social é, segundo Gregory Dees, “uma das espécies do gênero dos empreendedores. São empreendedores com uma missão social. Os empreendedores sociais têm o papel de agentes de mudanças no setor social”.

Segundo Bill Drayton, fundador da Ashoka, o empreendedorismo socia è “um termo que usou para definir os indivíduos que combinam os métodos pragmáticos de um empreendedor de negócios com os objetivos de um transformador social.”

O que è?

O emprendedorismo social surgiu nos anos 90 para tirar as pessoas em situacao economica de risco, e tambem para trabalhar mais com um todo, um coletivo, em favor de uma sociedade.

· Hoje o emprendedorismo social consiste em contraposicao ao emprendedorismo “normal”, que alguns hoje tambem chamam de emprendedorismo empresarial ou privado, mas com forte ligacao, pois trabalha por um mundo melhor, que nao tem como finalidade o dinheiro, tendo esta como uma consecuencia de sustentabilidade, visando o bem estar das pessoas, com o desenvolvimento local e sustentavel, tendo uma preocupacao maior com o coletivo (=mundo)!

Para ter como prioridade o bem estar dos seres humanos, è que nao devemos ter o emprendedorismo social como mais um nicho de mercado, pois tendo o emprendedorismo assim consideramos este como mais um forma de reproducao do sistema excludente vigente, pois nao se quebra nenhum paradigma, e assim nao provoca nenhuma mudanca social, ou seja, não podem reproduzir esta visão (do sistema capitalista), pois desta forma impossibilitam a necessária ruptura com a reprodução da pobreza ou de precária sobrevivência, alem de que os emprendedores sociais comecam o seu projeto, tendo em vista uma carencia social, e nao uma oportunidade de mercado!

E o que è o coletivo? Segundo o wikipedia, coletivo indica algo relativo ou pertencente a uma agrupaçao de individuos, mas a grande questao hoje è que nao vejamos o coletivo somente como uma comunidade, mas como um todo, como um sistema, o coletivo nada mais è do que o mundo, e com tudo e todos que viven nele! Entao, quando comecemos empreendimento temos que praticar outras relacoes socias, tratando todas as pessoas como cidadaos, mudando, por ejemplo, a filosofia de patrao e empregado (nas organizacoes que tem hierarquia) para persona X persona, esto nao significa necesariamente que as organizacoes nao devem ter hierarquia, mas sim tratar as pessoas, Sejas empregados eou consumidores como cidadaos que sao e de forma respeitosa, e nao como uma visao utilitarista das pessoas, que estas sao meios para conseguirmos outros objetivo, e que sao na mayoría financeiros!

Tambem nao podemos criar empreendimentos sociais para competir com outros no mercado, porque estes empreendimentos se criam mas o mercado permanece o mesmo, ou seja, se formos competir diretamente com outros produtos e/ou servicos estamos excluindo outras pessoas, píos o mercado hoje, com seu principio de competicao, quando voce entra em um mercado, tira espaco, de mercado, de outro,e com isso tambem tiramos emprego de pessoas, ou ate eliminamos outra organizacao, e assim um conjunto de pessoas! Por estes motivos que os emprendedores sociais tem seus produtos e servicos baseados em coisas novas, innovadoras, onde supram as necesidades suprao as necesidades das pessoas que o sistema nao esta suprindo de forma satisfatoria. Tambem è necesario trabalhar com outro mercado para incluir, um mercado alternativo, que onde as pessoas posma se juntar e voltar ao principio da concorrencia que è “correr com”, e nao contra!

Para ele, mudança social não é algo romântico. “Não é um poema

Por serem coisas novas (e em parte inedito) o que os emprendedores sociais fazem que ele tem a necessidade de se ligarem em rede, para amadurecer o conhecimento e o seu prometo, atraves de trocas de experiencia, uniao de forcas, principalmente para de cómo trabalhar com essas coisas novas que no se tem experiencia anterior para se guiarem! Tambem creio que os empreendimentos sociais tem que trabalhar com o preco justo, pois ja que estes valorizacao do ser humano y nao no dinheiro, nao pode utilizar da mudanca do preco de acordo simplesmente pelo aumento ou nao da demanda, porque o preco pode ser uma ferramenta excludente, alem de seguirmos esta logica de aumentarmos o preco somente para cumular riqueza nao estamos propondo nenhuma mudanza social, mas sim pessoal! Outra coisa, è bom lembrarmos que muitos produtos deste empreendimentos quando comecam cobram preco mais alto por nao produzirem em massa, e dependem da consciencia dos consumidores para comprar seu produto, por isto estes mesmo consumidores merecem respeito, nao podendo ter em eles um utilitarismo para conseguir mais dinheiro!

Quem sao os emprendedores sociais

Ainda nao se tem visto estudos ou artigos que falem sobre um perfil geral dos emprendedores sociais, provavelmente porque nao tenham mesmo, mas tem coisas que tenho percebido nessas pessoas, como: - Nao tem muito apego ao dinheiro - Sao apaixonados pelo que fazem, e por isto trabalham muito, nao tendo uma distincao clara entre seu trabalho e sua vida pessoal. - Creem num mundo melhor, e trabalham para isso. - Nao sao ricos, ou seja, sabem fazem muito com pouco. - Onde outros vêem problemas, emprendedores sociais vêem oportunidade, pensando que o que nao è proibido se pode fazer.

Creio que ser um emprendedor social è um sentimento e uma atitude, muito mais do que somente uma acao! Muitas pessoas sao emprendedores sociais mas nao tem consciencia desse termo e nem embasamento teorico sobre o que è ser emprendedor social! Muitas pessoas tambem comecam a trabalhar na area social sem ter a perspectiva de ser um emprendedor, somente depois que percebem esta necessidade, pela dificuldade de financiamentos e sustentabilidade da sua ideia ou organizacao!

Desta forma, aprender a reunir o conhecimento, a habilidade e a atitude para fazer alguma coisa. Da mesma forma que um livro de receitas não pode garantir um bom almoço, não existe uma fórmula que possa garantir o sucesso de um empreendedor.(Sebrae, 2001). Sucesso é relativo a pessoa e seus objetivos, assim que sucesso para um pode nao ser o mesmo sucesso para outro. Creio que para os emprendedores sociais o sucesso è o impacto social mesclado com a sustentabilidade.

De acordo com o Sebrae (2003), empreendedores são pessoas cujas características fogem do princípio estático, imutável, ou seja, sempre estão buscando novas realizações. Eles quebram regras e provam que, com muita dedicação e empenho, é possível realizar muitos negócios que parecem sonhos.

Segundo a Ashoka (www.ashoka.org.br) uma das redes de emprendedores sociais mais importantes do mundo define ao emprendedor social assim: Os emprendedores sociales posuem dois atributos sobresalientes: uma ideia inovadora que produza uma mudanca social significativa e uma visao emprendedora na hora de realizar seus projetos. Estes individuos posuem a visao, a criatividade e a determinacao tradicionalmente associada aos emprendedores de negocios. Os emprendedores sociales estáo comprometidos a gerar uma mudanza social sistemática emm lugar de estarem motivados pelo espírito de lucro. “Os empreendedores sociais não são satisfeitos apenas em dar um peixe, ou ensinanado como pescar. Não descansarão até que revolucionem a indústria pescando.” Bill Drayton, fundador de Ashoka.

Potencialidades

Por os produtos e servicos destes empreemdimentos terem um valor social e serem coisas novas, tem um grande potencial de comercializacao, por ter uma boa aceitacao das pessoas, e pela crescente importancia dada ao comercio justo, o fortalecendo assim. Vale ressaltar que por ser algo novo nao tem competicao direta de outras empresas, e pos esso nao pratica de forma direta a competicao de mercado! Esta ventajem tende a aumentar com a mayor politizacao e consientizacao dos cidadaos!

Outra grande potencialidade è a necsseidade crescente das pessoas por estes produtos ou servicios, pois, infelizmente, o mundo caminha para uma mayor desigualdade social, e com mais pessoas com necesidades que nao consigam ser contempladas no sistema, seja no mercado formal seja pelo governo, como saude, educacao, meio ambiente e outros, e os empreendimentos sociais suprem isto! Mas nao devemos nos esquecer que devemos sempre que lutar por uma economia alternativa, mais justa e inclusiva, para que o estado cumpra suas funcoes com a sociedade!

Mesmo com toda a tecnología o poder de uma grande idea continua sendo um diferencial, e para isto os emprendedores sociais sao muito bons, pela facilidade que eles tem de quebrar paradigmas.

Una grande potencialidade que creio que esta bem encaminada è que a grande mayoría dos emprendedores ja participam de alguna rede, seja ela local, nacional ou internacional, e isso fortalece que seu trabalho seja reconhecido em outros lugares, fazendo, com isso, que sua ideia nao se restrinja ao seu impacto social, mas que possa estimular outras pessoas e ideias, alem de favorecer a aquisicao de experiencia (aperfeicoando sua ideia), contatos e canais que favorecem a sustentabilidade da organización. Com isso vai um ajudando o outro, pois como dito antes, tem-se uma visao do coletivo, entao uma pessoa que estar numa rede nao esta somente para ter vantagem, mas tambem para ajudar outras organizacoes com o que sabe, e tendo a consciencia que “um sonho que se sonha so, è so um sonho que se sonha so, mas uma sonho que se sonha junto è realidade” (Raul Seixas). Uma consecuencia destas redes tambem è a utilizacao das trocas, como meio alternativo de pagamento por pretacao de servico ou venda de produtos!

Desafios

O principal desafio è a sustentabilidade da organizacao ou da sua ideia, ou seja, falta de dinheiro, seja por mal utilizacao dos recursos, custos altos (por nao produzirem em massa), ma utilizacao e proveito da rede que esta inserida, e na dificuldade de comercializacao, que na mayoría das vezes tem esta dificuldade por falta de experiencia em como vender seu produto ou servico, tambem em alguns casos por nao aceitacao da ideia pelo publico, pelo menos nao inicialmente, e por ultimo, por alguns dos servicos e produtos terem como principal publico pessoas de baixa renda, ou seja, as pessoas que sofrem a intervencao social.

Isto tudo tem como origen na sua mayoría naslas dificultades de recursos, principalmente os iniciais, que nao da condicoes de estrutura para o empreendimento, fazendo com que este ja nasca com sem uma estrutura ideal, isto quando comeca de fato, porque muitos nao comecam ou nao logram mayores ganhos (sociais e economicos) por conta disso. Tudo isso gera uma sustentabilidade deficente, e por isso dependencia de trabalho voluntario e de entidades de apoio tecnico e financeiro.

Outra grande dificuldade è a quebra de paradigma, a quebra de uma logica que a construcao de um empreendimento social necesita, sabendo ecualizar o social e o financiero, de, por ejemplo, como fazer negocio respeitando as pessoas, e como interagir com o mercado assim, alem de cómo suprir uma necessidade humana de maneira creativa e socialmente responsable!

A comunicacao tambem è uma coisa que debe ser tratado de forma mais cuidadosa, pois uma parte dos empreendimentos tem precos mais altos que o de costume visto pelo cidadao, exatamente por terem encargos sociais que outros nao tem, alem por nao produzirem em massa. Esto se torna um desafio na medidad que nao comunicamos ao cidadao o “poder” que o produto ou servico tem em promover uma mudanca social, e porque seu preco è mais alto. Porem disto provem outra dificuldade, que è como mensurar um ganho social, que na mayoría das vezes e subjetivo.

Tambem por ser uma ideia nova, com produtos e servicos novos, e que fz com que as pessoas alumas vezes olham com um ar de desconfianza! Porem mais grave que isso è a falta de ferramentas de gestao para este tipo de organizacao, tendo que inventa-las a cada dia, ou seja, aprende fazendo e faz aprendendo, criando-las a cada dia, e com isto muitos erros e muitos desgastes podem ser constatos, o que se nao sorber lidar muito bem podem ter consecuencias serias. A chave para isto è a persistencia, e tirar coisas boas de tudo, inclusive das màs!

Outro desafio, que tambem cabe aos emprendedores sociais, è o reconhecimento individual do trabalho de um empreendimento social, sendo somente uma pessoa reconhecida com um emprendedor social, se esquecendo da equipe!

Conclusao

O objetivo desse texto foi por conhecimentos atraves de vivencias e estudos superficiillas sobre o tema, fazendo um esboco para uma monografía.

O texto abordou aspectos gerais sobre o emprendedorismo social, tendo o objetivo de fazer algunas relevancias sobre como os emprendedores se organizam e trabalham, e como fazem para mudar o mundo!

 

  • Diogo,
dei uma lida bem rápida... mas, você poderia também adotar em seu trabalho o "Sentido da utilização do termo 'Empreendedorismo Social'". Como ele é apropriado pelas organizações de "fomento" à essa cultura empreendedora... sacou? Abraços, -- GabrielMacedo - 31 May 2006
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EcoSoLivre

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Resumo

Com a participação de integrantes do Fórum Brasileiro de Economia Solidária - FBES, PSL- Ba, PSL-BR, BanSol da UFBA, Unisol Brasil, DCC - UFLA, ATES - Associação do Trabalho e Economia Solidária de Pelotas/RS, a Rede de Comunicação e Articulação Popular e a Associação de Pesquisadores de Economia Solidária - ABPES, esse evento comunitário tem como objetivo fortalecer a integração e o intercâmbio entre os movimentos de Software Livre e Economia Solidária no Brasil.

Para tanto, além de uma reflexão sobre a história desse processo de articulação EcoSoLivre no país, este evento irá expor e discutir caminhos possíveis de integração, tais como: Soluções Livres e seu desenvolvimento para/ por empreendimentos solidários; Telecentros e Infocentros como ferramenta de inclusão digital, economia solidária e desenvolvimento local; Organização de coletivos de produção/ desenvolvimento e prestação de serviço com Software Livre; Articulação e potencialização de formas e estruturas de comunicação entre Estudio Livre, Casas Brasil, Telecentros, Rádios Comunitárias, Economia Solidária, Movimento Software Livre, Fórum de Educação da Restinga e Extremo Sul e Pontos de Cultura e entre os movimentos sociais; e até a possibilidade de aplicar o próprio modelo cooperativo de produção de Software Livre nas produção de bens materiais, dos empreendimentos da Economia Solidária.

Objetivo

Fortalecer a integração, o intercâmbio e o conhecimento mútuo entre os movimentos de Software Livre e de Economia Solidária, buscando concretizar parcerias que potencializem ambos através da sinergia e afinidades existentes nos dois movimentos.

Local

Programação

Dia 19/04 - Quarta-feira, na sala Turing

16:00 às 16:40 hs - Momento 01: "O que a Economia Solidária tem a ver com o Software Livre?"


16: 40 às 16:56hs - Apresentação prévia dos projetos de integração EcoSoLivre (4 min. p/ cada forma)


Dia 22/04 - Sábado, na sala Dijkstra

15:00hs - Apresentação das 5 propostas de integração EcoSoLivre

1.1 Software Livre Incluir


1.2. CD Livre da Economia Solidária: um caminho para as redes"

  • Conteúdo: CD Livre EcoSol?


1.3. Telecentros e Infocentros como ferramenta de inclusão digital, Economia Solidária e desenvolvimento local.


1.4. Rede de Comunicação e Articulação Popular, e Aplicando o Modelo de Produção de Software Livre na Economia Solidária (Modelo CLAP - Conhecimento Livre e Aberto de Produção)


1.5. Educação e Autogestão: contribuições para a organização de coletivos de produção/ desenvolvimento e prestação de serviço com Software Livre.

  • Conteúdo: Educação e Autogestão para o trabalho coletivo.


15:50hs - Momento 03: Trabalhos em grupos.

Serão formados 5 grupos (um de cada projeto apresentado), e o público se subdivide de acordo com o interesse suscitado nas apresentações. Cada grupo será facilitado pelos expositores daquele projeto específico que foi apresentado no início. É importante observar que, se surgir da platéia no primeiro momento algum outro projeto concreto, podemos criar outro grupo coordenado pela pessoa que o apresentou.

Nos grupos, seriam trabalhados alguns pontos:

  • detalhamento da proposta (tirar dúvidas, aprofundar o assunto);
  • debate sobre o próprio projeto, no sentido de aperfeiçoá-lo;
  • debate sobre as perspectivas e estratégias de desenvolvimento do projeto;
  • debate para definir a forma de trabalho (lista, site, wiki, codigolivre, phpCollab, etc...) para o desenvolvimento do projeto, e articulações possíveis.


17:00hs - Intervalo

  • Intervalo para lanche, xixi e "n° 02" - se for o caso. wink


17:20hs - Momento 04: Partilha dos resultados.

Retorno para o grupão, com apresentação dos resultados dos grupos, para que todos possam participar e entender melhor os outros, e mesmo fazer pontes. É também o momento em que pessoas de outros grupos podem fazer suas contribuições e mesmo ingressarem nos projetos em que não participaram.


18:20hs - Encerramento: abertura de novos caminhos...

  • Apresentação de um sumário dos principais resultados alcançados;
  • Avaliação breve dos participantes (pode ser por dinâmica que simplifique esta avaliação, ou por fichas para que cada um escreva algo, ou outra possibilidade);
  • Um fechamento que seja de abertura: um pontapé inicial rico em possibilidades, de preferência com tarefas e estratégias concretas já amarradas!


19:00hs - Final Feliz! big grin


Avaliação do Evento

  • Você participou do evento comunitário? Se sim, participe da avaliação do evento clicando AQUI wink

Comentários e sugestões

 

*Ola pessoal. Acho que o primeiro dia (19) é um dia informativo e mobilizador para o segundo dia (dia 22). O segundo dia é um dia de trabalho onde o trabalho em grupo será fundamental. Bom, se o Tadashi não ta nas nossas conversas, então, vamos chama-lo. Que tal? Mas acho que devemos ampliar, e essa ampliação depedende das nossas articulações e de nossos contatos agora. Eu ainda acho que o Tadashi esteja no primeiro momento.... Vamos discutir isso melhor... EvertonRodrigues

  • Grande Everton! Eu concordo com o Monserrat! Além disso, como o Nilson Oda não está partcipando diretamente da construção coletiva do evento, corre o risco de nós perdermos no quesito "harmonia" - isto é "sinergia" como diz o povo da Escola de adm. wink -- VicenteAguiar - 30 Mar 2006 - 15:35

  • Everton, não entendi a idéia de uma das formas de integração (Educação e Autogestão: contribuições para a organização de coletivos de produção) ficar no 1o.momento, e com 25 minutos... Não ficou desbalanceado? Se for para cada uma das 5 formas se apresentar em separado, então acho melhor a idéia anterior, a de 20 minutos pro momento 1 e, no momento 2, ficaria 8 minutos para cada forma de integração. Me parece mais equilibrado e justo. -- JoseMonserrat - 30 Mar 2006 - 06:46


  • Ótimo Vicente, estarei presente. O evento integrado agora tem 4 horas, 1 hora isolada no 1o.dia (19/4, 16 às 15 hs), e 3 horas no 4o.dia (22/4, de 10 às 14 hs). A primeira hora do evento integrado precisa ser definida. A idéia orginal da palestra "Aplicando o Modelo de Produção de SL na EcoSol?" vai ter que ser modificada. Não tem problema, mas isso precisa ser feito de modo a não prejudicar o que seria apresentado originalmente. Falei que a palestra é especulativa, e é mesmo, mas isso não significa que seja ruim, apenas que a proposta especulativa ainda precisa ser desenvolvida, tanto na teoria como na prática. Seria interessante que o pessoal lesse a proposta original pra que fosse mais fácil tentar achar onde ela poderia ser (re)encaixada e apresentada. A impressão que me ficou é que o pessoal aqui ainda não entendeu a magnitude e o alcance desta especulação... Mas, como diz o Vicente, vamo que vamo! JoseMonserrat -- JoseMonserrat - 24 Mar 2006 - 07:28

  • Amanhã, (sexta) às 17:00hs, no mesmo canal irc://irc.freenode.net/EcoSoLivre , nós estaremos organizando uma outra reunião para dar processeguimento à organização desse evento. A participação de todas/os é de fundamental importância! Vamo que vamo... -- VicenteAguiar - 23 Mar 2006 - 20:29


  • Pessoal; Como a maioria já sabe, o tempo para a realização do nosso Evento Comunitário EcoSoLivre durante o 7° FISL, foi reduzido. Além disso, precisamos concluir e fechar toda a metodologia e conteúdo desse evento. Em virtude dessas questões, estive conversando com Daniel Tyguel e ele sugeriu a realização de uma reunião virtual para tanto. Os meios possíveis são vários, mas optamos pelo canal IRC por ser livre e simples, isto é, qualquer pessoa, independente do sistema operacional ou conhecimento técnico, pode utilizar. Assim, estamos marcando para próxima quinta (09/03/2006) às 19:00hs uma reunião virtual com a seguinte pauta:
  1. Breve apresentação dos Presentes (Bem rapidinho!)
  2. Definir os objetivos principais do Evento (o que queremos com isso?)
  3. A partir dos objetivos, fechar a estrutura de tópicos que abordaremos (do que vamos tratar?)
  4. E, por fim, definir a metodologia (forma de trabalho: distribuição de tempos, de falas, dinâmicas, etc...)


  • Estou preocupado com o formato muito expositivo da oficina. Acho que temos que pensar melhor a metodologia. Está muito denso tudo isso. Temos que pensar com calma os tempos e dinâmica do trabalho. Deixar todo o debate para o fim desta enxurrada de informações pode ser prejudicial... -- DanielTygel - 05 Mar 2006 - 16:26

  • Fiz pequenos ajustes no texto, correções de português e tirei alguns errinhos de digitação -- JoseMonserrat - 6 Fev 2006 - 8:15

  • Precisamos de alguém para ser a/o facilitador/a, quem se habilita?? Para quem não tem idéia do isso seja, podomos dizer que é um tipo de "metre de cerimônia" do evento. Candidatas/os?? -- VicenteAguiar - 31 Jan 2006 - 20:24

  • Vale ressaltar que toda essa grade de programação está sujeita à modificações e sugestões. Temos até o dia 05 de fevereiro para concluíla de forma definitiva, ok?! wink Vamo que vamo... -- VicenteAguiar - 20 Jan 2006 - 17:15

  • Fio_Condutor(2).sxi: Apresentação do 2o.Momento (apresentação das propostas de integração SL e ES, debate em grupos, e partilha dos resultados)

Evento Comunitário no 8º FISL
"Economia Solidária, Software Livre, Inclusão Digital, Comunicação e Cultura na construção de práticas, técnicas e tecnologias para um Mundo Sustentável."

fisl8-460x60.gif

Objetivo

Este evento tem como objetivo promeover um processo de debate, articulação e perspectivas conjuntas dos temas da Economia Solidária, Software Livre, Inclusão Digital, Comunicação e Cultura e demais ações que tenham como valores, práxis e símbolos, a sustentabilidade, a liberdade e a solidariedade na construção de um mundo sustentável.

Resumo

Os temas citados, assumiram um papel preponderante na sociedade brasileira no último período, em especial, na vida das comunidades que encontram-se em maior vulnerabilidade social. Esse papel preponderante, consolida-se na sociedade com a Economia Solidária e sua distribuição dos meios produtores de riqueza, com o Software Livre e seu conhecimento aberto e colaborativo, com a Inclusão Digital, com as Rádios Comunitária, com os Pontos de Cultura. Nessa perspectiva, esse evento comunitário visa articular ações de governo e as demandas da sociedade para o debate, articulação e perspectivas conjuntas dos temas título.

  • Estimativa de público (em número de pessoas): 300 pessoas

Programa completo do evento

Dia X - 3h

1º sessão:* Economia Solidária e Software Livre, articulações entre os temas e perspectivas para o Brasil no próximo período.

  • Prof. Paul Singer - Secretário Nacional de Economia Solidária - SENAES/MTE - 20min

  • Prof. Sérgio Amadeu da Silveira - 20min

    • 4 perguntas de 2min

    • 7 min de comentário para cada participante

  • total: 1:02h

  • Coordenação da mesa: Luciano Lima - Fórum Gaúcho de Economia Popular Solidária RS

2º sessão: Inclusão Digital, Rádios Comunitárias e os Ponto de Cultura, ponderação do tema, balanços e perspectivas para o Brasil no próximo período.

  • Representante da Inclusão Digital (Governo) - 12min

  • Representante das Rádios Comunitárias (ou comunicação popular/movimento social) - 12 min

  • Representante dos Pontos de Cultura/MINC - 12 min

  • Total: 36:00h

  • Coordenação da mesa: Representante da Rede Três Mosqueteiros

2º sessão (continuação) : Articulação de uma Rede Solidária e Livre para construção de práticas por um mundo sustentável.

  • Apresentação da sistematização; (movimento social) 08 min;

  • Encaminhamento das propostas por escrito a mesa;

  • 8 Apresentação final via e-mail para os participantes ;

  • Encerramento (movimento social) 05 min

  • Total: 13 min

  • Coordenação da Mesa: Representante do Fórum Brasileiro de Economia Solidária - FBES

Informações sobre o coordenado do Evento Comunitário:

nome: Lucio Uberdan Fernandes de Macedo

e-mail : luciouberdan@gmail.com,

telefone : (53) 8401-4187

Festival de Cerveja Open Source

Falai' manos, tipo um festival de cerveja artesanal, se pam seguindo receita open source. Liga q lado a lado com install fest ia ser bem louco. Se virar, virou.

Olha rima milidias no blog: http://tupidataba.blogspot.com/2005/09/festival-da-cerveja-artesanal-e-open.html

Fmz?

-- TupiDaTaba - 03 Oct 2005

Folhas de Estilo

Este tópico define o estilo CSS utilizado no leiaute da página.

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/* ###### General Color Scheme ###### */

/* fonte dos titulos */
h1, h2, h3, q, #header div, #header div *, #footer *, .headerTitle, .sideBox div, .topOfPage
{ /* Text Color: */  color: #0000ff; }

/* bordas */
h1, q,  #header, .sideBox, .sideBox div
{ /* Border Color: */  border-color: #0000ff; }

/* fundo do titulo dos menus e da pagina */
#header, .sideBox div, .sideBox a:hover, .sideBox .thisPage
{ /* Background Color (darker): */  background-color: #e8f0ff; }

/* fudo do menu */
q, .sideBox a, .sideBox span
{ /* Background Color (lighter): */  background-color: #fafcff; }



/* ###### Special Colors ###### */

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-- Main.KrishnamurtiNunes - 26 Jan 2005


Fórum Web




O Fórum Web é um espaço aberto neste Sítio Wiki à reflexões, discussões e debates sobre temas que são relevantes para a comunidade bansolina. Participe e contribua com a sua opinião sobre os temas em discussão!! Caso você ainda não tenha registro no servidor deste Sítio Wiki, registre-se AQUI antes de participar?! Depois de se registrar, veja abaixo como usar.


Temas em Debate



Como Usar

Usar um Fórum Web é muito simples, se você é novat@, atente para os detalhes e garanta a qualidade do debate. Em primeiro lugar, é importante entender que este fórum é uma conversa a-temporal estruturada. Isso significa que:
 

  • Não existe uma faixa de tempo limite para se responder a um comentário. Sendo assim:
     
    • Atenção com a linguagem a ser utulizada, pois diferentemente de uma lista de discussão, é imporante pensar meio que de forma "a-temporal" (a não ser que seja imposível). Lembre-se de que alguém poderá ler seu "post" no ano que vem ou depois e ainda postar novas considerações ou questionamentos como se tudo tivesse acontecendo no mesmo momento.
       
  • Tudo o que foi postado permanecerá no fórum enquanto este existir (virtualmente eterno). Portanto:
     
    • Seja claro, pois o "não foi bem o que quis dizer" não impedirá a criação de um novo ramo na conversa que pode gerar comentários desagradáveis que não ajudarão ninguém.
       
  • O comentário a um "post" deve ser um bloco filho deste "post". Então:
     
    • Não responda a um "post" comentando a um comentário deste "post";
    • E muito menos crie uma nova "thread" para responder ou continuar de algum modo um mesmo assunto;

Um "Post" é um bloco de texto, que mostra o nome de quem postou e a data. O post tem seus "posts filhos", isto é, comentários diretos que também podem ter outros "posts filhos" e assim tem-se várias ramificações de conversas num debate estruturado.

Para comentar um post clique no link "Comentar esse post" do post a ser comentado, assim se abrirá uma caixa de texto no local apropriado para que você insira o texto. Caso você queira falar sobre um assunto, no tema do fórum, e que ainda não foi iniciado (tenha certeza disso pra não separar a conversa), então escreva-o na caixa, no fim da página, logo abaixo "Poste uma nova thread" e envie.

Caso ache necessário, você pode testar suas habilidades na página de teste do Fórum (Caixa de Areia) no nosso Servidor Twiki. Este ambiente colaborativo também só pode receber conteúdo de pessoas cadastradas. wink Se você ainda não tem registro no Sítio Wiki do BanSol, registre-se AQUI, antes de participar?!


Outros Fóruns Web

Temas em debate no Projeto Software Livre - Bahia.



Fórum Web sobre o
Projeto CD-Livre Economia Solidária



-- VicenteAguiar - 03 Nov 2005



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Parte posterior ao conteúdo do tópico

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</div> <!-- fechando a div bodyText -->
   <!--   <div id="creditos"> 
%CC_by_nc_sa_pequeno% Copyright &copy; 2003 - 2004 pelos colaboradores do Núcleo de Pesquisa em Acessibilidade. Todo o conteúdo desta página pode ser utilizado segundo os termos da<br> <a href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.0/br/deed.pt">Creative Commons License</a>: %NOP%Atribuição-UsoNãoComercial-PermanênciaDaLicença. %BR% </small> 
       </div> -->
       <!-- ###### Footer ###### -->
       <div id="footer">
           <div id="controles">
            Tópico <strong>EconomiaSolidaria/%INCLUDINGTOPIC%</strong>
               --
               <a href="%SCRIPTURL%/edit/%INCLUDINGWEB%/%INCLUDINGTOPIC%?nocache=%GMTIME{"$month$day$hours$minutes$seconds"}%">Editar</a>
               <a href="%SCRIPTURL%/attach/%INCLUDINGWEB%/%INCLUDINGTOPIC%">Anexar</a>
               <a href="%SCRIPTURL%/rdiff/%INCLUDINGWEB%/%INCLUDINGTOPIC%">Versões</a>
               <a href="%SCRIPTURL%/oops/%INCLUDINGWEB%/%INCLUDINGTOPIC%?template=oopsmore&param1=%MAXREV%&param2=%CURRREV%">Mais...</a>
     </div>
     </div>
    </div>
  </body>
</html>
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-- KrishnamurtiNunes - 26 Jan 2005

Parte anterior ao conteúdo do tópico

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    <head>
    <meta http-equiv="content-type" content="application/xhtml+xml; charset=utf-8" />
    <meta name="author" content="Krishna" />
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    <meta name="doc-class" content="Living Document" />
    <meta name="doc-rights" content="Public" />
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    <title>Economia Solidária</title> 
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    <!-- Cabeçalho  -->
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    </div>
    <!-- Menu Lateral (esquerda) -->
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    <!-- Abre o Corpo da página  -->
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-- KrishnamurtiNunes - 26 Jan 2005

Grupo de Trabalho de Comunicação
no Grupo Nacional de Trocas

Objetivos

Sugira o texto

Projetos

Sugira um projeto

Plenária

Veja nossas resoluções tomadas em grupo e participe tb. GtGntPlenaria

Referências

http://br.groups.yahoo.com/group/Gruponacionaldetrocas/

Inclua links ou novas páginas wiki

Participantes

TupiDaTaba - Desde setembro de 2005

Inclua seu nome

(Veja abaixo algumas dicas de formatação) <- (leu? pode apagar)

-- TupiDaTaba - 03 Oct 2005

Plenária do GT do GNT

Espaço wiki de tomadas de decisões em coletivo do projeto GTdeComunicacaoNoGrupoNacionalDeTrocas

  • Retrospecto de decisões já tomadas Mensagem de Clubedetrocas em 5/10/2005 Decisões já tomadas anteriormente:
    • Que seria criado um GT de comunicação dentro do GNT.
    • Que também estaríamos construindo uma comunicação fora do GNT.
    • Que Jefferson faria a Interlocução entre grupo de comunicação e GNT.

  • Independência do GT em relação ao GNT. Proposto por Jefferson em 4/10/2005 - Minha sugestão é que criemos esse GT como algo independente do GNT mas que comuniquemos a formação desse GT no GNT e convidemos os interessados quem venham compor o grupo. Concordam?
    • SIM - Jefferson
    • SIM - TupiDaTaba
    • Inclua seu voto aqui
    • Inclua seu voto aqui

  • Tomada de Decisão. Proposto por Jefferson em 4/10/2005 - Vamos utilizar o consenso, então só poderemos agir depois de TODOS estarem de pleno acordo com a decisão?
    • SIM - Jefferson
    • NÃO - TupiDaTaba
    • Inclua seu voto aqui
    • Inclua seu voto aqui

(Veja abaixo algumas dicas de formatação) <- (leu? pode apagar)

-- TupiDaTaba - 04 Oct 2005

Iniciativas de integração entre
Economia Solidária e Software Livre


A integração entre os movimentos de software livre e de economia solidária surge como uma tendência promissora para ambos, na medida em que os empreendimentos econômicos solidários passam a se fortalecer pela utilização cada vez maior de tecnologias livres (particularmente no campo da Tecnologia da Informação) e profissionais que atuam na área do software livre começam a se organizar em empreendimentos econômicos solidários que forneçam produtos, serviços e suporte em tecnologia da informação ao conjunto de organizações da economia solidária.

Essa sinergia está permitindo a consolidação de alguns avanços ligados à ambos os movimentos, bem como está desencadeando gradualmente novas oportunidades de crescimento e expansão nesse setor, uma vez que a economia solidária está sendo, aos poucos, beneficiada com tecnologias adequadas para aprimorar o funcionamento de suas redes colaborativas, facilitando os fluxos de produção, comercialização e consumo solidários; e, por outro lado, iniciativas empresariais solidárias na área de desenvolvimento, produção e difusão de softwares livres começam a se propagar no atendimento às demandas de tecnologia da informação, que são peculiares a essas redes e empreendimentos da economia solidária. Veja abaixo, portanto, algumas experiências de como esta integração está acontecendo na prática. thumbs up


Iniciativas:


Criação do Banco de Sementes Livres marca a ação social do VI Fórum Internacional de Software Livre (fisl6.0)

Logo Banco de Sementes

O Banco de Sementes Livres é uma iniciativa da Associação Software Livre.Org, que em parceria com demais instituições públicas e privadas, arrecada uma pequena parcela de cada inscrição no Fórum Internacional Software Livre para ajudar na produção rural de comunidades rurais carentes. Isto porque, assim como na área da Tecnologia da Informação, no campo da produção rural também há as dimensões de livre e proprietário. wink


Evento Comunitário EcoSoLivre de Integração e Articulação Popular durante o 7º FISL

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Com a participação de integrantes do Fórum Brasileiro de Economia Solidária - FBES, PSL- Ba, PSL-BR, BanSol da UFBA, Unisol Brasil, DCC - UFLA, ATES - Associação do Trabalho e Economia Solidária de Pelotas/RS, a Rede de Comunicação e Articulação Popular e a Associação de Pesquisadores de Economia Solidária - ABPES, esse evento comunitário tem como objetivo fortalecer a integração e o intercâmbio entre os movimentos de Software Livre e Economia Solidária no Brasil.

Para tanto, além de uma reflexão sobre a história desse processo de articulação EcoSoLivre no país, este evento irá expor e discutir caminhos possíveis de integração, tais como: Soluções Livres e seu desenvolvimento para/ por empreendimentos solidários; Telecentros e Infocentros como ferramenta de inclusão digital, economia solidária e desenvolvimento local; Organização de coletivos de produção/ desenvolvimento e prestação de serviço com Software Livre; Articulação e potencialização de formas e estruturas de comunicação entre Estudio Livre, Casas Brasil, Telecentros, Rádios Comunitárias, Economia Solidária, Movimento Software Livre, Fórum de Educação da Restinga e Extremo Sul e Pontos de Cultura e entre os movimentos sociais; e até a possibilidade de aplicar o próprio modelo cooperativo de produção de Software Livre nas produção de bens materiais, dos empreendimentos da Economia Solidária. CLIQUE AQUI para saber mais.


Evento Comunitário no 8º FISL: Economia Solidária, Software Livre, Inclusão Digital, Comunicação e Cultura na construção de práticas, técnicas e tecnologias para um Mundo Sustentável

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Os temas citados, assumiram um papel preponderante na sociedade brasileira no último período, em especial, na vida das comunidades que encontram-se em maior vulnerabilidade social. Esse papel preponderante, consolida-se na sociedade com a Economia Solidária e sua distribuição dos meios produtores de riqueza, com o Software Livre e seu conhecimento aberto e colaborativo, com a Inclusão Digital, com as Rádios Comunitária, com os Pontos de Cultura. Nessa perspectiva, esse evento comunitário visa articular ações de governo e as demandas da sociedade para o debate, articulação e perspectivas conjuntas dos temas título.


Evento Comunitário de Integração das Cooperativas de Software Livre durante o 8º FISL

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Integrantes da Solis - Cooperativa de Soluções Livres, da Cooperativa Sintectus, da Colibre - Cooperativa de Tecnologias Livres e da TecnoLivre - Cooperativa de Tecnologias e Soluções Livres, realizarão um "Evento Comunitário de Integração das Cooperativas de Software Livre", durante o 8º FISL. O objetivo é promover a integração e o intercâmbio entre as cooperativas que trabalham em serviços de informática com tecnologia e software livres.

Em suma, este evento comunitário reunirá e apresentará as quatro cooperativas de software livre (Solis – RS, Sintectus – GO, Colibre – BA, e Tecnolivre – MG) que atuam no Brasil – expondo suas histórias, atuações e projetos –, e discutirá várias formas de integração de suas atividades e negócios, dentro de uma perspectiva de economia solidária, entre elas a criação de um “orkut” solidário.


Projeto Software Livre Incluir -SIM

Em dezembro desse de 2005 um grupo formado por integrantes do BanSol e do Programa Onda Digital recebeu um sinal verde da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia - FAPESB - para o finaciamento do Projeto Software Livre Incluir -SIM. Este projeto será desenvolvido pelo grupo de pesquisa Tecnolologias Inteligentes de Suporte à Aprendizagem - TISA do Departamento de Ciência da Computação da UFBA junto com a BanSol, tendo como objetivo o desenvolvimento de um software flexível, 100% livre, para realização da análise e tabulação dos dados de um mapeamento de consumo e produção local - enquanto uma etapa funadamental no processo de implantação de empreendimentos solidários em qualquer comunidade.

O Software Incluir-SIM será disponibilizado nos repositórios oficias de softwares livres e em toda a Rede Brasileira de Economia Solidária, dinamizando e facilitando o processo de mapeamento de produção e consumo em comunidades populares, além de auxiliar no direcionamento da criação de empreendimentos produtivos - evitando,assim, a competição econômica entre os integrantes da rede de um mesmo bairro ou comunidade.


Marcha Digital do MST

TelecentroMST.jpg

O Projeto de Inclussão digital do MST teve início em 2003, com cerca de 2 mil computadores usados, obtidos através de doações. Os equipamentos foram distribuídos pelos 23 Estados onde o movimento atua, a fim de se constituir uma rede nacional de comunicação e informação. Para tanto, a Frente Digital foi criada em 2005 como parte do Setor de Comunicação do MST e tem como obejtivo criar uma rede de comunicação interna, por meio da promoção e do uso de softwares livres, além de capacitar militantes em informática. Para mais informações, CLICK AQUI ou entre em contato pelo email: frentedigital at mst.org.br


Telecentro EcoSoLivre

PessoasNoTabuleiro.jpg

Esta é uma proposta de metodologia para a construção de telecentros e infocentros livres (como , por exemplo, os que estão ligados ao programa dos Pontos de Culturas e das Casas Brasis) elaborada à partir de projetos relaizados pelo BanSol, Grupo de Pesquisa Educação, Comunicação e Tecnologias - GEC da Faculdade de Educação da UFBA e pelo Programa Onda Digital do Departamento de Ciência da Computação da UFBA. Este método visa potencializar estes ambientes de inclusão digital, transformando-os em espaços sustentáveis de fomento e apoio ao desenvolvimento socio-economico das comuidades e bairros na qual estão localizados, por meio de práticas e valores relacionados à Economia Solidária.


Projeto Anheteguá - Softwares Livres para as Redes de Economia Solidária

O Projeto Anheteguá1 - Software livre para as Redes da Economia Solidária é uma iniciativa da Secretaria Executiva do Fórum Brasileiro da Economia Solidária e teve o apoio de alguns integrantes/simpatizantes dos dois movimentos. Este projeto visa, de forma geral, contribuir para a construção de uma rede nacional da Economia Solidária no Brasil, por meio do desenvolvimento de uma base tecnológica livre e autônoma, que permita o fortalecimento, maior integração via rede, já que o Brasil possui dimensões continentais, possibilitando assim uma independência deste setor como uma estratégia sustentável para a geração de trabalho e renda no país.

Para tanto, esta iniciativa prevê o desenvolvimento de um sistema tecnológico livre que envolverá: um software livre para ambientes online e offline que, além de permitir um processo de busca por produtos e serviços solidários, possibilite a formação e o fortalecimento de cadeias produtivas, redes de pró-consumidoras/es e espaços de comunicação entre os empreendimentos solidários, organizações de assessorias e cidadãos comuns de todas as regiões do Brasil; e , ao mesmo tempo, uma distribuição livre do sistema operacional GNU/Linux (CDLivre da Economia Solidária) que atenda as especificidades e demandas tecnológicas dos empreendimentos solidários e organizações de assessorias no país; e, ao mesmo tempo, possibilite que tais organizações que não tenham acesso à Internet, possam formar cadeias produtivas e redes de articulação por meio do acesso às informações do Mapeamento Nacional de empreendimentos.

Clique aqui para saber mais detalhes e baixar o documento na íntegra




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Menu da Área

Este é o menu padrão para menus que estão sendo criados. Esta é apenas uma sugestão, sinta-se livre para alterar os itens do menu de acordo com a sua necessidade.

Atenção, Apenas a parte entre o %STARTINCLUDE% e o %STOPINCLUDE% (no modo de edição você vai vê-los aí embaixo) serão usadas no menu. Fora dessa área você pode escrever o que quiser. Dica: deixe a contrabarra ("\") na última linha da lista para que o item default "Editar o menu" não fique afastado demais do resto do menu.

-- AntonioTerceiro - 24 Mar 2004

Menu do Sítio

%STARTINCLUDE%
<div class="sideBox LHS">
      <div>Economia Solidária</div>
      [[WebHome][Página Inicial]]
      [[http://www.softwarelivre.org/whatisit.php][O que é Software Livre?]] 
      [[PSLBA:EconomiaSolidaria][O que é Economia Solidária?]] 
      [[PSLBA:CursoTWikiCompleto_WikiCulture][Cultura Wiki]]
      [[SobreTWiki][Sobre o TWiki]]
    </div>
%STOPINCLUDE%

-- KrishnamurtiNunes - 26 Jan 2005

Introdução

Contextualização

A utilização de aplicativos via Internet, no trabalho diário de funcionários e professores da Universidade Federal de Lavras - UFLA, vem crescendo ano a ano, o que se traduz em volume cada vez maior de tráfego na sua rede interna. Isso, por si só, não traz maiores problemas. Por outro lado, porém, a utilização inadequada de programas de Internet, particularmente no manuseio de páginas da web e do correio eletrônico, tem trazido certos problemas no gerenciamento da rede UFLA, tais como vírus, trojans e spams. Além deste problema, há ainda a questão da falta de licença legal, de uso, de vários softwares proprietários, tais como, por exemplo, o Microsoft Windows e o Microsoft Office.

Visando minorar problemas no gerenciamento da rede UFLA e contribuir para a legalização dos softwares utilizados por funcionários e professores da UFLA, propõe-se realizar neste projeto uma migração, gradual e voluntária, em um de seus departamentos, de software proprietário para software livre. Caso a experiência seja bem sucedida, o projeto poderá ser extendido para os demais órgãos e departamentos da UFLA.

Existem, atualmente, metodologias para se efetuar essa migração, apresentando ao usuário os softwares proprietários e softwares livres equivalentes, porém essas metodologias em geral não têm foco no usuário desses softwares, ou seja, pouco consideram o fator cultura envolvido na utilização dos softwares proprietários e a rejeição do novo vinda com os novos softwares.

Objetivos

Pretende-se, estudar o processo de migração e desenvolver uma metodologia, consistente, com foco no usuário, para se efetuar a migração de software proprietário para software livre.

Os objetivos deste trabalho têm foco na verificação do conhecimento dos participantes do projeto no que diz respeito à informática básica e Software Livre, além de realizar uma migração progressiva de softwares proprietários para Software livre e desenvolver uma metodologia, consistente, para se efetuar uma migração bem sucedida, com foco principal no usuário.

Tem-se como objetivos mais específicos: Verificar o grau de instrução em informática dos funcionários, professores e alunos de um departamento de uma universidade; Verificar o conhecimento sobre Software Livre de funcionários, professores e alunos desse departamento; Realizar um curso sobre Software Livre (Linux, softwares para escritório, entre outros); Verificar os softwares específicos da área utilizados pelos funcionários e professores daquele departamento; Criar uma remasterização (flavor) de uma distribuição Linux personalizada para aquele departamento; Implementar a migração progressiva; Oferecer suporte para os novos usuários; Acompanhar a utilização dos softwares livres e o grau de satisfação dos usuários.

Estrutura do Trabalho

Nos capítulos seguintes serão apresentados o Referencial Teórico, que aborda a literatura básica sobre o tema; A Metodologia, que descreve o tipo de pesquisa e os procedimentos metodológicos utilizados para desenvolvê-la; O Cronograma Físico e de Execução, que demonstra as tarefas e tempo gasto para executá-las durante todo o projeto; A equipe responsável pelo projeto e sua avaliação e por fim, as Referências Bibliográficas.

Referencial Teórico

Atualmente encontramos no mercado, basicamente, quatro categorias nas quais os softwares se enquadram, são elas: Software Proprietário, Software Livre, Software Código Aberto ou Open Source e os chamados Freewares.

Diante dessas categorias de software, observamos um intenso e indiscriminado uso de softwares proprietários, sem no entanto, efetuar a aquisição legal e respeitar suas licenças de uso, por parte de pessoas e instituições públicas e privadas.

Para [LOZANO & UCHÔA, 2006], a utilização indevida dos softwares da categoria proprietária é considerada “pirataria de software”, que é um ato ilegal. Para se utilizar esses softwares de maneira regular deve-se adquirir licenças de uso de software, que variam de acordo com o software e com a empresa ou instituição.

“Software livre se refere à liberdade dos usuários executarem, copiarem, distribuírem, estudarem, modificarem e aperfeiçoarem o software. Mais precisamente, ele se refere a quatro tipos de liberdade, para os usuários do software: A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito (liberdade no. 0) ; A liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades (liberdade no. 1). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade; A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo (liberdade no. 2); A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie (liberdade no. 3); Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.”[GNU, 2006]

Segundo [CAMPOS, 2006], os softwares da categoria Código Aberto são também softwares livres, porém diferenciam-se no foco, tendo o Software Livre um foco social e o Código Aberto uma visão voltada ao mercado e a diferença prática entre as duas entidades está em seus objetivos, filosofia e modo de agir, e não nos softwares ou licenças.

Para [CAMPOS, 2006], “as definições ‘oficiais’ de software livre e de código aberto são ligeiramente diferentes, com a definição de software livre sendo geralmente considerada mais rigorosa, mas as licenças de código aberto que não são consideradas licenças de software livre são geralmente obscuras, então na prática todo software de código aberto é também software livre.”

Os softwares freewares, são softwares gratuitos porém com código fonte fechado. O usuário pode somente utilizá-lo sem custo de aquisição, porém não tem acesso ao código fonte, logo não pode alterá-lo.

Para [GUIA LIVRE, 2004], uma descrição das condições iniciais relevantes que consistem, por exemplo: arquitetura de sistemas, aplicativos e os dados a eles associados, protocolos e padrões usados, hardware, ambiente físico, como largura de banda da rede, localização, requisitos sociais tais como idioma(s) e conjunto de habilidades do pessoal, deve ser considerada como primeiro item da migração.

Segundo [CONCEIÇÃO, 2005], “antes de iniciar na prática qualquer processo de migração, é altamente recomendável um levantamento completo de um conjunto de informações que auxiliarão na tomada de decisões importantes, principalmente na escolha de determinados programas específicos.”

Metodologia

Tipo de Pesquisa

Conforme [JUNG, 2004] e [GIL, 1994], tem-se que a presente pesquisa é de natureza aplicada ou tecnológica, com objetivos de caráter exploratório, utilizando procedimentos de estudo de caso fundamentados em referências bibliográficas e documental, classificada quanto ao local como pesquisa em campo e quanto ao tempo como estudo longitudinal.

Procedimentos Metodológicos

O presente trabalho será realizado no período de julho de 2006 a julho de 2007, no Departamento de Engenharia - DEG, da Universidade Federal de Lavras – UFLA.

Para a realização do projeto, uma equipe de suporte aos usuários composta por pelo menos dez pessoas deve ser preparada com conhecimentos sobre software livre. Este conhecimento deve compreender a filosofia do software livre, aplicativos, desde sua instalação e configuração até sua utilização. Além de possuir uma comunicação clara e eficaz junto aos participantes do projeto.

Esta preparação é um passo importante para o sucesso do projeto, pois os participantes dependerão dos conhecimentos da equipe para se habituarem com a utilização dos softwares livres.

Para coleta de informações sobre os conhecimentos dos participantes do projeto em informática e software livre, serão utilizados questionários, entrevistas e observações in loco. Essas informações serão coletadas no início do projeto e no seu término para verificação da eficácia dos métodos utilizados.

Segundo [REA & PARKER, 2002], alguns fatores críticos relacionados à construção de questionários devem ser avaliados, são eles: Clareza do Questionário; Abrangência do Questionário e Aceitabilidade do Questionário.

Para garantir a qualidade do questionário, ele deve ser construído seguindo-se técnicas para elaboração de questionário, observando-se a utilização de questões abertas e fechadas, a seqüência, inclusive lógica, das questões, sua extensão, entre outros.

Para [REA & PARKER, 2002], “as entrevistas pessoais são estruturadas para permitir ao entrevistador solicitar informações diretamente do entrevistado”, e possui como vantagens: Flexibilidade; Maior complexidade; Capacidade de contatar populações de difícil acesso; Alto índice de respostas e Garantia de que as instruções serão seguidas. Em contra partida existem as desvantagens: Alto custo; Viés induzido pelo entrevistador; Relutância do entrevistado em cooperar; Maior estresse; Menos anonimato e Preocupações a respeito da segurança pessoal.

Os meios adotados para divulgação da filosofia do software livre e treinamento dos participantes do projeto serão: Palestras, cursos e discussão em grupo.

Cronograma Físico e de Execução

Item Descrição 2006 - 2007
07 08 09 10 11 12 01 02 03 04 05 06 07
1 Coleta de material para embasamento teórico X X
2 Definição e preparação da equipe de suporte X X X                    
3 Coleta de informações sobre os participantes     X
4 Palestras e cursos     X X X X X X          
5 Implementação da migração       X X X X X X
6 Suporte aos usuários       X X X X X X X      
7 Observações sobre o uso efetivo de Software Livre       X X X X X X X X X
8 Publicação dos resultados                       X X

Equipe

Coordenadores: Ramon Simões Abílio (DCC/UFLA) e Prof. José Monserrat Neto (DCC/UFLA)

Atuadores: membros da equipe Tecnolivre - Cooperativa de Tecnologia e Soluções Livres (TWiki) - Site oficial

Referências Bibliográficas

CAMPOS, Augusto. O que é software livre. BR-Linux. Florianópolis, março de 2006. Disponível em <http://br-linux.org/linux/faq-softwarelivre>. Consultado em [27/07/2006].

CONCEIÇÃO, Paulo Francisco da. Estudo de Caso de Migração para Software Livre do Laboratório da UEG. Monografia de conclusão de curso de pós-graduação. Lavras, 2005.

GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 1994.

GNU. O que é Software Livre?. Disponível em <http://www.gnu.org/>. Consultado em [28/07/2006]

GUIA LIVRE. Referência de Migração para Software Livre do Governo Federal – Versão Ipiranga. Disponível em <http://www.serpro.gov.br/>. Consultado em [20/07/2006]

JUNG, C. F. . Metodologia para Pesquisa & Desenvolvimento: Aplicada a novas tecnologias, produtos e processos. Rio de Janeiro: Axell Books, 2004.

LOZANO, Fernando S., UCHÔA, Kátia Cilene Amaral. Cibercultura e Software Livre. 1ª ed. Lavras: UFLA/FAEPE, 2006.

REA, Louis M., PARKER, Richard A. .Metodologia de pesquisa: do Planejamento à Execução; Tradução Nivaldo Montigelli Jr.; revisão técnica Otto Nogami. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002.


Metodologias de Migração


Modelo de Software Livre nas Outras Áreas da Economia

-- JoseMonserrat - 20 Jun 2005

Free Software Model in other Areas of Economy(*)

José Monserrat Neto1, Danijel Orsolic2, Ivan Stojic3

1Computer Science Department - Universidade Federal de Lavras (UFLA) Lavras - MG - Brazil

2Libervis.com - Zagreb - Croatia

3Department of Mathematics - Faculty of Science - University of Zagreb Zagreb - Croatia

rijik@ufla.br, libervis@libervis.com, ivstojic@inet.hr

Abstract. This paper aims to show that the Free Open Source Software (FOSS) model is suitable not only to make good software. It might also work in other economic areas. Making a parallel with the collective FOSS property, the possibility and viability of a collective ownership over the knowledge of production is analyzed. The ideas here presented were born and developed in a FOSS community (Libervis) and written in its Wiki section.

1. Introduction

The FOSS model has brought several benefits to developers and users: Why could not the same happen in other economic areas? That model could, for instance, help avoid monopolies and vendor lock-in, promote fair competition, enhance technological progress, provide more business opportunities and choices to consumers. We examine, first, the private ownership of the means of production, and some consequences to society, relating them with copyright and patent issues. The software area is examined, and successful features of the FOSS model are identified; the main differences between knowledge and material productions are analyzed. We identify knowledge of production as what could be shared by a community of organizations, and examine conditions that could turn open organizations capable to self sustainability in an economic sector. A kind of GPL-like license is proposed to be one of them. At last, we analyze its viability, discussing some open issues, and showing its possible (good) effects to society.

2. Theoretical Framework

We now experience, a serious civilisation crisis which has an economic basis but goes beyond. It is a crisis of values, culture and project. Society shows itself incapable of solving old and new problems, such as peace, security, hunger, poverty, terrorism etc.

Among other reasons, we can identify the private ownership of the means of production as being in the root of the ill-functioning of society. Based on Marx's ideas, Mouzelis (1990) proposes a useful conceptual tool to examine the 'Production Sphere' of human activities (economic, political, religious, etc.). Any area of activity is analysed through three levels of concepts: (a) 'the means of production'; (b) 'the specific form of appropriation/control' over the means; (c) 'the justification/legitimisation' of the specific form of appropriation. In the economic sphere the three levels can be described as follow: (1) The 'means of production' are tools, machinery, factory building, know-how, blueprints, etc. In the digital age, software are also part of these means; (2) The 'current form of ownership' is the private ownership of the means of production; (3) The 'justification/ legitimisation' of the private property: liberal ideologies generally, which are used to justify and legitimate the private ownership over the production.

This distinction regards the level of justification as relatively separate from the productive system itself. There are many ways to justify a form of ownership, and these attempts often try to distort reality to hide 'privileges' which ownership may bring up. In the economic sphere, the private ownership assures the privilege of those who own the means of production. As capitalists own a factory or a company, they use employees to work for them. It may be not so clear to regard it as a privilege in small companies. Owners and employees may sometimes work so closely together (and in a friendly way) that the privilege may not be so important. But it becomes apparent in big companies: their owners are able, for instance, to dismiss plenty of employees in one second. The privilege is also related to the control over the products of the work realised by the employees. A capitalist takes over a part of their work and gives a wage as an exchange, and have the right to decide whatever the capitalist wants over the means of production, profits and capital accumulated. This is granted by law, and liberal ideologies try to justify and mainly distort reality to convince people that it is legitimate, natural, etc.

There are many ideological discourses [Mises 2000], but here we examine only one: free competition is (or should be) a central feature of a healthy capitalism. Its arguments, however, disguise the fact that competition is not the main goal of most companies under the current rules, and that big companies almost always try to close competition and make monopolies or oligopolies. There is a enormous distance between what is discursively stated (ideology) and what is actually done by most companies.

Some brief consequences are: (a) huge concentration of capital which gives rise to oligopolies of giant multinational corporations, sometimes more powerful than many countries; (b) enormous concentration of scientific and technological knowledge; (c) international division between few rich technologically advanced countries and many poor underdeveloped countries, with several economic, political and social problems. The automobile industry sector is a clear example: few automobile companies, such as Ford and GM, exploit not only their direct employees (now there are very few), but foremost the uncountable medium and small firms, the huge car spare industry, which sell car pieces for the big companies and are at the same time exploited by them. And this goes beyond a single country in that poor countries, with cheaper workers, are also exploited in an evil international chain of capital and technology concentration.

Two forms of intellectual property -- patent and copyright -- are very much influenced by the current form of the private ownership, and also result in many social problems. This is very clear in the drug industry, for the cure for AIDS. There are 25 million people with the AIDS virus in sub-Saharan Africa; 17 million have already died. There is no cure known for AIDS, but there are drugs to slow its progression that are still experimental, but that increase patients' life expectancy by 10 or 20 years. They are expensive and today some cost $25,000 per year. At these prices, “no African nation can afford the drugs for the vast majority of its population: $15,000 is thirty times the per capita gross national product of Zimbabwe” [Lessig 2004, p265]. As Lessig explains, “These prices are not high because the ingredients of the drugs are expensive. These prices are high because the drugs are protected by patents. The drug companies that produced these life-saving mixes enjoy at least a twenty-year monopoly for their inventions. They use that monopoly power to extract the most they can from the market. That power is in turn used to keep the prices high” [2004, p266].

Though patents were invented to stimulate R&D investments and technological advance, now are used to hide excused economic intentions. Very few drug patents are really innovative (the same with software patents), and are only used to keep cheaper generic drugs off the market (monopolistic behaviour), promoting price-fixing (oligopolistic behaviour) and even low ethical behaviours, like paying bonuses to doctors who prescribe the most expensive medicines. Drug companies affirm that the main reason medicines have such high prices is because it costs them about $500 million to make a drug and sell it, but this figure is exaggerated. Recent studies have found out that the actual number is closer to $100 million [Public Citizen 2001]. Nowadays, what actually patents do is to restrict public access to scientific knowledge, specially through cross-licensing, and to retard technological progress. If those medicine knowledge were not patented in the way they are, there would be genuine cooperation, genuine competition, tremendous innovation, and maybe 15 to 30 million lives saved in Africa.

The copyright issue is also related to the private property over production. Scott (2001) reviews the history and application of copyright and concludes that, although it is promoted as being in the interests of authors, its law has been used to establish positions of monopoly exploitation, particularly by multinational monopoly cartels. A clear example is in the CD music industry. Usually, the author of a music CD recover about 10% or less of the sale price of the CD, with the balance of the sale price going to the retailer, the record label, producers, marketers, designers, the distributors of the CD and a host of others, often subsidiaries of a vertically integrated conglomerate. Profit from each of these steps is really profit of the conglomerate.

To conclude, the two most important consequences of the current specific form of the private ownership over the production are highlighted here: (a) Under the current capitalist rules, competition is not really free. The actual space for free competition is indeed small in most areas of economy; (b) Companies earn their money from the ownership over the means of production, especially over the knowledge of production, not from the work really accomplished to produce goods and services.

3. The Software Production Area

There are basically two models of software production: proprietary and FOSS. The proprietary model is based on the idea that the software created is attached to a particular individual or company: the owner of the software. It does not matter whether the owner was the original creator, only the current owner has the right to decide who, when, and under what terms someone can use, copy, modify and distribute the software.

Source code is mostly held secret, and sold, licensed, or even shared, under non-disclosure agreement. Copyright and patent laws are used to “protect” technological creations against anyone who did not participate in the innovation. Most proprietary software companies fight each other for profit and domination in a traditional way; a wild competition which takes place in the very process of software innovation. As a consequence, software are tightly tied to the company that produces it. Any changes, patches or upgrades are done exclusively by the proprietary company. Users depend on the company, are unable to improve its software and change it to suit their needs.

Conversely, the FOSS model is based on the idea that the owner of the software is the cooperative community of developers and users, which is voluntary and has rights and duties, that encompasses users' four freedoms [GNU/FSF website, Barr 2005]:

(0) The freedom to run the program, for any purpose;

(1) The freedom to study how the program works, and adapt it to your needs;

(2) The freedom to redistribute copies, so you can help your neighbour;

(3) The freedom to improve the program, and release improvements to the public, so that the whole community benefits;

Software is regarded as a kind of information that belongs to everyone, who can use this information and contribute in developing it in a free way, but cannot privately appropriate and individually own it. Software is turned into a collective means of production to develop more software. The key feature of FOSS licenses (like the GPL) is that they keep free new software, derived from previous ones. Everyone is free to distribute software, but only if they distribute it under the same free licenses. Copyright is used to free software; and patents do not play any role, except as an outside threat.

Through FOSS licenses which assure the 4 freedoms, the software production becomes intrinsically cooperative and community driven: the entire FOSS community may participate in developing free software, reporting bugs, deciding about new features, writing documentation, translating user interfaces, etc. It is not surprising that the FOSS community is a huge, strong and friendly one, based on sharing, cooperation, and maximizing reputation incentives [Raymond 2001, p85], not only on competition and race for money; a community unrivalled by any other proprietary platform. Richard Stallmans' and Linus Torvalds' greatest genius was not merely in code, but mainly in creating that cooperative environment where many gifted coders could work together for the common good. Often, software is being developed out of passion for programming. There is a free software ideology behind the FOSS model, that is about giving freedom to developers and users of software, unlocking information and supporting free flow of knowledge. Thus, the protective feature of FOSS licenses adds a magic glue to the FOSS community, the good feeling that comes from doing good for others, and knowing that it will continue to do that good for as long as it is used. The GPL license, in particular, covers a whole lot more than just the Linux kernel. In the statistics, almost 36 thousands projects are covered by more than 50 different licenses, and 68% of those projects are licensed by the GPL [Freshmeat.net website].

The FOSS model brings up a new kind of business, which is based on selling material goods related to the free software, such as CDs, books, bundled material products; and services of distribution, subscriptions, and of support to customise free software to particular purchaser. Even proprietary companies, such as IBM and Sun Microsystems, are using this open strategy to make their business: not selling software, but just material goods -- computers in the case -- and providing together some sort of free software. It is basically in this way that FOSS companies are making their business.

This new business model, in turn, brings about several good consequences to the production of software: (a) innovations are more user oriented to their actual needs; (b) generally, free software is more quickly developed, and presents better quality, security and reliability than proprietary ones; (c) cooperation and competition are both stimulated, promoting technological advance; and (d) vendor lock in and monopolies are avoided. The growing use of FOSS by companies, Governments and state institutions of several countries proves clearly the FOSS models success [United Nation report 2003, May 2004, Lerner&Tirole 2004]. NASA, for instance, uses FOSS because of access to its source code -- their responsibility during launching people to space is too high to let some unknown code handle mission-critical tasks [Moran 2003].

At last, there is a clear advantage: the FOSS model promotes both cooperation and competition, which reinforce each other. Cooperation because it allows the entire world participate in fixing problems, in adding features, correcting bugs, etc. Competition because it allows competing companies to join together in investing a certain kind of software. For example, rivals, such as Red Hat, Mandrakesoft and Novell, invest in free software, such as the GNU Project, Mozilla Foundation, Apache, etc. The very fact that the software produced by them is free software, and source code is produced cooperatively and available to anyone, allow them to compete in providing services, combinations of free software, licenses of services, training, upgrades, etc. The FOSS lesson to be comprehended here is that because of this free open cooperative environment, competition is really free and open organisations can hardly become a monopoly. This suggests a promising solution to other areas of economy.

4. The FOSS Model in other Areas of Economy

The main difference between software and material good productions concerns their outcomes: software and material good. Software is a kind of information and immaterial in its essence, and hence extremely easy to copy, distribute and share. On the other side, material goods are not copyable at all, and are not hence so easy to share ultimately.

This difference leads to an important consequence: when material goods are sold a producer is alienated from the goods sold. Conversely, when software is “sold” a producer does not lose the use of it. To show the possibility of expanding the FOSS model, we draw upon the following analytical division of the production of any economic areas:

(1) The production of 'knowledge of production'. It is part of the means of production and mainly an outcome of R&D activities, and a part of that is already in public domain;

(2) The production of 'material goods'. It uses the outcome of the previous production and is usually the end product that is sold to consumers (TVs, furniture, cars, etc.);

(3) The “production” of services. It may be regarded as the work of installing, fixing and maintenance of material and immaterial goods.

In the software area, however, the end product is not the result of (2), but of (1), since software are part of both the means and the outcome, of the software production, and of course are not material. Software is a part of the means to produce more software. In the proprietary model, software is artificially regarded as a material good, and thereby, as if it were an outcome of the activity (2). The profit of selling copies of the end software includes the cost of the activity (1) [Soares 2004], whose outcome is kept secret and privately owned. On the contrary, free software are regarded as information and kept free through free licenses; software sources are open and produced cooperatively. In the FOSS business model, what pays the“cooperative R&D” to develop software is the selling of material goods and services, related to the free software.

In other areas of economy, concerning material goods, these are of course not shareable, as well are not shareable tools, machinery and other physical infra-structures. However, the knowledge of production is indeed shareable and, in a sense, very similar to software. That is the clue for expanding the FOSS model to other economic areas. In the traditional capitalist model, the knowledge of production is regarded in the same way as software in the proprietary model: the R&D outcome and knowledge of production in general are held secret, privately owned, and, in the specific case of material production, often protected against competitors through patents. So, knowledge of production is mostly developed and owned privately, and their costs are included in the price of material goods, and may lead to consumers' locking, monopoly, etc.

Conversely, knowledge of production could be regarded in the same way as free software: any knowledge of production could be developed cooperatively and owned collectively. We may call it as the Free Open Knowledge of Production (FOKP) model, and think of a specific FOKP for each area of production, from TVs and cars, to furniture and houses. To clarify this idea, we now develop a complete parallel with the FOSS model to show how the FOKP model would work, hypothetically.

In the FOKP model, the knowledge of production of any economic area is developed in a voluntary FOKP community of developers, producers and consumers, which is a huge, strong and friendly community, based on sharing and cooperation, not only on competition and the race for money. In this cooperative environment, many gifted developers work together for the common good. There is a free knowledge ideology behind this model, that is about giving freedom to developers, producers and consumers of material goods, unlocking information and supporting free flow of innovation.

There is a key feature in the FOKP model: its GPL-like licenses keep free every new knowledge of production developed, from previous ones. Everyone is free to distribute knowledge freely, but only if they distribute it under the same free license, which secures the collective property of free knowledge of production, and assures the 4 freedoms to every developer, producer and consumer:

(0) The freedom to use the knowledge of production, for any purpose;

(1) The freedom to study the knowledge of production, and how the produced good should work, in order to adapt it to your needs;

(2) The freedom to redistribute copies, so you can help your neighbour;

(3) The freedom to improve the knowledge of production, and release improvements to the public, so that the whole community benefits;

Through FOKP licenses which assure the 4 freedoms, the production of free knowledge becomes intrinsically cooperative and community driven: the entire FOKP community may participate in developing free knowledge of production, reporting problems of goods produced, deciding about new features that are needed in certain goods, writing documentation, translating consumers' needs, etc. In short, free knowledge is produced cooperatively by many people, and free licenses are what adds a magic glue to the FOKP community, the good feeling that comes from doing good for others, and knowing that it will continue to do that good for as long as it is used.

The model also leads to a new kind of business: the FOKP business model, which is based on selling only the material goods and services, but not the outcome of R&D activities, that is mainly developed cooperatively and owned collectively. Open organisations profit not from a private knowledge of production, but from the proper production of material goods and related services, that is, from the work actually realised to make them. Competition is then accomplished over the kinds, variety, combination and quality of the produced goods and services. Presumably, this new model has several consequences: (a) innovations are more consumer oriented to their actual needs; (b) generally, free knowledge of production is quicker to be developed, and the material goods produced using them present more quality than the proprietary ones; (c) cooperation and competition are both widely stimulated, speeding technological advance; and (d) vendor lock-in, and monopolies are naturally avoid.

This vision is powerful and idealist: it does seem to be feasible in some way or another. But we should be cautious as far the actual viability of the FOKP model.

5. Problems and Open Issues

There are at least three important conditions to turn the FOKP model viable, practically:

(1) A protection to the free knowledge that avoids its private appropriation and any restrictions to its public access. Patents are what complicates the FOKP model. Some alternatives are: a) a GPL-like license; b) a Patent-Left license, similar to copy-left license; c) a creative common license. This is an open issue. In our viewpoint, the GPL license is the best base for a FOKP license; its rules should be a clear parallel with the GPL ones, ensuring the 4 freedoms over any knowledge of production, with an additional clear clause stating that “all knowledge and content licensed under the present license cannot be patented nor restricted in any similar way”;

(2) A critical mass of a community of developers, producers and consumers to turn self-sustaining FOKP businesses in any specific areas. The reason to make a FOKP business is attached to the actual gains that an open organisation would have out of sharing its knowledge of production, that is, having persistent and valuable feedback from the community, among many open companies, to improve both production and products. Otherwise, the current “secrecy” logic of the traditional business would still prevail.

(3) A rupture in the individualistic culture of constructing knowledge and making business. Most people are unaware of the benefits of cooperating more widely and making business from this open cooperation. The crucial shift is to realise that caring for the good of the whole society means better results for each one. In a sense, it is the opposite of Adam Smith´s “invisible hands of the market”: the “visible hands of a cooperative community”. Not comprehending that makes many people blindly believe that if they only care about themselves, individual needs and profits, they would ultimately be better off. This crucial shift is being realised by the FOSS community: purely individualistic endeavours are replaced by open and cooperative initiatives that, while making business and profiting from this, care about benefits for the entire society.

Who would embrace the FOKP model? The software area reveals some answers. Big companies, like Microsoft, will never adopt the FOSS business model. Many companies in most economic areas, especially big corporations, will not either. The FOKP model may be adopted by small and medium companies, at least partially, by non-profit and non-government organisations, by co-operative organisations [Monserrat 2005]; and all initiatives that envisage social inclusion [CECOP 2002, RBSES 2004].

6. Conclusion

Historically, the private property that granted capitalists' privilege in society was mainly related to the ownership over the physical part of the means of production, since their abstract part -- the knowledge of production -- evolved in slow pace relatively. Recently, however, for the technological revolution caused by computers, the privilege has been gradually dislocated to the private ownership over the knowledge of production, which is “protected” (actually restricted to public access) through some forms of intellectual property, such as copyright and patents.

We assumed the possibility that the private ownership of the physical part of the means of production might not be so harmful to society if the knowledge of production could be cooperatively developed and collectively owned, as we describe in the FOKP model, in a parallel with the FOSS model. In a sense, these models may be seen as both pro-capitalist and pro-socialist and, paradoxically, against both views. They might avoid bad consequences of capitalism, while keep its competition feature, smartly based on cooperation: this helps self interests and competition, that in turn promote cooperation, regarded as coopetition, in Tapscott's words [2001, p20].

We showed that the FOKP model viability depends on: (a) adequate legal GPL-like license; (b) critical mass of a community of developers, producers and consumers; (c) cultural shift to a cooperative mentality. These are still open issues. We concluded that the FOKP model is not a pure matter of business, though this is crucial to turn it viable, but foremost of a social project to change the individualistic mentality,